“O PMDB terá que buscar uma identidade nacional”, diz João Arruda


Em entrevista à Rádio T FM e ao Blog da Mareli Martins, o deputado federal João Arruda (PMDB) falou sobre as consequências que o projeto que alonga as dívidas dos estados por 20 anos, trará aos estados e municípios. O deputado também abordou questões que envolvem a crise de desmoralização que vive o PMDB e outros partidos, o seu voto favorável ao impeachment de Dilma Rousseff e o governo interino de Michel Temer. (ouça a entrevista completa ao final da matéria)
Em relação à proposta de renegociação das dívidas dos estados aprovada pela Câmara Federal, na última semana, vários pontos ainda precisam ser esclarecidos. Segundo o deputado João Arruda, esse projeto deveria ter uma discussão mais ampla, para que os serviços públicos não fossem afetados.
“O problema é que as contrapartidas acabam caindo nas costas dos servidores e dos serviços públicos. Votei contra por esse motivo. Tínhamos que ter elaborado um projeto que proporcionasse esta condição aos estados e, ao mesmo tempo, pudesse valorizar os servidores públicos”, destacou João Arruda.
Embora um dos pontos mais polêmicos que previa o congelamento por dois anos dos salários do funcionalismo tenha sido retirado do projeto, o deputado esclarece que ainda existem riscos. “Tiramos aquele ponto que afetaria nas progressões e promoções dos funcionários públicos. Mas ainda restaram alguns pontos ruins, como a questão de investimentos públicos, aquilo que é teto de contratação de serviços. Com isso, os estados terão que contratar menos e os concursos públicos serão afetados”, alertou.
O deputado reconheceu que prolongar o período para pagamento das dívidas é necessário aos estados, mas afirmou que alguns governos estavam esperando essa votação na Câmara Federal, para não cumprirem com os compromissos com o funcionalismo público. “Os estados mereciam esta oportunidade, neste momento de crise. Ainda existem algumas dúvidas sobre essas possibilidades e as interpretações serão feitas por cada governador, que tomará uma atitude de acordo com o projeto. No Paraná, por exemplo, o governo estava torcendo para que tudo fosse aprovado, para que não precisasse cumprir o que foi prometido aos servidores. É preciso dizer que os governos poderão manipular o dinheiro que é para contratação em outras áreas também”, disse.
Depois de apoiar Dilma, João Arruda votou favorável ao impeachment
O deputado João Arruda faz parte do PMDB, que como tantos outros partidos vive uma crise de moral e de identidade. O deputado esteve no grupo de apoio da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), mas acabou votando favorável ao impeachment. Segundo ele, com Dilma, não existiam mais condições de governabilidade. “Tive que tomar esta decisão e pesou a vontade dos paranaenses e de minha base. Votei pela admissibilidade do processo, mas não julguei a presidente Dilma. Eu apoiei e dei sustentação ao mandato, mas isso a história vai mostrar, pois não tínhamos alternativas para o governo. Isso foi necessário. A presidente Dilma não apresentou outra solução”, apontou.
Temer é melhor que Dilma?
Mesmo depois de chegar à presidência, Michel Temer não consegue representar uma esperança aos brasileiros, principalmente por ter o seu nome envolvido em alguns processos que investigam corrupção. Temer foi citado em delações da Operação Lava Jato, como um dos beneficiários. Além disso, existem pedidos de cassação da chapa Dilma e Temer, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“É um risco e ele terá que responder por isso. Não estou dizendo que este governo está imune a qualquer acusação, pelo contrário, pois todos estiveram na mesma chapa e correm o mesmo risco. Terão que responder da mesma forma. Mas era impossível continuar com o governo de Dilma”, afirmou João Arruda.
Mesmo com muitos pontos negativos, Temer é visto como alguém que abre o diálogo com todos os lados, postura diferente da adotada por Dilma Rousseff. A experiência de Temer também foi destacada pelo deputado. “Ele tem uma grande qualidade, tem mais consistência na sua formação politica, e também possui mais experiência politica que a presidente Dilma. Mal ou bem, ele está ouvindo a todos os partidos, inclusive os de oposição. A presidente Dilma não fazia isso. É impossível governar fechado em um gabinete. Por tudo isso, ele tem feito um governo melhor do que o dela”.
PMDB busca identidade
Assim como o PT, o PMDB é um partido que passa por momentos ruins, tendo vários nomes nacionais envolvidos em esquemas de corrupção. Exemplo disso é o presidente afastado da Câmara Federal, Eduado Cunha, que passará por um processo de cassação de mandato. O presidente interino Michel Temer, que além de fazer parte chapa de Dilma Rousseff, tem seu nome relacionados a esquemas corruptos. Entre outros nomes como os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá, também citados nestes esquemas de desvio de dinheiro público.
Segundo o deputado João Arruda, o partido terá que encontrar a sua identidade. “O PMDB é um partido muito grande e tem características diferentes em diversos estados. E sempre respeita os estados, os municípios e seus diretórios, dando autonomia a todos os filiados. O partido terá que buscar sua identidade a nível nacional, pois hoje o partido é protagonista. E faremos isso com um bom debate”, declarou.
Atualmente, vários partidos existentes no Brasil, passam por crises como a do PMDB e do PT e enfrentam rejeição diante da sociedade. De certa forma, todos terão que passar por uma grande reestruturação. “Não é só o PMDB, outros partidos também estão desmoralizados e tudo isso começa pelo financiamento de campanha. Na minha visão essa é a raiz do problema da corrupção no país. É preciso uma nova cultura, para que futuramente possamos encontrar uma alternativa”, destacou o deputado João Arruda.
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