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“Se me convocarem não vou fugir da responsabilidade”, diz Alvaro Dias – sobre disputar à Presidência da República

“Se me convocarem não vou fugir da responsabilidade”, diz Alvaro Dias – sobre disputar à Presidência da República
  • Publishedjunho 12, 2017
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“Foi a vitória da impunidade sobre a justiça e o que valeu foi o interesse de preservar o mandato do Temer a qualquer preço. Mas a turbulência prossegue, o calvário continua e Temer segue respirando por aparelhos”, disse Alvaro Dias – sobre o julgamento do TSE que inocentou a chapa Dilma-Temer

Em entrevista à Rádio T e ao Blog da Mareli Martins nesta segunda-feira (12), o senador Alvaro Dias (PV-PR), falou sobre a possibilidade de concorrer à Presidência da República, nas eleições de 2018. Alvaro Dias segue no PV até o dia 1º de julho, quando será lançado, em Brasília, o ‘Podemos’, novo nome do antigo Partido Trabalhista Nacional (PTN). Alvaro é cotado como um forte candidato do ‘Podemos’ para a disputa da Presidência da República. (ouça a entrevista completa no final da matéria)

O senador Alvaro Dias afirmou que se houver convocação, não vai fugir da disputa. “Essa é uma candidatura importante e que tem que ser resultante de uma convocação. E no dia 1º de julho vamos lançar o Podemos, que é um novo partido, com programa novo, estatuto novo, modelo novo e comando novo. Um novo partido de causa e de movimento, mais ao centro. Tentando ser diferente dos outros que estão desmoralizados no país. A partir desse lançamento as coisas ficam mais claras. E o partido convocando, eu não posso fugir da responsabilidade. O partido deseja ter uma alternativa própria, neste caso, com convocação, eu começo a assumir uma condição de presidente”, afirmou.

Julgamento da chapa Dilma-Temer: a vitória da impunidade

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) absolveu nesta sexta-feira (9), por 4 votos a 3, a ex-presidente Dilma Rousseff e o presidente Michel Temer da acusação de abuso de poder político e econômico na campanha de 2014.

Dessa forma, o TSE, em sua maioria, mesmo depois das comprovações de caixa 2, propina e superfaturamento, considerou que não houve lesão ao equilíbrio da disputa e, com isso, livrou Temer da perda do atual mandato e Dilma da ilegibilidade por 8 anos. O voto que desempatou o julgamento foi o do ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE, o último a se manifestar.

Votaram contra a cassação os ministros Napoleão Nunes Maia, Admar Gonzaga,Tarcísio Vieira e Gilmar Mendes (voto de desempate). E votaram a favor da cassação da chapa Dilma Temer os ministros Herman Benjamin (relator), Luiz Fux e Rosa Weber.

Para o senador Alvaro Dias, a absolvição da chapa Dilma-Temer mostra que o TSE agiu de acordo com interesses políticos, deixando de lado a justiça. “Foi um lamentável julgamento de cartas marcadas, o placar já era conhecido e foi divulgado. E representou uma vitória da impunidade sobre a justiça. É triste ver um país em crise política e, sobre tudo, causada pela corrupção. E é triste ver um tribunal julgando nessa circunstância, prevalecendo o interesse político acima do interesse da justiça. Isso abriu um precedente perigoso e será utilizado em julgamentos futuros envolvendo outros criminosos”, lamentou.

O senador comentou a justificativa absurda do ministro do TSE, Gilmar Mendes, de que é melhor pagar um preço por um governo ruim e escolhido pelo povo, do que causar instabilidade no país”.  Segundo o senador, se o TSE fosse extinto não faria falta.

“Esse pronunciamento é a prova de que não respeitaram a Constituição. O TSE reconheceu que teve corrupção, superfaturamento, propina, caixa 2. Mas o que valeu foi o interesse de preservar o mandato do Temer a qualquer preço. Fica a ideia de que justiça eleitoral se extinta não fará falta. Esse discurso deveria terminar com a frase de que estamos fechando o tribunal eleitoral, pois ele não é mais necessário”, declarou o senador.

 “O calvário de Temer continua e ele respira por aparelhos”, afirma Alvaro Dias

O fato é que Michel Temer (PMDB) com manobras políticas se livrou da cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas ainda tem muito a explicar ao Brasil, principalmente quando o assunto é corrupção. Na última sexta-feira (9), Temer não respondeu as perguntas da Polícia Federal. E a qualquer momento a Procuradoria Geral da República pode pedir a cassação de Temer.

O senador Alvaro Dias afirmou que Michel Temer pode até terminar o mandato, mas que os dias turbulentos continuam. “Nunca se viu um presidente vivendo momentos de humilhação dramática como agora. Recebendo interrogatórios da Polícia Federal. Michel Temer é um presidente investigado pela Polícia Federal. Além disso, o procurador da República pode pedir a cassação de Temer. A turbulência prossegue, o calvário continua e Temer segue respirando por aparelhos”, disse.

O senador lamentou o fato de que infelizmente não há interesse na Câmara Federal para abertura de um processo de impeachment contra Michel Temer. “Não acredito em abertura de impeachment, principalmente pelo presidente da Câmara (Rodrigo Maia) que teria que autorizar a abertura e ele não pretende fazer isso. O congresso está contaminado pela relação promiscua do balcão de negócios, o toma lá de cá. E teremos que aguentar isso até as eleições de 2018”.

Vale dizer que o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), além de ser aliado de Temer, também é investigado na Operação Lava Jato.

 

“Quem está pedindo ‘diretas já’ está mentindo para a população”

O senador Alvaro Dias explicou que não existe tempo hábil para realização das ‘diretas já’, ou seja, eleições diretas. E que isso tinha que ter acontecido antes.

“Esses grupos não estão sendo sinceros com a população, é só olhar o calendário. Me desculpem esses artistas que ficam cantando de graça nas praças, tomara que continuem levando musica de graça para população. A questão é se o presidente vai renunciar em seis meses? Parece que não. Temer vai ser cassado em seis meses? Não. Então esses que estão pedindo diretas já agora, não estão sendo sinceros com a população. Eu não concordo com isso”.

A tal da reforma política que nunca ocorreu

“A reforma política é uma vergonha. Quando falamos em reforma política temos que pedir desculpas, pois há quantos anos se fala nisso e a reforma não acontece. E ainda estamos falando em reforma política. Foram alguns remendos aqui e ali, mas reforma política mesmo não aconteceu. Nós temos que parar de falar aquilo que não fazemos”.

Ouça a entrevista completa!

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