Os meandros da renovação do contrato com a Sanepar

Crédito da imagem: Gazeta do Povo
Crédito da imagem: Gazeta do Povo

A renovação de contratos por período muito longos, tem sido uma das causas de diversos problemas enfrentados pela população de Ponta Grossa. Não se trata apenas do fato de renovar um contrato por 20, 30 ou 40 anos, mas dos interesses que estão nas entrelinhas de tudo. E a forma rasteira e impositiva que as renovações são feitas, também causam espanto. Exemplo de um contrato longo e que possui uma série de falhas, é o contrato com a Viação Campos Gerais (VCG), que detém a concessão do transporte coletivo de Ponta Grossa. O contrato foi renovado de forma automática por dez anos, sem uma avaliação do serviço prestado pela empresa. Também não foram ouvidas as pessoas que utilizam o transporte público. Até quando a população de Ponta Grossa ficará refém de longos contratos, que tem como base articulações políticas e interesses particulares?

Em paralelo há tantos questionamentos, a prefeitura agora insiste em renovar por 30 anos o contrato com a Sanepar, que tem a concessão para o abastecimento da cidade. Não bastasse as falhas no serviço, como falta de água nas casas dos consumidores, serviços de ligações de rede inacabados, água com coloração duvidosa, a empresa, se envolveu em outras denúncias como a utilização indevida de um terreno da prefeitura, poluição de mananciais , além do descontentamento apontado pela população. Fica a pergunta: é correto renovar um contrato dessa importância, sem a devida análise dos serviços prestados? Fontes ligadas diretamente ao prefeito Marcelo Rangel relatam que além de uma infinita troca de favores, um dos fatores que move a renovação do contrato é a famosa obra do Lago de Olarias. O município precisa de dinheiro para entregar, pelo menos, parte das obras do lendário lago. Seria a renovação do contrato com a Sanepar, no valor de R$ 22 milhões, uma forma de buscar recursos para finalizar parte da obra do Lago de Olarias? A CPI da Sanepar apontou que R$ 22 milhões é o valor que a empresa arrecada em três meses. Segundo os parlamentares, trata-se de um contrato de R$ 2,8 bilhões. O fato é que algo muito estranho acontece nessa negociação da prefeitura com a Sanepar. Se não ficarmos atentos correremos o risco de ver, daqui uns anos, “emergir o monstro da lagoa”, como escreveu Chico Buarque de Hollanda, em sua música ‘Cálice’. 

“Esse silêncio todo me atordoa e atordoado eu permaneço atento, na arquibancada, pra a qualquer momento, ver emergir o monstro da lagoa”.

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