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“Modelo de pedágio será tão ruim quanto o do Lerner”, diz Romanelli

“Modelo de pedágio será tão ruim quanto o do Lerner”, diz Romanelli
  • Publishedmaio 26, 2023
“Todos os que estão colocando a mão no fogo por esse modelo de pedágio, vão se queimar”, disse o deputado Romanelli (PSD). (Foto: Alex Adam/SEPL)

O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD) disse que o novo modelo de pedágio do Paraná será parecido com o anterior, que começou em 1997, na gestão do ex-governador Jaime Lerner e durou até 2021, quando os contratos encerraram. O deputado concedeu entrevista ao Blog da Mareli Martins e criticou a modelagem de pedágio escolhida pelos governos de Ratinho Jr (PSD) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). (Ouça a entrevista no final do texto)

“O modelo de pedágio será tão ruim quanto o do Jaimer Lerner. Foi feita uma modelagem no governo federal anterior [Bolsonaro] e mantida pelo atual governo [Lula] e que assegura que as tarifas de pedágio vão ficar superiores ao valor de dez reais, em média. Eles criaram mecanismos para inibir descontos que as empresas poderão dar no leilão. São mecanismos para beneficiar as concessionárias de pedágio em detrimento da população”, criticou.

O deputado afirmou que as tarifas podem ficar até mais caras que anteriormente. “As tarifas vão voltar com os preços muito parecidos com o que eram antes e alguns trechos terão valores até mais altos. Talvez alguns trechos que tinham grande degrau tarifário terão um desconto maior”, disse. (exemplo: Jacarezinho e Jataizinho)

Segundo Romanelli, o ideal seria fazer a licitação pela Lei das Concessões, obrigando um valor como caução das concessionárias para garantir a execução das obras. Mas tudo vai ocorrer dentro da lei das Licitações, que não garante que as obras de fato vão ocorrer, conforme o deputado.

“Novamente vamos ficar sem garantia de que as obras vão sair e não teremos para quem reclamar. Esperem pelo pior”, declarou o deputado Romanelli.

Por outro lado, o governo estadual diz que o aporte das concessionárias garantirá a execução das obras. O deputado Romanelli disse que esse aporte não garante as obras.

“O aporte não garante nada e eu entendo que não vai ter aporte, pois as empresas não vão chegar a esse percentual de 18% de desconto, na minha percepção”, afirmou.

Romanelli disse que outro problema é que provavelmente as concessões vão ficar com as concessionárias envolvidas no escândalo de corrupção.

“São três empresas que tem grandes chances de vencer a licitação e todas estiveram envolvidas com corrupção no modelo antigo, a CCR, a Ecorodovias, e a Ecovia. Essas empresas não realizaram diversas obras e participaram de corrupção, mas tem grandes chances de ganhar o processo licitatório infelizmente”, lamentou.

O que ainda pode ser feito?

Romanelli destacou alguns mecanismos que podem ser utilizados para impedir abusos no novo modelo e lamentou o fato do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Ademar Traiano (PSD), ter acabado com a Frente Parlamentar dos Pedágios, que lutava contra o modelo elaborado. Conforme Romanelli, o debate “incomodava” o presidente da Alep.

“O Traiano acabou com a nossa frente dos pedágios, o debate sobre esse tema o incomodava. Mas nós, em conjunto com  os deputados Tercilio Turini, Evandro araujo e o Arilson Chiorato, estamos pedindo esclarecimentos à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Vamos usar também os mecanismos de impugnação e medidas judiciais”.

Decepção com Lula

Romanelli falou sobre a decepção com  presidente Lula por ele ter aceitado o modelo de pedágio elaborado no governo do ex-presidente Bolsonaro (PL). Na campanha de 2022, Lula prometeu pedágio “com tarifas de até cinco reais”. E disse que “não aceitaria o modelo de Bolsonaro”. E defendeu o “pedágio de manutenção”.

“Infelizmente o ministro dos transportes escolhido pelo Lula, Renan Filho, é o grande defensor desse modelo e convenceu o presidente. E essa semana eles trouxeram uma novidade, disseram que depois da licitação do Paraná, o governo federal vai criar um modalidade com preço barato e com investimentos públicos e não privados, para reduzir as tarifas. Ou seja, eles devem achar que nós do Paraná somos ricos e merecemos pagar um preço de pedágio mais caro. Ou acham que somos ricos ou que somos otários”.

OUÇA ENTREVISTA COM O DEPUTADO ROMANELLI

Ouça também a entrevista com o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex

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