Rangel critica Elizabeth “quebrou a confiança” e apresenta propostas para PG


Nesta segunda-feira (16), o Blog da Mareli Martins deu continuidade à série de entrevistas com candidatos e candidatas à Prefeitura de Ponta Grossa. (Assista a entrevista no final do texto)
O entrevistado da vez foi o ex-prefeito Marcelo Rangel (PSD), que busca um terceiro mandato à frente do executivo municipal.
Durante a entrevista, Rangel discutiu temas centrais para o município, como saúde, educação e transporte público, além de responder perguntas sobre a sua trajetória política e a recente ruptura com a prefeita Elizabeth Schmidt (União Brasil).
Além de Rangel, todos os candidatos concederam entrevista: Elizabeth Schmidt (União Brasil), Dr.Magno Zanellato (Novo), Mabel Canto (PSDB), Aliel Machado (PV).
Rompimento com a prefeita Elizabeth: “quebrou a confiança” e “foi ingratidão”
Durante a entrevista, Rangel foi questionado sobre o rompimento com Elizabeth Schmidt, sua antiga aliada política, indicada por ele como sucessora em 2020, após ter sido vice-prefeita no seu governo.
Ele mencionou que a prefeita “quebrou a confiança” não apenas com ele, mas também “com a população de Ponta Grossa”.
Segundo ele, a ruptura ocorreu devido a divergências de gestão e à falta de continuidade em projetos importantes para o município. “Confiança é a palavra mais forte em uma eleição”, afirmou Rangel, ressaltando que, se tivesse confiança na atual gestão, não teria se lançado candidato novamente.
Rangel disse que tem culpa pela indicação de Elizabeth como sucessora em 2020, mas reforçou que a prefeita poderia ter realizado as mudanças que desejava desde o início de sua gestão.
Elizabeth Schmidt, em entrevistas anteriores ao Blog da Mareli Martins, alegou que “foi traída por Rangel”, mencionando que “ele não discutiu sua candidatura com ela diretamente”.
Rangel rebateu, afirmando que foi “ingratidão” da prefeita falar sobre traição. “Infelizmente, depois que assumiu o cargo, o poder inebria. Então, eu considero em gratidão o fato dela falar a respeito”, afirmou.
Rangel compara a mudança de comportamento de Elizabeth após assumir o poder a uma “promoção” que a fez se distanciar de seus compromissos com a população.
“Você já conheceu alguém que era uma pessoa boa e depois que é promovida, ela simplesmente esquece de todo mundo, pisa em todo mundo? E infelizmente acaba se tornando completamente diferente”, disse Rangel. ((Assista a entrevista no final do texto)
Saúde
Rangel criticou a atual gestão pela deterioração dos serviços de saúde, afirmando que “o sistema está contaminado”. Ele citou a necessidade de reabrir o Pronto-Socorro (Hospital Municipal Amadeu Puppi) para melhorar o atendimento de urgência.
“Hoje, os ponta-grossenses precisam ir para cidades vizinhas, como Arapoti e Piraí do Sul, para receber atendimento básico”, lamentou.
Ele ressaltou que a saúde era uma prioridade em sua gestão anterior, apesar do orçamento limitado. “Pegamos o município com um orçamento de R$ 468 milhões e entregamos com R$ 1,1 bilhão. Hoje, com quase R$ 2 bilhões, temos plenas condições de fazer os investimentos necessários na saúde”.
O candidato também planeja firmar novas parcerias com o Governo do Estado e a Secretaria de Saúde para garantir que o Hospital Municipal volte a funcionar, com custos estimados em R$ 4 a R$ 5 milhões mensais. Outras promessas incluem a reabertura do Pronto Atendimento Infantil (PAI).
Rangel indicou os secretários de saúde na gestão de Elizabeth
Os primeiros comandos da secretária de Saúde de Ponta Grossa foram indicados por Marcelo Rangel, segundo a prefeita Elizabeth. Primeiro foi o médico de carreira da prefeitura, Rodrigo Manjabosco e depois Juliane Dorosxi Stefanczak, que foi demitida pela prefeita de Carambeí, Elizangela Pedroso. Atualmente, a ex-secretária é candidata a vereadora na coligação de Rangel. E passou também pela administração do Pronto Socorro.
Rangel respondeu a pergunta “se não tem culpa” na situação da saúde por ter indicado os secretários.
“Quem é prefeito tem responsabilidade por todos os servidores e tem a caneta e a responsabilidade. Ela (Elizabeth) tinha a caneta e podia fazer todas as mudanças necessárias”, disse. (Assista a entrevista no final do texto)
Transporte Público
Rangel criticou o atual modelo de transporte público, afirmando que o problema não é apenas a tarifa, mas a falta de qualidade no serviço, com linhas que não atendem adequadamente à população e ônibus em péssimas condições. Sua proposta é que a prefeitura assuma o controle financeiro do transporte, eliminando a necessidade de subsídios.
“Quando se tem o controle financeiro, pouco importa quem será a empresa. O controle do transporte público passa a ser da instituição prefeitura, como é o caso de Curitiba. A URBS é que controla toda a arrecadação, aí não existe mais subsídio. Existe investimento direto da prefeitura no serviço”, afirmou.
Ele também se opôs à atual licitação do transporte público, que considera mal elaborada, e prometeu realizar uma nova licitação baseada no modelo de controle financeiro, caso seja eleito.
“Não creio que essa licitação prospere, pois foi muito mal feita. E se prosperar, nós teremos os mesmos problemas, pelo velho problema de ter que cumprir o contrato. Tomara que a licitação continue impugnada, para que possamos fazer um novo contrato”.
Educação
Marcelo Rangel afirmou que é contra a privatização da gestão educacional, mas defendeu a terceirização de serviços não pedagógicos na educação, como manutenção e pequenos reparos.
Ele destacou que a educação de Ponta Grossa já foi uma referência no estado, o que fez com que ele recebesse o prêmio “Prefeito Amigo da Criança”, e que sua gestão investirá em tecnologia e qualificação profissional, além de promover a formação internacional de professores.
Para resolver o problema da falta de vagas nas escolas e CMEIs, o candidato disse que vai investir. “Investimentos, a educação tem muitos recursos. Por lei temos que aplicar 25% do orçamento. Tem recursos que não foram investidos”. (Assista a entrevista no final do texto)
E os tablets das crianças?
Sobre sua antiga promessa de distribuir tablets, Rangel explicou que a oposição, a esquerda e as dificuldades legais impediram que o projeto fosse totalmente implementado durante sua gestão anterior.
“Não aconteceu por causa da oposição e todos partido de esquerda que foram contra os projetos que beneficiavam a população e por causa da legislação”.
No entanto, ele reafirmou o compromisso de ampliar o acesso à tecnologia para os estudantes da rede municipal.
Pavimentação: E o asfalto 100%?
Marcelo Rangel também comentou sobre os desafios da pavimentação em Ponta Grossa. Segundo ele, quando assumiu a prefeitura, cerca de 48% da cidade não possuía asfalto, e ele descreveu a situação como “uma cidade feia, onde todas as vias eram sujas de barro porque a metade da cidade não tinha pavimentação”.
Durante sua gestão, ele afirma ter pavimentado quase toda a cidade, mas destacou que “falta pouco” para universalizar o asfalto.
Ele criticou a atual gestão por não ter dado continuidade aos projetos, afirmando que os recursos já estavam disponíveis ao final de seu mandato.
Em 2020, Rangel, Elizabeth, Capitão Saulo e o governador Ratinho Jr, prometeram asfalto 100% em Ponta Grossa. Rangel culpou a prefeita Elizabeth pelo fato que a promessa não foi e não será cumprida.
“Isso é ingratidão e é por isso que nós não estamos mais juntos, porque o governo fez um aporte de mais de sessenta milhões, os projetos ficaram prontos durante o nosso governo e não fizeram por má gestão”.
Rangel afirmou que pretende universalizar a pavimentação. “Vamos universalizar, pois falta pouco, inclusive”. (Assista a entrevista no final do texto)
Apoio de Bolsonaro
Rangel tem o apoio do PL, partido do ex-presidente Bolsonaro, mas até agora Bolsonaro não declarou apoio para Rangel. Segundo o candidato, isso pode ocorrer ainda. “Talvez ele fale no momento certo”.
Cutucadas nos adversários
Além de criticar Elizabeth, Rangel alfinetou Mabel Canto (PSDB). “Tinha candidata dizendo que não queria ser prefeita, então não deveria concorrer. Para ser prefeito é preciso ter vontade”, declarou.
A candidata falou que não seria candidata e continuaria como deputada estadual.
Rangel deu a entender que Elizabeth e Aliel estão juntos nos bastidores. “Não consigo entender essa relação da Elizabeth com o Aliel, pois eles trouxeram o Dirlei Cordeiro, que era do Aliel e hoje ele manda na prefeitura. E a prefeitura está lotada hoje com cargos do Aliel”, destacou.
Gestão pública e combate à corrupção
Marcelo Rangel foi abordado sobre a questão da corrupção, especialmente em relação à Operação Saturno, que investigou desvios de recursos no EstaR Digital e em outras áreas da administração municipal, como a Prolar e a Funepo.
Vale destacar, que Rangel não é e não foi investigado em nenhum dos processos mencionados. Mas a Operação Saturno, do Gaeco, ocorreu em dezembro de 2020, quando Rangel era prefeito.
Rangel ressaltou que não há processos de improbidade contra ele. “Nós temos mais de 10 mil funcionários, servidores. Infelizmente, algumas pessoas acabam saindo do prumo. Essas pessoas, elas precisam sim ser investigadas, serem punidas”, afirmou.
Rangel criticou a gestão de Elizabeth pela decisão de fechar a Prolar (Companhia de Habitação) e comprometeu-se a reabrir a instituição, que, segundo ele, é fundamental para resolver os problemas de moradia na cidade.
“Fechar a Prolar foi desumano, tínhamos milhares de pessoas à fila, esperando moradia, e que hoje não tem mais esperança. Precisamos de mais moradias, e a Prolar é fundamental para isso”, disse.
O escândalo de corrupção no EstaR
Os escândalos de corrupção citados por Mabel ocorreram na gestão do ex-prefeito Marcelo Rangel (PSD), candidato à reeleição. Elizabeth Schmidt (União Brasil) era vice-prefeita. Em 2020, o Gaeco esteve em Ponta Grossa com a Operação Saturno, que investiga corrupção no EstaR Digital e na Prolar.
E também ocorreram denúncias e processos sobre falcatruas na Funepo. Todos estes órgãos investigados foram fechados pela atual prefeita.
No processo do EstaR Digital, após a operação, em janeiro de 2021, o Ministério Público (MP) tornou réus no processo por corrupção passiva o ex- vereador Walter José de Souza, Valtão (PRTB), os empresários da Cidatec (empresa segue operando o EstaR), Antonio Carlos Domingues de Sá, Alberto Abujamra Neto, Celso Ricardo Madrid Finck e o empresário e comunicador do Grupo T de Rádios por meio da Rádio Lagoa Dourada e proprietário do site D’Ponta News, João Carlos Barbiero.
No entanto, em novembro de 2021, o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná acolheu o pedido dos advogados dos réus e decretou a nulidade das provas obtidas com a interceptação telefônica, determinando ao Juízo de primeiro grau que avaliasse quais provas seriam atingidas pela nulidade e se o processo teria prosseguimento.
A defesa do réus alegou que havia “contaminação de uma prova” e que isso contaminaria todas as provas (interceptações telefônicas).
A defesa dos réus questionou a decisão que autorizou as interceptações telefônicas. O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) decidiu anular as provas que tinham como base as ligações e afirmou que “a autorização não foi fundamentada de forma adequada”.
As provas contra Valtão e os outros quatro empresários acusados por corrupção ativa ou passiva foram definitivamente anuladas pelo TJ-PR.
O Ministério Público Ministério Público do Paraná (MPPR) recorreu para tentar manter as provas e dar andamento ao processo de investigação, mas o TJ-PR não atendeu ao pedido do MPPR e decidiu manter a anulação das provas.
A corrupção na Prolar
A Operação Domus foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga o desvio a apropriação indevida de valores que deveriam ser devolvidos aos beneficiários do Programa Minha Casa, Minha Vida.
A investigação envolve o ex-presidente da Prolar, Dino Schrutt, que foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de peculato. E também o ex-diretor da Prolar, Deloir Scremin, que teria colaborado com os desvios, segundo o Gaeco.
Dino Schrutt foi secretário de Administração entre 2013 e 2016 no primeiro mandato de Marcelo Rangel na Prefeitura de Ponta Grossa. E chegou a acumular o cargo de Procurador Geral. Depois, no final do primeiro mandato de Rangel, Dino foi nomeado diretor jurídico da Companhia de Habitação do Paraná, no governo de Ratinho Jr. Foi indicado por Rangel e Sandro Alex. Mas com as investigações do Gaeco, o Ministério Público pediu afastamento de Dino do cargo.
Debate da UEPG: “adversários fizeram armadilha”
Rangel disse que não compareceu ao debate da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) porque os seus adversários armaram uma manifestação para prejudicar sua candidatura.
“Lá fizeram uma armadilha, eu sempre converso com os alunos. Tinha só um lugar pra entrar e os adversários contrataram pessoas pra fazer confusão e fazer cortes dpara colocar na internet ou pra usar no horário eleitoral. Fiquei triste, pois eu já estava pronto pra ir, mas soube disso. Eu participo de tudo, mas segurança é fundamental, veja o que aconteceu em São Paulo.” (se referindo ao episódio em que o candidato Datena deu uma cadeira no candidato Pablo Marçal, durante debate da TV Cultura).
Paz com o Blog da Mareli Martins

Em outros momentos, Rangel evitou dar entrevista apenas para o Blog da Mareli Martins. O candidato disse que evita perguntas que possam passar uma imagem prejudicial em determinados momentos.
“Eu adoro dar entrevista, eu só tenho uma personalidade, não tenho duas caras. Mas em época de campanha, uma pergunta mal colocada, pode passar uma imagem de algo que não é verdadeiro, então tem momentos estratégicos pra falar. Mas você pode contar comigo sempre”, afirmou.
Considerações finais
Marcelo Rangel destacou sua experiência e paixão pela política, afirmando que essa é “a eleição mais emocionante” de sua carreira. “Eu já disputei seis eleições, mas nenhuma me emocionou tanto quanto essa”, afirmou.
O candidato pediu confiança dos eleitores, prometendo uma gestão voltada para o bem-estar da população, com foco em saúde, educação e transporte público, sem economizar em áreas essenciais para o desenvolvimento do município.
“Eu falei sobre confiança, que é o mais importante. E as pessoas precisam escolher quem vai cuidar da vida delas por quatro anos, por isso é preciso confiança. É uma decisão que mexe com a vida de todos. Nós precisamos estar juntos porque já participei pela vida pública, estou mais experiente e quero colocar em prática o que aprendi”.
Esta matéria foi realizada com a colaboração do estagiário (estudante de jornalismo), João Vitor Pizani. A supervisão é da jornalista Mareli Martins (Registro Profissional: 9216/PR), conforme convênio de estágio firmado com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
Assista a entrevista completa!
(errata: *o candidato Dr. Magno Zanellato está no Partido Novo)