Sanepar reduziu de 7% a 10% o abastecimento em PG mesmo com grande volume de chuvas


A população de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, está sofrendo há muitos dias pela falta de água, que ocorre em praticamente todos os bairros da cidade. E chama atenção o fato de que não há falta de água nos reservatórios, principalmente pelo alto volume de chuvas registradas em janeiro e em todos os dias de fevereiro.
Somente em janeiro de 2025, o acumulado de chuvas foi de 159 mm, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) e entre os dias 1º e 16 de fevereiro, o acumulado de chuvas em Ponta Grossa foi de 77,4 milímetros. De acordo com o Simepar, o valor é três vezes maior que as chuvas registradas na cidade no mesmo período do ano de 2024, 25,8 mm.
Mesmo assim, a gerente-geral da Sanepar nos Campos Gerais, Simone Alvarenga de Campos, disse que a Sanepar fez um racionamento no abastecimento, ou seja, diminuiu o volume de água potável para a população. “A Sanepar reduziu de 7% a 10% o abastecimento em diversos locais por conta do alto consumo”, afirmou Simone.
A gerente da Sanepar culpou o calor pela falta de água. “Estamos enfrentando dias de muito calor na cidade, onde passamos de 31º e com isso o consumo de água aumentou em 25%. Nós tivemos que restringir o abastecimento em cerca de 7% a 10% do volume distribuído para que o reservatórios possam se recuperar”
O racionamento de água é uma medida adotada para evitar a falta total de água, especialmente em períodos de estiagem, que não é o caso de Ponta Grossa. Sendo assim, não há justificativa para o péssimo serviço da Sanepar. Culpar o calor? O verão ocorre todos os anos no mesmo período, a empresa não se planejou?
Simepar desmente Sanepar sobre “nível crítico de água”
Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) somente entre os dias 1º e 16 de fevereiro, o acumulado de chuvas em Ponta Grossa foi de 77,4 milímetros. De acordo com o Simepar, o valor é três vezes maior que as chuvas registradas na cidade no mesmo período do ano de 2024, 25,8 mm.
Ou seja, não falta água para abastecer a cidade, o problema está no sistema de abastecimento da Sanepar.
Em janeiro de 2025, o acumulado de chuvas foi de 159 mm. Em 31 dias, o Simepar registrou 173 mm de chuvas em Ponta Grossa.
População fala sobre dificuldades pela falta de água
A situação é dramática para a população e alguns bairros chegaram a ficar três dias sem água, sem falar nos consumidores que não possuem caixas d’água, mas com tantos dias sem abastecimento, até mesmo quem possui, acaba ficando sem água também.
A doméstica Eliane Machado, moradora do bairro Contorno, disse ao Blog da Mareli Martins que teve agenda de trabalho cancelada porque não tinha como fazer limpeza sem água. “Somente na semana passada duas clientes cancelaram, pois não tenho como limpar uma casa sem água. A Sanepar vai pagar pelo dois dias de serviço que eu perdi? Isso é um desrespeito com a gente.”, lamentou.
O Blog da Mareli Martins recebeu inúmeras mensagens de comerciantes de restaurantes, salões de beleza, donas de casa, diversos estabelecimentos que estão tendo prejuízos por culpa da Sanepar.
“Como que lava um cabelo sem água? Tive que cancelar clientes e quem vai pagar pelo prejuízo que eu tive?” questionou a proprietária de salão de beleza, Tatiane Ribeiro, que tem estabelecimento comercial no bairro Ronda.
O motorista de Uber, Marcelo Krabinski, disse que é muito difícil trabalhar o dia todo e chegar em casa e não poder tomar um banho. “Eu faço minha correria o dia todo, com esse calorão, aí quando chego em casa não tem água pra poder tomar um banho. Isso é brincar com a população. Até quando vamos continuar pagando por um serviço tão ruim? Quando a conta chega, não vem descontado os dias que ficamos sem água e isso é roubo”, disse.
Contrato de PG com a Sanepar foi prorrogado até 2048: prorrogação ocorreu em 2023
Em outubro de 2023, prefeitos e representantes de prefeituras aprovaram a prorrogação dos contratos dos seus municípios com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) até 2048. A prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt (União Brasil), esteve no evento e assinou a prorrogação com a Sanepar. Vale lembrar que não houve discussão com a população sobre isso.
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