Close
Destaque Utilidade pública

Campanha da Fraternidade 2026 coloca moradia digna no centro do debate social no Brasil

Campanha da Fraternidade 2026 coloca moradia digna no centro do debate social no Brasil
  • Publishedfevereiro 16, 2026
Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a Campanha quer iluminar, à luz do Evangelho, a realidade de milhões de brasileiros que ainda não têm acesso a uma casa adequada. (Imagem: CF2026)

Morar — e morar dignamente — segue sendo um dos grandes problemas estruturais da sociedade brasileira. Embora o país tenha registrado, nos últimos anos, o menor patamar histórico do chamado déficit habitacional, estudos indicam que aproximadamente 40% das residências ainda não oferecem condições adequadas para uma vida digna. Em outras palavras: nunca houve tão poucos brasileiros sem teto, mas uma parcela expressiva da população vive em submoradias, em condições precárias.

Essa contradição está no centro do tema escolhido para a Campanha da Fraternidade 2026, iniciativa anual da Igreja Católica no Brasil voltada à conscientização social, realizada tradicionalmente durante o período da quaresma.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, no próximo 18 de fevereiro, Quarta-feira de Cinzas, em sua sede, em Brasília (DF), às 10h, a cerimônia oficial de abertura da Campanha da Fraternidade 2026, que neste ano propõe à Igreja e à sociedade a reflexão sobre a moradia como condição essencial para a dignidade humana. 

Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a Campanha quer iluminar, à luz do Evangelho, a realidade de milhões de brasileiros que ainda não têm acesso a uma casa adequada. A escolha do tema acolhe sugestão da Pastoral da Moradia e Favelas e reforça o compromisso histórico da Igreja com a defesa dos direitos sociais e da justiça. 

A definição do tema da Campanha da Fraternidade cabe ao colegiado de bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entidade responsável pela coordenação do projeto. O processo leva em conta tanto sugestões internas quanto demandas urgentes da sociedade brasileira.

No caso da edição de 2026, a proposta partiu da Pastoral da Moradia e Favela do Brasil, organismo da Igreja que atua diretamente na defesa do direito à moradia. A pastoral apresentou aos bispos a necessidade de recolocar o tema no centro do debate público, diante da persistência de situações habitacionais indignas em todo o país.

 

Por que discutir moradia

A campanha busca chamar atenção para a realidade de milhões de brasileiros que vivem em habitações improvisadas, inseguras ou sem acesso adequado a serviços básicos. O objetivo é ampliar o debate e estimular ações concretas nas comunidades, indo além dos números oficiais sobre déficit habitacional.

“Moradia é um tema essencial para a população brasileira, assim como a alimentação. É um direito básico”, argumenta o frade franciscano capuchinho Marcelo Toyansk Guimarães, coordenador nacional da Pastoral da Moradia e Favela do Brasil e assessor da Comissão Justiça e Paz da CNBB, que destaca a urgência de políticas públicas e do engajamento social para garantir o direito constitucional à moradia digna.

A Campanha da Fraternidade é um dos projetos sociais mais antigos e capilarizados da Igreja Católica no Brasil. Sua primeira edição ocorreu em 1961, inicialmente de forma localizada. A partir de 1962, passou a ser realizada durante a quaresma — período que vai do Carnaval à Páscoa — e, em 1964, ganhou alcance nacional, em um formato semelhante ao atual.

 

Hino Oficial da Campanha da Fraternidade

Abertura oficial em Brasília 

A abertura nacional será realizada na sede da CNBB, no Auditório Dom Helder Câmara, reunindo representantes de pastorais sociais, movimentos populares, organismos e parceiros da Igreja. O momento marca o início das mobilizações da Campanha em todo o país e apresenta oficialmente os objetivos, subsídios e propostas pastorais da edição de 2026. 

A cerimônia contará com a participação do secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoerpers, e do secretário-executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, e contará com apresentação do tema e do lema, além do convite à participação das comunidades durante o tempo da Quaresma e divulgação de vídeos. 

A experiência da comunidade católica de Trindade em Salvador (BA) de conquista da moradia digna para pessoas em situação de rua será apresentada durante a cerimônia. O trabalho é desenvolvido pelo irmão Henrique Peregrino e demonstra a ação da Igreja na promoção do acesso à moradia digna. 

A CF 2026 chama atenção para dados alarmantes da realidade habitacional brasileira: 6,2 milhões de famílias não têm moradia adequada e cerca de 328 mil pessoas vivem em situação de rua. Para a Campanha, a casa é a porta de entrada para todos os demais direitos. Sem moradia, faltam segurança, saúde, educação e dignidade. Inspirada na Encarnação de Cristo – “Ele veio morar entre nós” -, a proposta convida à conversão pessoal e social. 

Lançamento celebrativo em Aparecida 

Como continuidade do lançamento nacional, a programação segue no Santuário Nacional de Aparecida (SP), fortalecendo o caráter espiritual e celebrativo da Campanha. 

No dia 21 de fevereiro, às 19h30, será realizada a bênção de instalação do monumento “Cristo Sem Teto”, obra do artista canadense Timothy Schmalz, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.  A escultura, que retrata Jesus identificado com as pessoas em situação de rua, simboliza o apelo da Campanha à solidariedade e ao compromisso concreto com os mais vulneráveis. A celebração será conduzida pelo presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler; pelo arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, pelo padre Jean Poul, secretário-executivo de Campanhas da CNBB e pelo padre Leandro Megeto, subsecretário-geral da CNBB.  

Já no dia 22 de fevereiro, às 8h, o cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB, presidirá a missa de abertura da CF 2026, reunindo romeiros, agentes pastorais e fiéis de diversas regiões do país. As celebrações em Aparecida serão transmitidas pela TV Aparecida com exibição em outras emissoras católicas, ampliando o alcance da mobilização. 

 

Deixe uma resposta