Oportunismo ou amnésia? Moro sela aliança com PL e dá palanque a Flávio Bolsonaro
O senador Sergio Moro oficializou, nesta terça-feira (24), sua filiação ao Partido Liberal (PL). O ex-juiz da Lava Jato, que construiu sua imagem pública sobre o pilar da intolerância contra a corrupção e o “velho sistema”, utiliza agora do partido de Valdemar Costa Neto para viabilizar sua candidatura ao Governo do Paraná.
A filiação de Moro sela uma paz contraditória com a família Bolsonaro ao garantir apoio total à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República. Ao dividir palanque com Flávio e Valdemar, Moro trás à tona um passado recente de ataques mútuos e acusações graves.
Para o eleitorado que acompanhou a ascensão e a queda de Moro no Governo Federal, a nova aliança pode soar como uma amnésia conveniente em nome da sobrevivência política.
Rompimento com os Bolsonaro
Em 2020, Moro pediu demissão do Ministério da Justiça e acusou o então presidente, Jair Bolsonaro, de tentar interferir na Polícia Federal para blindar familiares e aliados de investigações. É claro que houve resposta.
Em entrevista para a revista Veja, Flávio Bolsonaro chamou Moro de mentiroso e traidor, afirmando que se o ex-ministro “tivesse caráter, sequer aceitaria entrar para o governo”. Flávio também afirmou que Moro teria um perfil dissimulado e terminou dizendo, “hoje tenho grande desprezo por ele. Ele faz qualquer coisa para atingir seu objetivo de poder”. Em 2021, Moro ironizou as suspeitas de rachadinhas que cercavam Flávio, afirmando que era necessário “dar um basta” em tais práticas.
Moro contra Neto
Outra contradição reside na relação de Moro com Valdemar Costa Neto. O presidente do PL, condenado e preso no esquema do Mensalão, foi alvo frequente das críticas do senador. Em 2022, Moro chegou a afirmar que “quem manda no governo Bolsonaro é o Valdemar Costa Neto”.
Valdemar não deixou barato e durante a inauguração do Diretório Municipal do PL em 2023, declarou que Moro e Deltan Dallagnol (que integra a nova chapa no Paraná) “pagariam caro” por terem “ultrapassado os limites da lei” na condução da Lava Jato. Além disso, o PL chegou a mover ações no TSE pedindo a cassação de Moro por supostas irregularidades cometidas pela campanha do senador.
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