Opinião: A greve no Paraná na visão de professores e do Governo

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“Nada é impossível de mudar. Desconfiai do mais trivial e na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual”. (Bertold Brecht)

Desde que professores entraram em greve no mês de fevereiro, depois em abril, o Paraná se transformou em um verdadeiro “campo de batalha”. Muitas vezes esta batalha deixou de seguir a sua “essência” e aderiu a uma disputa ideológica, muitas vezes, partidárias.

A verdade é o que fato de ninguém querer “afrouxar a tanga”, levou a greve mais longe, do que se pensava. De um lado, o governador Beto Richa esteve irredutível em suas propostas. De outro, uma categoria que não aceitava nada menos que o justo: a reposição da inflação.

Para o governador Beto Richa, a greve se resume em um grande confronto político de tucanos e petistas. Nesta semana, no Palácio do Iguaçu, Richa fez alguns anúncios de investimentos na área da Saúde, mas não perdeu a oportunidade de dar a sua opinião sobre a greve: “O que estamos vivenciando no Paraná é uma guerra do PT, contra nós que somos do PSDB. Não existe um real motivo para essa greve, que foi considerada abusiva pela Justiça”, afirmou o governador.

Richa também disse que as propostas feitas pelo governo são irrecusáveis. “Nós ofertamos, aquilo que podemos dar. Se eu me comprometer com mais do que aquilo que ofertamos, correremos o risco de não ter recursos para outros investimentos, inclusive, para a área da Educação, assim como, saúde e pavimentação. É uma vergonha deixar o Paraná “à mercê” de um partido político, que ainda vive o clima de eleição, na qual, não teve êxito. O que eles querem é desviar o foco dos escândalos nacionais, que envolvem o PT” concluiu Richa.

Por outro lado, representantes da APP-Sindicato rebateram o posicionamento do governador Beto Richa, dizendo que a greve acontece por diversas situações enfrentadas nas escolas públicas do Paraná, em especial, a insistência do governo em não repassar a categoria, os valores referentes à reposição da inflação, que somam 8,17%. “É um absurdo o governador tratar de um tema tão sério, como uma disputa política. Isso não é verdade. Estamos lutando por algo que é nosso direito e que não representa aumento salarial, apenas a reposição da inflação”, disse a secretária de Finanças da APP-Sindicato, Marlei Fernandes.

É preciso relembrar que tudo começou com o famoso ‘tratoraço’ do governo do Estado, que usando de meios chamados de “autoritários” e “ditadores”, aprovou um projeto que prevê mudanças significativas no fundo da previdência do Estado. E com que direito o Governo do Paraná passa por cima de direitos, adquiridos pelos servidores?

Todas estas situações colocaram o Paraná em destaque nas mídias locais, estaduais e nacionais. Muitos jornais atribuíram o título de “Tirano”, ao governador Beto Richa. Como não lembrar o fatídico “Dia 29 de abril”, em que professores foram massacrados pelos policiais, que a mando do governo, usaram de violência para impedir a entrada dos professores na Assembleia Legislativa do Paraná, que deveria estar aberta ao povo!

Nesta terça-feira (09), está prevista uma assembleia dos professores, liderada pela APP-Sindicato, que poderá colocar fim a greve. Durante o encontro será votada a proposta do governo de reajuste de 3,45%, concedidos no mês de outubro deste ano, em parcela única. Outros 8,05 serão pagos em janeiro de 2016, com a antecipação da data-base de maio para janeiro.

O governo também se comprometeu em pagar a diferença de janeiro a abril, em maio de 2016. Governistas consideram que a proposta é para três anos, já que em maio de 2017, haverá uma reposição de inflação, com ganho de 1% ao ano, conforme o que foi proposto pelo governo.

Mas fica a seguinte questão: se era pra aceitar uma proposta que não repõe a inflação ainda neste ano, por que a greve durou tanto tempo? Vale destacar, que no caso das universidades não houve sinalização de apoio a esta proposta. O Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual de Ponta Grossa, por exemplo, lançou uma nota em que demostra ser contrário ao que foi ofertado pelo governo. Ou seja, a aprovação da APP-Sindicato, não significa que as universidades também vão acatar a proposta do governo.

É possível dizer que com um pouco mais de diálogo, com divergências políticas colocadas de lado, a situação já estaria resolvida. Não estamos aqui questionando a greve, que é um direito legal e adquirido pelos trabalhadores, tão pouco, a atitude do governo em encarar a questão com uma guerra política. Estamos indagando os prejuízos que essa falta de sensibilidade gerou a alunos, professores, governo e toda população. O Paraná precisa de bom senso, de mais sensibilidade e de um olhar menos voltado aos partidos políticos e mais focado a população.

Como disse o dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX, Bertolt Brecht:“ E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

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