Massacre contra os professores do PR completa um ano e segue impune

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“Vamos celebrar a estupidez humana. Vamos celebrar a aberração de toda a nossa falta de bom senso. Vamos celebrar o nosso descaso por educação. Vamos celebrar o horror de tudo isto.” (‘Perfeição’ – Legião Urbana) (foto: Brunno Covello/Gazeta do Povo)

Após um ano, professores relembram nesta sexta-feira (29), o triste episódio que ocorreu no Centro Cívico, em Curitiba, quando educadores e demais servidores públicos foram vítimas de ações truculentas da Polícia Militar, por ordem do governo do estado, que tem como chefe o governador Beto Richa (PSDB). Vale destacar que a PM cumpre ordens do governo do Paraná.

Na ocasião, professores, estudantes, agentes penitenciários e integrantes de movimentos sociais lutavam por direitos já adquiridos e foram atacados com balas de borracha, bombas, cassetetes e spray de pimenta.  Cerca de 200 pessoas ficaram feridas.

No dia 29 de abril de 2015, com um verdadeiro “tratoraço” e apoio de 31 dos 54 deputados estaduais, Richa conseguiu aprovar na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o projeto de lei, que mudou a fonte de pagamento de mais de 30 mil beneficiários para o Fundo Previdenciário. Dessa forma, a conta dessas aposentadorias passou a ser dividida com os próprios servidores, já que o fundo é composto por recursos do Executivo e do funcionalismo.

Servidores disseram que a mudança comprometeria a saúde financeira da ParanaPrevidência. Segundo eles, com o tempo, a instituição terá mais a pagar do que a receber. Mas para aprovar o projeto, o governo alegou que a medida representaria uma economia de R$ 125 milhões mensais.

Enquanto os deputados votavam o projeto do governo, o massacre contra os professores acontecia em frente da Alep. Deputados contrários ao projeto e às ações de Beto Richa pediram o encerramento da sessão, mas não tiveram o êxito. O presidente da Alep, Ademar Traiano (PSDB), alegou que “o que estava acontecendo do lado de fora da Assembleia Legislativa não seria responsabilidade dos deputados”. Sem piedade, Traiano prosseguiu a votação, atingindo o objetivo do governo.

Além de argumentos que não convenceram os funcionários públicos, a violência do governo em cima dos educadores, ficou marcada na história do Paraná. Esta é a segunda vez que um governador do Paraná reage de forma violenta às mobilizações legítimas. No dia 30 de agosto de 1988, no governo de Álvaro Dias, ex-PSDB e agora senador pelo PV, policiais militares avançaram com cavalos, cães e bombas de efeito moral contra uma multidão de docentes que protestava por melhores salários e condições de trabalho na Praça Nossa Senhora de Salette, em Curitiba. A repressão deixou dez pessoas feridas e resultou na prisão de cinco manifestantes.

E no governo de Beto Richa (PSDB), mesmo depois de um ano do massacre do dia 29 de abril, os professores demonstram que as marcas dos atos de violência jamais serão esquecidas, principalmente por aqueles que sentiram na pele.

Até hoje ninguém foi responsabilizado pelo massacre. Beto Richa e os oficiais da PM chegaram a virar alvo de uma ação na esfera criminal, por meio da Procuradoria-Geral da República, devido à omissão e por não conter a ação dos policiais. Eles também foram citados em uma ação de improbidade administrativa. Mas na prática nada aconteceu.

A Promotoria disse que “a conduta dos policiais foi exitosa para conter os ânimos da massa intransigente”. Com isso, A Promotoria aceitou o pedido da Justiça Militar e arquivou o inquérito. O Ministério Público informou que a ação cível que envolve Beto Richa e os comandantes da PM está em andamento.  Outro que segue impune é o ex-secretário de Segurança Pública do Paraná, deputado federal Fernando Francischini (SD).

O governo do Paraná afirmou, em nota, que a “PM fez investigação ampla com inúmeras provas em sentido contrário e que não houve excesso”. Para o professor do departamento de Educação, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Érico Ribas Machado, que foi vítima da violência, no Centro Cívico, estes fatos jamais devem ser esquecidos. “O que mais entristece é impunidade e, por isso, nós vamos continuar a nossa luta”.

Cabe aqui mais um trecho da música ‘Perfeição’, do brilhante Renato Russo, da banda Legião Urbana. “Vamos celebrar o horror de tudo isso, com festa, velório e caixão. Está tudo morto e enterrado agora. Vamos celebrar a estupidez do povo, nossa polícia e televisão. Vamos celebrar nosso governo e nosso estado que não é nação”.

Relembre quais deputados apoiaram Beto Richa:

– Alexandre Curi (PSB)
– Alexandre Guimarães (PSC)
– André Bueno (PDT)
– Artagão Jr. (PSB)
– Bernardo Ribas Carli (PSDB)
– Claudia Pereira (PSC)
– Cobra Repórter (PSC)
– Cristina Silvestri (PPS)
– Dr. Batista (PMN)
– Elio Rusch (DEM)
– Evandro Jr. (PSDB)
– Felipe Francischini (SD)
– Fernando Scanavaca (PDT)
– Francisco Bührer (PSDB)
– Guto Silva (PSC)
– Hussein Bakri (PSC)
– Jonas Guimarães (PMDB)
– Luiz Carlos Martins (PSD)
– Luiz Claudio Romanelli (PSB)
– Marcio Nunes (PSC)
– Maria Victoria (PP)
– Mauro Moraes (PSDB)
– Missionário Ricardo Arruda (PSC)
– Nelson Justus (DEM)
– Paulo Litro (PSDB)
– Pedro Lupion (DEM)
– Plauto Miró (DEM)
– Schiavinato (PP)
– Tiago Amaral (PSB)
– Tião Medeiros (PTB)
– Wilmar Reichembach (PSC)

 

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