Deputados querem derrubar senador Requião

Plenário do Senado
Deputados que tiveram uma “mãozinha” do próprio Requião, para se elegerem, estão articulando uma jogada para tirar o diretório estadual do senador. (foto: Pedro França/Agência Senado).

Parece que a traição e a ingratidão, marcas registradas da política, assombram o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), mais uma vez. E a “puxada de tapete” envolve a maior expressão do partido no Paraná, o senador e presidente do diretório estadual Roberto Requião.

Deputados que tiveram uma “mãozinha” do próprio Requião, para se elegerem, estão articulando uma jogada para tirar o diretório estadual do senador.

Pelo jeito do “velho MDB de guerra”, como sempre se refere Requião, muito pouco restou. Ou ficaram apenas as guerras internas pelo poder e não a luta pelo povo, tanto defendida pelo senador.

Entre os deputados que querem a cabeça de Requião estão Ademir Bier, Anibelli Neto e Nereu Moura, entre outros. Mas além dos estaduais, a manobra conta com o apoio de deputados federais e ex-deputados.

E as articulações também envolvem as eleições para o governo do estado, em 2018. Até o momento, circula entre os peemedebistas, que o senador teria interesse em apoiar a candidatura de Osmar Dias (PDT). Porém, uma possível proximidade entre Osmar e o governador Beto Richa (PSDB), também é cotada e, neste caso, Requião não aceitaria. O senador é muito categórico quando diz “que jamais fará qualquer tipo de aliança com Richa” ou  “o piá de prédio”, como diz o senador.

O que ocorre é que pelas costas de Requião, alguns deputados do PMDB estão fazendo reuniões com o grupo de Beto Richa e podem caminhar junto com o nome escolhido por Richa para a disputa de 2018, independente da participação de Roberto Requião. Richa vai concorrer ao Senado, mas quer continuar marcando território no governo do Paraná.

Se isso acontecer, não será nenhuma novidade, pois estamos falando do PMDB. Em 2014, Requião concorreu ao governo do estado e os deputados da legenda Luiz Claudio Romanelli, (líder do governo de Richa, na Assembleia Legislativa), Alexandre Curi, Jonas Guimarães, Artagão Junior, apoiaram o candidato da outra chapa, Beto Richa.

Depois das eleições, Requião passou a pressionar estes deputados, alegando que eles cometeram infidelidade partidária, situação que culminou na saída destes deputados do partido. Hoje, por mais incrível que isso possa parecer, os ex-peemedebistas integram o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Mas isso não tem importância, pois a tal da ideologia partidária já não é levada em conta há muito tempo.

Além disso, alguns peemedebistas estariam insatisfeitos com os posicionamentos adotados pelo senador Requião, sobre o governo do presidente Michel Temer. Requião foi contrário ao impeachment de Dilma Rousseff e tem se posicionado contra várias propostas de Temer, como a PEC 241, que no Senador virou PEC 55.  E para o povo o nome correto é “PEC 171”. Segundo o senador esta é a “PEC da Morte” e vai limitar gastos em educação e saúde.

Deputados que querem a cabeça de Requião, que tanto os ajudou, alegam que ele teria usado exclusivamente os recursos do fundo partidário na campanha de seu filho, o deputado estadual Requião Filho, na disputa da prefeitura de Curitiba. E dizem que estão “travados” no governo, pela dificuldade de liberação de recursos.

Tudo indica que o senador Roberto Requião terá que suportar a ingratidão daqueles que o afagaram e o bajularam. Vale destacar aqui, um trecho do poema Versus Íntimos, de Augusto dos Anjos, “a mão que afaga é a mesma que apedreja”.

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