Confusão na Alep: aos gritos de “Richa caloteiro”, servidores cobram pagamento da data-base e progressões


Novamente a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) foi palco de protestos dos servidores públicos contra o governador Beto Richa (PSDB). A confusão aconteceu na manhã desta quarta-feira (31), durante a prestação de contas do secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, o ‘Maurinho Malvadeza’, como é chamado pela oposição. (veja o vídeo no final da matéria)
Os servidores públicos fizeram cobranças em relação a data-base que não foi paga pelo governador Beto Richa. A data-base nada mais é do que a reposição da inflação, prevista em lei e não se trata de reajuste. Além disso, servidores exigiram o pagamento das progressões que também estão em atraso. Os funcionários gritaram palavras de ordem como “data-base é lei”, “pague a data-base já” e “Beto Richa caloteiro”.
Com a tradicional arbitrariedade somada a uma dose elevada de malandragem, o presidente da Alep, Ademar Traiano (PSDB), aproveitou o protesto e logo após a apresentação de Mauro Ricardo, encerrou a sessão, evitando que o secretário tivesse que responder aos tantos questionamentos da oposição, sobre os números que o governo tem mostrado.
“Vou ser bem claro. Gostaria que a fala do secretário fosse respeitada. Se houver manifestação e pertubação durante a fala do secretário, vou encerrar a sessão”, gritou Traiano, já no início dos “trabalhos”. Mas encerrou a sessão somente no momento em que o espaço seria aberto para perguntas. Neste sentido fica um questionamento: isso é uma apresentação de contas ou uma manipulação de contas?
O Blog da Mareli Martins conversou com o deputado da oposição, Requião Filho (PMDB), que afirmou que esta foi uma estratégia do governo de Richa para fugir das explicações. “Aproveitando a presença dos manifestantes na Alep, o Mauro Ricardo fugiu das perguntas. A sessão foi suspensa antes que ele tivesse que responder por que previu um determinado gasto e acabou gastando menos da metade disso com investimentos. Ele também teria que explicar por que o governo não pagou a data-base e as progressões dos funcionários. Juntaram a fome com a vontade de comer”, declarou Requião Filho.
Para o deputado, Mauro Ricardo fugiu dos manifestantes e dos questionamentos. “Suas mentiras e números maquiados novamente seriam expostos. O grito dos manifestantes nas galerias colocou pra correr o pessoal do governo”, disse.
O Blog da Mareli Martins também ouviu o líder do governo de Richa na Alep, deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB). Segundo ele, o comportamento dos servidores que estavam na Alep culminou no encerramento da sessão. “A audiência transcorria de forma normal, mas as galerias da Alep estavam tomadas por servidores públicos, que literalmente não deixavam o Mauro Ricardo Costa expor sua apresentação. O presidente da Assembleia pediu silêncio e isso não aconteceu. Com isso, o presidente suspendeu a sessão por alguns minutos e pediu o comportamento das pessoas que estavam ali, mas isso não foi possível”, afirmou o líder do governo.
Romanelli disse que houve intolerância por parte dos manifestantes.”Infelizmente estamos em uma época de intolerância. Ninguém queria ouvir nada, o comportamento foi de torcida organizada, obviamente os servidores protestando pela data-base e audiência não teve como ter continuidade”, declarou.
Questionado se a “prestação de contas” teve validade mesmo sem a abertura de perguntas ao secretário Mauro Ricardo, Romanelli disse que a prestação de contas foi concluída. “Sim. Tudo foi resolvido”, afirmou.
Veja o vídeo do protesto de hoje na Alep (vídeo enviado ao Blog da Mareli Martins)