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Operação Quadro Negro: delator diz que deputados Plauto, Traiano e Tiago Amaral receberam propina

Operação Quadro Negro: delator diz que deputados Plauto, Traiano e Tiago Amaral receberam propina
  • Publishedsetembro 2, 2017
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Dono da Valor, Eduardo Lopes de Souza, detalhou esquema de repasse de propina para deputados estaduais, Plauto Miró, Ademar Traiano e Tiago Amaral.

O dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, afirmou aos procuradores do Ministério Público Federal (MPF) que aliados do governador Beto Richa (PSDB) também receberam recursos desviados das obras das escolas do estado. A delação do dono Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, divulgada nesta sexta-feira (1º) pela RPC Curitiba.

Souza citou o primeiro secretário da Alep, Plauto Miró (DEM), o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Ademar Traiano (PSDB) e Tiago Amaral (PSB), que é filho do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), Durval Amaral. Durval também aparece na delação.

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Plauto Miró teria recebido duas parcelas de R$ 300 mil, segundo o delator

Segundo Eduardo Lopes disse que em 2014, o então diretor da Secretaria de Educação (Seed) Maurício Fanini, pediu para ele conversar com o deputado Plauto Miró (DEM), primeiro secretário da Assembleia.

O delator declarou que durante esse encontro disse ao deputado Plauto que estava com aditivos no valor de R$ 10 milhões. E disse que perguntou quanto Plauto iria cobrar para conseguir o recurso para a Alep. Segundo Eduardo, Plauto respondeu que seria 10%.
No fim de 2014, Beto Richa assinou decretos que autorizaram o pagamento dos aditivos à Construtora Valor de quase R$ 6 milhões.

Depois que os valores foram liberados, em 23 de dezembro de 2014, ele sacou R$ 550 mil e entregou R$ 500 mil para Maurício Fanini dentro de caixas de vinho.

No dia seguinte, Eduardo afirmou que pagou a primeira parcela exigida por Plauto Miró, no valor de R$ 300 mil. O pagamento, segundo Eduardo, foi feito dentro da Alep. A outra parcela, também de R$ 300 mil, só foi paga em janeiro de 2015. Conforme o depoimento de Eduardo, o ponto de encontro foi em uma panificadora do bairro Batel, em Curitiba.

O que diz o deputado Plauto

A assessoria do deputado Plauto Miró informou que ele não irá falar sobre o caso, mas encaminhou uma nota em que o deputado nega envolvimento nas fraudes apuradas pela Operação Quadro Negro.

“O Deputado Plauto Miró nega qualquer envolvimento com os fatos, objetos da delação. Ele aguarda com serenidade a apuração destes fatos”, diz a nota.

 

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Traiano recebeu R$ 100 mil, de acordo com o delator

Eduardo Lopes de Souza, afirmou que o então diretor da Secretaria de Educação (Seed) Maurício Fanini participou de uma reunião na casa do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), 45 dias antes da eleição de 2014, para discutir caixa dois.

O delator afirmou que Fanini contou que na reunião ficou acertado que ele também deveria ajudar na campanha do deputado Ademar Traiano à reeleição. Eduardo delatou que não estava no encontro, mas, ainda assim, se comprometeu a dar R$ 100 mil para o caixa dois. Ele levou o dinheiro em uma mala no gabinete da liderança do governo na Alep.

Ainda conforme as informações de Eduardo, ao abrir a mala e ver que tinha mais dinheiro, Traiano perguntou: “Não pode me dar mais?”

Eduardo, por sua vez, respondeu que aquele dinheiro já estava comprometido para a campanha do governador. Ele disse ainda que fez outras entregas no valor de R$ 100 mil para Traiano, entre dezembro de 2014 e abril de 2015. Duas delas foram dentro da Alep e uma na casa do deputado.

Palavra do deputado  Traiano

Ademar Traiano negou as acusações e as classificou como infundadas e sem provas. Ele disse ainda que não tem conhecimento da delação.

 

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Deputado Tiago Amaral recebeu R$ 50 mil, segundo o delator

O dono da Construtora Valor Eduardo Lopes de Souza disse que Fanini sugeriu que seria bom ter alguém do Tribunal de Contas do Paraná “com eles”.

Eduardo afirmou que deu a ideia de procurar o conselheiro Durval Amaral e sugeriu oferecer ajuda financeira para a campanha do filho de Durval Tiago Amaral (PSB), então candidato ao cargo de deputado estadual.

Eduardo afirmou que combinou com uma pessoa ligada a Durval um pagamento de R$ 50 mil para o caixa dois da campanha do filho dele. O pagamento, declarou o delator, foi feito a uma assessora no comitê de Tiago Amaral.

Conforme o delator, a assessora levou o dinheiro para uma outra sala e, em seguida, retornou com Durval Amaral, que agradeceu e disse que estava à disposição para o que precisasse. Tiago também agradeceu pelo dinheiro, segundo Eduardo.
Durval Amaral, pai de Tiago, atualmente é o presidente do Tribunal de Contas do Estado.

Palavra do deputado Tiago Amaral

A assessoria de Tiago Amaral afirmou que ele não teve acesso ao processo e que está à disposição da Justiça.

Durval Amaral

Durval Amaral disse que não conhece o delator e que a citação do nome dele pode ter sido uma represália por ter determinado a suspensão de pagamentos e contratos da Construtora Valor, bem como ter encaminhado o caso às autoridades.

Outras defesas:
SEED
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação (SEED) informou que foi a primeira a investigar os indícios de disparidades em medições de obras de escolas. Foi aberta auditoria interna em 2015 para apuração da situação e os dados foram encaminhados à Polícia Civil, Ministério Público e Tribunal de Contas, para que cada órgão tomasse as providências cabíveis. A SEED também reforçou seus departamentos de controle interno e de auditoria após o episódio.

Fanini
A defesa de Maurício Fanini não quis se manifestar.

Eduardo Lopes
A defesa de Eduardo Lopes de Souza afirmou que, por conta do sigilo, não pode se manifestar.

(Com informações da RPC TV e G1)

 

 

 

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