Vereador Ezequiel é alvo de protestos: Movimento LGBT pede respeito e dignidade

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“Nós exigimos respeito e uma nota da Câmara Municipal de Ponta Grossa, contra os ataques de LGBTfobia”, dizem manifestantes. (foto: CMPG)

Representantes dos movimentos de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais (LGBT) lotaram a Câmara dos Vereadores de Ponta Grossa nesta quarta-feira (18) em protesto às declarações do vereador Ezequiel Bueno (PRB), feitas na última segunda-feira (16). Na ocasião, o vereador que também é pastor fez críticas  sobre a vinda do cantor Pabllo Vittar para abertura da 28ª Münchenfest, que será no dia 05 de dezembro. Pabllo Vittar se apresenta como Drag Queen e esse é o principal motivo das críticas do pastor. Segundo Ezequiel Bueno, Ponta Grossa é “uma cidade conservadora formada por famílias, pais e trabalhadores e não poderia receber esse tipo de show”.

O vice-presidente do Grupo Universitário de Diversidade Sexual e Identidades de Gênero da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Gudi-UEPG), Guilherme Portela fez a leitura de uma nota em repúdio à intolerância. (leia a nota completa no final do texto)

“A cidade onde todos são conservadores, pais e trabalhadores não existe no mundo real. Isso é a fantasia da alienação. Não podemos generalizar nossos enunciados, nossas mães, pais e familiares lutam conosco pela sobrevivência e emancipação de nossos próximos, nossas escolas constroem um trabalho árduo para conquistar o respeito e democracia em nossa cidade. Por isso, não somos uma cidade universalmente conservadora e violenta. As minorias nessa cidade existem e resistem, jamais deixaremos de lutar pelo bem estar e pelas políticas públicas municipais dos interesses de qualquer minoria social e política”, disse.

Segundo Guilherme Portela, o objetivo da manifestação foi exigir respeito e dignidade para a comunidade LGBT. “Nós exigimos respeito e uma nota da Câmara Municipal de Ponta Grossa, contra os ataques de LGBTfobia e discriminação contra artistas que não manifestam-se com padrões heteronormativos. Assim, isso é um aviso de uma multidão que parecia não existir, e a partir de hoje em diante não voltarão para nenhum fogão, armário ou senzala. Não estamos pedindo sobreposições de poder, estamos pedindo o básico direito ao respeito e dignidade, direito a humanidade”, declarou.

O vereador Ezequiel Bueno usou novamente a tribuna da Câmara de Ponta Grossa e afirmou que não teve a intenção de ofender ninguém. “Em razão da repercussão do discurso da última segunda-feira quero dizer que em nenhum momento em quis ofender qualquer pessoa e no meu entendimento não ofendi ninguém. Apenas defendi o plano municipal da educação que foi ampla discussão a cerca da exclusão da determinação ideologia de gênero. Defendi a exclusão, na época, por acreditar que a educação sexual das crianças é de responsabilidade dos pais. Se houve abusos me retrato sem problema algum, sou bastante humilde pra isso”, disse o vereador. (leia nota do vereador ao final do texto)

Ezequiel Bueno também destacou que não quis ofender o cantor Pabllo Vittar. “ E chegou a noticia de que o mesmo cantor aliado ao deputado Jean Willians fariam turnês em escolas falando sobre diversidade sexual. Fake, mentira ou não, o meu posicionamento sempre será em defender o maior patrimônio que são as crianças e a família”.

NOTA DE REPÚDIO À VIOLÊNCIA E À INTOLERÂNCIA DAS FORÇAS CONSERVADORAS LEGISLATIVAS PONTA-GROSSENSES

Nas ultimas semanas, após o lançamento da grade de artistas que comparecerão à 28ªMunchen Fest, reconhecemos os discursos conservadores e violentos sobre a vinda da(o) cantora(or) Pabllo Vittar. Sua confirmação trouxe enunciados vazios e machistas de toda uma sociedade historicamente construída, limitada e perpetuada.

Nossa fala não é unicamente às inconvenientes falas dos nossos atuais representantes, é por toda uma vida de silenciamento, agressão e hipocrisia que vivenciamos em nossa cidade. E é por acreditar no melhor de nossa região e por construir espaços democráticos, como deveria ser este, que nós deixamos bem escurecido, como diria segmentos do movimento de negros e negras, ou bem estabelecido que não iremos mais nos calar!

E, ocupar espaços com nossa presença não significa confrontar igualmente com violência, com essa irresponsabilidade nós não compactuamos. É expressar legitimamente que nós existimos e resistimos nessas Avenidas, que colaboramos para construção com nosso suor, mas que ecoa machismo e amordaça ás vozes das Corinas.

A responsabilidade com a transparência financeira e o senso musical da maioria ponta-grossense, torna-se extremamente relevante para o desenvolvimento econômico, social e político de nossa cidade. Entretanto, quando os tesouros municipais são destacados com veemência e projetos para Igrejas utilizarem espaços públicos como a Arena são disponibilizados, nossa argumentação não passa de oportunismo e imaturidade.

Quem pode lamentar insatisfações é quem está inserido em contextos menosprezados, por todas as identidades que afirmamos, de gênero, raça, etnia, sexualidade, classe social, etc.

Não “lamentamos por quem trouxe esta pessoa para uma cidade de família”, uma artista Drag Queen, homossexual, nordestino, participante do Rock in Rio 2017, dona de um perfil na renomada revista internacional Billboard, que superou marcas mundiais de reconhecimento da arte Drag, lamentamos rigorosamente pela exposição midiática agressiva que à ela foi dedicada. Isso não se trata de investimento público, trata-se de uma fobia social, a lgbtfobia.

Afinal, se dinheiro público fosse o norte deste ocorrido, matematicamente entenderia-se que o sucesso de determinada artista traz consigo riquezas para a economia dos Campos Gerais.

A cidade onde “todos são conservadores, pais e trabalhadores” não existe no mundo real. Isso é a fantasia da alienação. Não podemos generalizar nossos enunciados, nossas mães, pais e familiares lutam conosco pela sobrevivência e emancipação de nossos próximos, nossas escolas constroem um trabalho árduo para conquistar o respeito e democracia em nossa cidade.

Por isso, não somos uma cidade universalmente conservadora e violenta. As minorias nessa cidade existem e resistem, jamais deixaremos de lutar pelo bem estar e pelas políticas públicas municipais dos interesses de qualquer minoria social e política.

Nós exigimos respeito e uma nota da Câmara Municipal de Ponta Grossa, contra os ataques de LGBTfobia e discriminação contra artistas que não manifestam-se com padrões heteronormativos.

Entender e ocupar espaços como cadeiras governamentais, é entender que não fazemos políticas somente a homens, heteros e brancos. O debate de recortes sociais deve estar perpassado por todos os estudos, inclusive o econômico da nossa região. Por isso, legitimem esses espaços que ocupam para transformar nossa cidade em uma cidade literalmente de Ponta, livre de qualquer violência ou opressão. Pois quando essa é reproduzida por nossos representantes, a repulsa e desinteresse pela política é inevitável.

Assim, isso é um aviso de uma multidão que parecia não existir, e a partir de hoje em diante não voltarão para nenhum fogão, armário ou senzala.
Não estamos pedindo sobreposições de poder, estamos pedindo o básico direito ao respeito e dignidade, direito a humanidade!

Não podemos terminar nossa manifestação se não for com uma única e estimada mensagem:

“Sempre fui guerreira, mas foi de primeira
Me vi indefesa, coração… coração não perdeu a luta não!
E vou dizendo:
Tudo vai ficar bem
E as minhas lágrimas vão secar
Tudo vai ficar bem
E essas feridas vão se curar”
-Pabllo Vittar

A luta continua!

NOTA DE ESCLARECIMENTO DO VEREADOR EZEQUIEL BUENO

Em razão da grande repercussão do discurso realizado na Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Ponta Grossa do último dia 16, o Vereador Pastor Ezequiel Bueno vem por meio da presente nota, esclarecer que em nenhum momento teve a intenção de ofender a pessoa do cantor Pablo Vittar, mas tão somente defender o Plano Municipal de Educação da Cidade de Ponta Grossa (Lei Ordinária no 12213/2015) que, quando ainda projeto de lei, foi objeto de ampla discussão na Casa Legislativa acerca da inclusão ou não da ideologia de gênero e diversidade sexual no currículo escolar, restando, tais assuntos, ao final, excluído do PME.

À época, como é de reconhecimento público, o Vereador Pastor Ezequiel defendeu a respectiva exclusão, sob o argumento principal de que a educação sexual das crianças é de responsabilidade exclusiva dos pais.

Dessa forma, diante da notícia veiculada por diversos meios de comunicação de que referido cantor, ao lado do Deputado Federal Jean Wyllys, estariam fazendo uma turnê pelas escolas do Brasil ensinando diversidade sexual infantil, aliada a notícia de que o mesmo cantor estaria na cidade por ocasião da realização da 28a Munchen Fest, evidentemente trouxeram preocupação ao parlamentar que, como já relatado, fez uso da tribuna para defender o Plano Municipal de Educação da Cidade de Ponta Grossa aprovado.

Em relação à realização da 28a Munchen Fest, propriamente dita, e seus shows, esclarece-se também que em nenhum momento o parlamentar teve a intenção de ofender a pessoa do cantor Pablo Vittar ou de quem quer que seja, mas tão somente defender a terceirização da festa, que anos atrás foi objeto de CPI na Câmara Municipal de Ponta Grossa, da qual o Vereador Pastor Ezequiel Bueno, inclusive, foi presidente e que, resultou nos anos passados na respectiva terceirização do evento, trazendo economia ao cofre público municipal, medida que, notadamente, se mostra necessária também neste ano, haja vista, por exemplo, que o Município de Ponta Grossa recentemente parcelou dívidas como de luz.

Por fim, não obstante todos esses esclarecimentos, o parlamentar também serve-se da presente para retratar-se sobre eventuais excessos ocorridos na sua fala, registrando, mai uma vez, que em momento algum pretendeu ofender a quem quer que seja. O Vereador Pastor Ezequiel Bueno renova, por fim, seu compromisso em defender o que entende ser o maior patrimônio de todos: a família e as crianças.

(Gabinete Parlamentar Vereador Pastor Ezequiel Bueno)

Veja a declaração do pastor Ezequiel Bueno na última segunda-feira (16):

Link relacionado:

https://marelimartins.com.br/2017/10/16/vereador-ezequiel-afirma-que-ponta-grossa-e-conservadora-e-familia-e-nao-poderia-receber-o-cantor-pablo-vittar-na-munchen/.

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