Fachin autoriza inquérito para investigar repasses da J&F a políticos da cúpula do MDB

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Inquérito vai investigar se houve repasses de cerca de R$ 40 milhões da J&F a políticos do MDB durante a campanha eleitoral de 2014. (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)

O ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou abertura de um inquérito para investigar se houve repasses de cerca de R$ 40 milhões da J&F a políticos do MDB durante a campanha eleitoral de 2014. Segundo a procuradora-geral, Raquel Dodge, as suspeitas são baseadas nas delações premiadas de Sérgio Machado, ex-senador pelo MDB e ex-presidente da Transpetro, e de Ricardo Saud, ex-executivo da J&F.

Nos depoimentos, Sérgio Machado disse ter chegado ao conhecimento dele que a JBS, empresa do grupo J&F, faria doações à bancada do MDB do Senado em 2014 no valor de R$ 40 milhões, a pedido do PT.

Ainda de acordo com o delator seriam beneficiados com a doação os senadores do MDB, Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho (PA), Romero Jucá (RR), Eunício Oliveira (CE), Vital do Rêgo (PB), hoje ministro do Tribunal de Contas da União, Eduardo Braga (AM), Edison Lobão (MA), Valdir Raupp (RO) e Roberto Requião (PR), “dentre outros”.

Ricardo Saud, por sua vez, afirmou – segundo a PGR – que houve pagamento de aproximadamente R$ 46 milhões a senadores do MDB, a pedido do PT.

O que disseram os políticos do MDB quando se tornaram públicas as delações dos executivos da J&F:

Requião diz que notícia é “fake news”

O senador Roberto Requião (MDB-PR) afirmou que o Estadão e a Gazeta do Povo mentem e disseminam fake news sobre suposta a investigação do MDB do Paraná, que ele preside, sobre um suposto esquema de pagamentos milionários da JBS. O parlamentar divulgou um extrato do pedido de abertura de inquérito, solicitado pelo ministro Edson Fachin, do STF, que segundo ele desmente a notícia falsa.

Em nota, o MDB afirmou que “repudia mais uma tentativa de criminalização da política”. “Esperamos que a conclusão deste inquérito seja rápida e acreditamos que ao final a verdade será restabelecida”, defendeu a legenda em nota.

Eduardo Braga: A assessoria de Eduardo Braga disse que: “As contas de campanha foram aprovadas sem ressalvas pelo TRE do Amazonas. E as doações foram declaradas à Justiça”.

Henrique Eduardo Alves: A defesa de Henrique Eduardo Alves rechaça as acusações de Joesley [executivo do grupo] e reafirma que toda a doação de campanha foi declarada à Justiça.

Eunício Oliveira: “A narrativa dos delatores é falsa e caluniosa, o senador Eunício Oliveira nunca recebeu doações eleitorais do senhor Sérgio Machado, seu adversário político histórico, ou do Partido dos Trabalhadores, conforme é possível verificar na prestação de contas aprovada pela Justiça Eleitoral.”

Jader Barbalho: O senador Jader Barbalho afirmou que “jamais” pediu ou autorizou “qualquer partido ou pessoa a pedir dinheiro para decidir meu voto, e desafio esse marginal internacional, dono da JBS, a provar, de qualquer forma, que eu recebi algum dinheiro dele, por doação oficial ou não.”

Vital do Rego: O ministro do TCU Vital do Rêgo não se posicionou sobre a abertura de inquérito. No ano passado, quando a delação da J&F foi divulgada, ele afirmou que “em 2014, quando disputou o governo da Paraíba, recebeu doações legais do Grupo JBS. Elas estão na prestação de contas já analisada e aprovada pela Justiça.” E que “desconhece os fatos narrados pelo delator e está à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários.”

Renan Calheiros: Também em nota, o senador Renan Calheiros disse que a citação ao seu nome é “fantasiosa”. “Reafirmo que nunca tratei e nem presenciei qualquer conversa sobre distribuição de recursos ilícitos”.

 

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