Ex-secretário de Richa Valdir Rossoni virá réu na Quadro Negro por improbidade administrativa


O ex-chefe da Casa Civil do governo de Beto Richa (PSDB) e ex-deputado federal Valdir Rossoni (PSDB) virou réu na Operação Quadro Negro, que investiga o desvio de aproximadamente R$ 20 milhões de recursos da educação. A denúncia do Ministério Público do Paraná contra Rossoni é por improbidade administrativa.
Quando ainda era chefe da Casa Civil do Paraná, em entrevista à Rádio T e ao Blog da Mareli Martins, no dia 20 de março de 2017, Rossoni chegou a fazer um desafio: “tragam uma prova do meu envolvimento com a empresa Valor e eu renuncio meu mandato”, disse.
Rossoni só não poderá cumprir a promessa agora pelo fato de que não está mais no cargo, pois quando alguém vira réu em um processo já existem indícios suficientes de irregularidades.
A denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR) foi aceita pelo juiz Luis Mauro Lindenmeyer Eche, da Comarca de União da Vitória. De acordo com o MP, Rossoni foi o beneficiário de propina de sete licitações realizadas no município de Bituruna, na região sul do Paraná. Segundo a denúncia, o filho do ex-deputado era prefeito da cidade na época das licitações.
A denúncia aceita pela Justiça se baseia na delação do empresário Eduardo Lopes de Souza, proprietário da construtora Valor, responsável pelas obras.
Segundo o Ministério Público, Eduardo Lopes de Souza negociava propinas com um assessor especial de Rossoni quando o tucano era presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Em delação, o proprietário da construtora Valor afirmou que “alguns pagamentos eram utilizados para pagar despesas pessoais de Valdir Luiz Rossoni, como, por exemplo, o piloto do avião particular do então deputado. Afora isso, que vários pagamentos eram realizados na própria Assembleia Legislativa no gabinete dos assessores de Valdir Rossoni”.
De acordo com a denúncia, a construtora Valor não preenchia os requisitos técnicos necessários para vencer a licitação das obras e o leilão foi direcionado para a empresa.
A denúncia do MP afirma que a Valor pagou a Rossoni, por meio do assessor, mais de R$ 689 mil. O Ministério Público afirma também que a empresa não teve concorrentes em nenhuma das sete licitações, e ofereceu propostas com o valor máximo estabelecido em edital.
Defesa de Rossoni
O advogado de Valdir Rossoni, Cid Capelo, afirmou que não existem provas que o ex-deputado recebeu propina e que a denúncia foi aceita “exclusivamente de um delator que, além de ser criminoso, é mentiroso”.
Capelo afirmou que Rossoni não conhece Eduardo Lopez de Souza, e que o ex-deputado sempre “pautou a vida pública pela correção”.
A defesa de Valdir Rossoni informou que tem “a plena confiança e serenidade de que a decisão será revertida”.
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