“A extinção do Parque Nacional dos Campos Gerais representa um prejuízo incalculável para gerações futuras” diz geólogo Gilson Burigo

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“O decreto do parque foi criado pelo fato de os Campos Gerais não estavam sendo devidamente preservados”, disse o geólogo e professor da UEPG, Gilson Burigo Guimarães. (foto: Observatório de Justiça e Conservação)

Em entrevista à Rádio T e ao Blog da Mareli Martins, nesta segunda-feira (6), o geólogo e professor do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Gilson Burigo Guimarães, afirmou que a extinção do Parque Nacional dos Campos Gerais trará “um prejuízo incalculável para as gerações futuras”. O professor rebateu a versão da deputada Aline Sleutjes (PSL), que disse à Rádio T,  na última sexta-feira (3), que “área só existe porque os produtores preservaram”. (Ouça a entrevista completa ao final do texto)

“Ao longo das últimas décadas nós percebemos que as paisagens com campos e araucárias estão sendo dizimadas. Um levantamento feito no início dos anos 2000 demostrou que nós estávamos praticamente inviabilizando esse tipo de paisagem no Sul do Brasil. Sendo assim, foram identificadas algumas áreas onde ainda existiam estes remanescentes e foram criadas algumas unidades de conservação, como o Parque Nacional dos Campos Gerais”, destacou Gilson Burigo.

O geólogo reconheceu que o principal ponto para os proprietários é a indenização que ainda não ocorreu, mas ressaltou que o processo é complexo e que um grupo estaria dificultado a liberação de documento, com o objetivo de acabar com o decreto do Parque.

“Esse é um ponto fundamental na questão e nós concordamos que os proprietários sejam devidamente indenizados. Mas esse processo não é fácil, pois é necessário identificar quem são estes proprietários, a documentação precisa estar correta, os títulos precisam estar em ordem. Ao longo dos anos esse trabalho está sendo feito, mas tem um grupo de pessoas trabalhando contra o parque e que estão dificultando, ou seja, a documentação não foi fornecida de bom grado”, afirmou.

De acordo com o professor Gilson Burigo, o Parque Nacional dos Campos Gerais não pode ser abordado apenas do ponto de vista das famílias que possuem propriedades na área, pois o impacto é muito maior.

“O número de afetados é imensamente maior, todos os paranaenses estão sendo afetados por essa política de desmonte do meio ambiente. O prejuízo é incalculável. Se isso acontecer (se referindo à extinção do decreto do parque), vamos transmitir uma péssima imagem para as futuras gerações. Vamos deixar uma visão míope, curta e de pessoas que não souberam preservar e garantir a manutenção dos sistemas naturais”.

Ouça a entrevista completa:

 

 

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