Ex-governador do Paraná vira réu na Quadro Negro pela quarta vez


Pela quarta vez o ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), virou réu na operação Quadro Negro. Nesta operação são investigados os desvios de mais de R$ 20 milhões de recursos que deveriam ter sido utilizados na construção e reformas das escolas do estado, mas o dinheiro foi desviado para as campanhas políticas de Richa e de políticos ligados ao ex-governador.
A Justiça aceitou a denúncia contra Beto Richa pelos crimes obstrução de investigação, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Além do ex-governador, também viraram réus por lavagem de dinheiro a esposa, Fernanda Richa, um dos filhos, André Vieira Richa, e o contador da família, Dirceu Pupo.
Richa e os outros réus foram denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), pela compra de um conjunto de salas comerciais em um prédio localizado no Centro Cívico de Curitiba, em 2013. O negócio custou R$ 2,2 milhões, de acordo com o MP-PR.
De acordo com a denúncia, feita no dia 13 de novembro, parte do pagamento do conjunto de salas foi feita com dinheiro de propina de construtoras investigadas pela Operação Quadro Negro.
Os procuradores apontam que R$ 830 mil foram pagos pela família Richa em dinheiro. Na negociação, conforme a denúncia, um imóvel dado como parte do pagamento pelos réus foi superavaliado, para tentar esconder a origem ilícita do que foi pago em dinheiro.
Richa, Fernanda e Pupo foram denunciados pelo crime de obstrução de investigação porque, segundo o MP-PR, procuraram o corretor de imóveis que intermediou o negócio para tentar influenciá-lo a esconder a informação sobre o pagamento em dinheiro, caso fosse procurado por autoridades.
O que dizem os réus:
A defesa de Dirceu Pupo informou que só vai se manifestar após ser citada, considerando que ainda não teve acesso aos autos.
A defesa da família Richa informou que “recebe com perplexidade a notícia de que o ex-governador e seus familiares estão sendo processados novamente, pelo mesmíssimo fato já objeto de duas acusações anteriores”.
Ainda conforme a defesa, “o Ministério Público se contradiz, e agora acusa o ex-governador sem saber apontar a ilicitude dos recursos”. A defesa informou que segue depositando sua confiança na Justiça “para controlar a perseguição e o abuso contra a Família Richa”.
(Com informações de Letícia Paris e Diego Ribeiro, G1 PR e RPC Curitiba)