Procuradores criticam fala de Bolsonaro sobre fim da Lava Jato: “falta de comprometimento com o combate à corrupção”

Bolsonaro disse que “acabou com a Lava Jato por não existir mais corrupção no governo”. (Foto: Adriano Machado/ REUTERS)

Integrantes do Ministério Público Federal do Paraná da força-tarefa da Lava Jato repudiaram as palavras do presidente Jair Bolsonaro, que disse que “acabou com a Lava Jato por não existir mais corrupção”.

Segundo os procuradores, Bolsonaro “demonstrou desconhecimento e falta de comprometimento no combate à corrupção”.

Nos bastidores da Câmara Federal e do Senado existe o comentário de que a fala de Bolsonaro é uma estratégia para destruir a imagem do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, que pode ser um forte candidato à Presidência da República em 2022. Moro ficou conhecido nacionalmente em virtude da Operação Lava Jato, que resultou na condenação do ex-presidente Lula (PT).

Confira a íntegra da nota dos procuradores do Paraná:

Os membros do Ministério Público Federal integrantes da força-tarefa da Lava Jato no Paraná lamentam a fala do Presidente da República sobre ter ‘acabado’ com a operação Lava Jato. O discurso indica desconhecimento sobre a atualidade dos trabalhos e a necessidade de sua continuidade e, sobretudo, reforça a percepção sobre a ausência de efetivo comprometimento com o fortalecimento dos mecanismos de combate à corrupção.

A Lava Jato é uma ação conjunta de várias instituições de Estado no combate a uma corrupção endêmica e, conforme demonstram as últimas fases dos trabalhos, ainda se faz essencialmente necessária. Ainda ontem, na mesma data da declaração do Presidente, foi deflagrada a 76ª fase da operação, na qual houve a apreensão do equivalente a quase 4 milhões de reais em espécie em endereços de investigado pela prática de delitos contra a Petrobras.

O apoio da sociedade, fonte primária do poder político, bem como a adesão efetiva e coerente de todos os Poderes da República, é fundamental para que esse esforço continue e tenha êxito.

Os procuradores da República designados para atuar no caso reforçam o seu compromisso na busca da promoção de justiça e defesa da coisa pública, papel constitucional do Ministério Público, apesar de forças poderosas em sentido contrário.

Lava Jato já deflagrou 76 fases e recuperou mais de R$ 14 bilhões

Criada em 2014 para investigar crimes de corrupção, a Lava Jato deflagrou ontem a 76ª fase da operação, chamada de “Sem limites III”. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro em ações que apuram supostas práticas ilícitas na Petrobras.

Antes dessa fase, a Lava Jato já denunciou 553 pessoas e obteve 274 condenações. Foram mais de R$ 14 bilhões já recuperados. Entre os presos mais conhecidos estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ficou 580 dias preso em Curitiba, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral, o ex-ministro José Dirceu e o empresário Marcelo Odebrecht.

(Com informações do Paraná Portal)

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