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Professores protestam em Curitiba contra privatização das escolas públicas: Traiano restringe acesso de visitantes

Professores protestam em Curitiba contra privatização das escolas públicas: Traiano restringe acesso de visitantes
  • Publishedjunho 3, 2024
Protestos contra terceirização de escolas públicas movimentam o Paraná. (Foto: Altvista / APP-Sindicato)

Por Hurlan Jesus

Nesta segunda-feira (03), manifestantes tomaram as ruas de várias cidades do Paraná em protesto contra o projeto de terceirização da gestão das escolas públicas do Estado. Em Curitiba, a concentração inicial ocorreu na Praça Santos Andrade, reunindo professores, servidores e estudantes que partiram por volta das 10h em direção à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), onde os grupos vão acompanhar a sessão legislativa.

O grupo avançou pela Avenida Marechal Deodoro, reforçando sua oposição ao projeto de lei que visa terceirizar a administração das escolas públicas estaduais.

O protesto, que reúne entre 10 e 15 mil pessoas, mas os números serão atualizados ao longo desta segunda-feira. Manifestantes chegaram à Avenida Cândido de Abreu, em frente ao Shopping Mueller, por volta das 11h.

A manifestação foi marcada por discursos e faixas contrárias ao projeto “Parceiro da Escola”, que está sendo discutido na Alep em regime de urgência.

Professores estão nesse momento nas galerias da Alep, mas o presidente da Alep, Ademar Traiano (PSD), restringiu a entrada de visitantes. Ele alegou que “a Assembleia foi invadida e suspendeu a sessão, até o momento. Traiano só esqueceu de dizer que a Alep é um espaço público!

Greve dos Professores

Os professores da rede estadual iniciaram uma greve a partir desta segunda-feira (3), em resposta à proposta do governo. A APP-Sindicato, que representa a categoria, alega que “o projeto representa a privatização e o fim da escola pública”.

Eles destacam que “nas escolas já privatizadas, como Anibal Khury Neto de Curitiba e Anita Canet de São José dos Pinhais, professores contratados temporariamente (PSS) perderam seus empregos, e os novos professores contratados via CLT não têm garantias de estabilidade”.

Protestos em Ponta Grossa

No último sábado (01), Ponta Grossa também ocorreram manifestações. Professores, estudantes e servidores públicos da educação se reuniram na Praça Barão de Guaraúna (Praça dos Polacos) para um ato contra o projeto de terceirização.

O grupo desceu pela Avenida Vicente Machado, demonstrando forte oposição ao projeto de lei. Nesta manhã de segunda-feira, muitos desses profissionais se juntaram aos protestos em Curitiba, enquanto manifestações menores ocorreram em frente a alguns colégios estaduais da cidade, com participação de professores e alunos.

Professores de PG no Ato em Curitiba

Tércio Miranda, presidente da APP em Ponta Grossa, informou que 350 professores da cidade foram para Curitiba nesta segunda-feira (3). “Temos adesão de greve em todas as escolas, nenhuma escola está com todos os professores e funcionários. A greve afetou parcialmente as aulas nas escolas de Ponta Grossa”.

Declaração da Presidente da APP Estadual

Em comunicado à imprensa, a presidente da APP Sindicato, Walkiria Olegário Mazeto, afirmou que o primeiro dia da greve está sendo muito positivo. “Estamos em um ato em que esperamos de 10 a 15 mil pessoas e temos concentração em todo o estado. Provavelmente teremos paralisação em 100% das instituições, seja total ou parcial,” afirmou.

Walkiria também explicou que o grupo caminhará até a Assembleia Legislativa do Paraná para acompanhar a sessão e pedir a suspensão do projeto de lei. “Esperamos ser recebidos pacificamente. Nossa luta é pela defesa da escola pública, para que continue sendo pública e não se torne lucro no bolso dos empresários,” salientou.

Fechamento da Alep

Em resposta ao protesto, a entrada de pessoas na Alep foi restrita às 11h, conforme determinação do presidente da Casa, deputado estadual Ademar Traiano (PSD). A medida preventiva foi tomada após a Polícia Militar informar que mais de 50 ônibus estavam vindo do interior do estado para Curitiba.

A prática de Traiano em restringir a entrada de visitantes durante o trâmite de projetos polêmicos e que afetam a vida da população de forma drástica, já é comum. O mesmo ocorreu no 29 de abril de 2015, no conhecio ‘Massacre do Centro Cívico’.

Na ocasião, num “tratorço”, deputados aprovaram o projeto do ex-governador Beto Richa (PSDB), que confiscou os recursos da previdência dos servidores para pagar contas do governo.

A manifestação gerou mais de 200 feridos, depois que o governo autorizou que os policiais fossem pra cima dos professores. Até hoje ninguém foi responsabilizado por isso e Richa foi eleito deputado federal e é pré-candidato à Prefeitura de Curitiba.

O secretário de Segurança da época, Fernando Francischini (União Brasil), mas era do PSL, hoje deputado cassado por disseminar fake news, chegou dizer ao Blog da Mareli Martins que “não se arrepende de nada e que faria tudo de novo”. Relembre:

A Proposta Polêmica

A Secretaria de Estado de Educação defende que o programa “Parceiro da Escola” visa apoiar os diretores, permitindo que se concentrem nas atividades pedagógicas. No entanto, a APP-Sindicato argumenta que a medida comprometerá a qualidade do ensino e os direitos dos trabalhadores.

A greve foi mantida mesmo após uma decisão judicial que tentou suspender a paralisação, com a APP-Sindicato afirmando que não foram notificados e que a mobilização continua.

O projeto de lei está na pauta de discussões da Alep nesta segunda-feira e tramita em regime de urgência, tendo sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

Impacto na Educação

A Secretaria de Educação do Paraná (Seed-PR) orientou os pais a levarem os filhos às escolas normalmente e anunciou descontos salariais para professores e funcionários que aderirem à greve. A orientação visa minimizar o impacto na rotina escolar e no cronograma de estudos.

Votação na Alep

Em contato com o líder do governo, Hussein Bakri (PSD), foi confirmado que na sessão desta tarde será apresentada o Projeto de Lei para análise de legalidade e constitucionalidade. Após essa etapa, haverá uma sessão extraordinária, e a PL será retirada de pauta, retornando para votação amanhã.

A assessoria do deputado também acrescentou, que haverá uma reunião extraordinária da CCJ no fim da tarde, após a sessão plenária, para novos pedidos de vistas. Uma nova reunião da CCJ está prevista para amanhã, terça-feira (04) às 13h30, permitindo que o projeto seja votado em segunda, terceira e redação final amanhã à tarde no plenário.

O Blog da Mareli Martins, também conversou com o líder da oposição, Requião Filho (PT), que manifestou preocupação com a decisão da Justiça, que negou o pedido de suspensão do projeto de terceirização da gestão das escolas públicas no Paraná.

Requião Filho argumenta que a inclusão do projeto na ordem do dia é inconstitucional e planeja recorrer da decisão. Eles lamentam a falta de debate aprofundado sobre um projeto que impacta diretamente a educação pública no estado.

Traiano confessou que recebeu propina em esquema de corrupção da TV da Alep

O presidente da Alep, Ademar Traiano (PSD) confessou ao Ministério Público que recebou propina do empresário Vicente Malucelli. Malucelli era um dos responsáveis pela TV Icaraí, que venceu uma licitação para fazer o planejamento e produção de conteúdo para a TV Assembleia — canal de TV da Assembleia Legislativa do Paraná.

O contrato foi firmado em 19 dezembro de 2012. O prazo era de 36 meses, com valor total de R$ 11,4 milhões.

As regras do ANPP firmado pelos deputados com o Ministério Público determinam que aqueles que assinarem o acordo devem confessar o crime e devolver o dinheiro recebido. Em troca, não serão processados na Justiça.

Traiano terá que pagar o valor de R$ 187 mil a título de reparação. O pagamento deverá ser feito em uma única parcela.

VEJA MAIS FOTOS DO ATO EM CURITIBA

(Foto: Altvista / APP-Sindicato)
(Foto: Altvista / APP-Sindicato)

Assista a transmissão da sessão da Alep e os protestos nas galerias

https://www.facebook.com/assembleialegislativapr/videos/2398759293660338

https://www.assembleia.pr.leg.br/

Sobre o autor da matéria: Hurlan Jesus

(Foto: Arquivo Pessoal)

Hurlan Jesus é jornalista, historiador e professor, com experiência em comunicação e educação. Sendo premiado no Prêmio Fecomércio de Jornalismo em 2023, destacando-se pela sua atuação no jornalismo cultural de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais.

Hurlan Jesus é colaborador e parceiro do Blog da Mareli Martins e agradecemos pelo trabalho profissional e qualidade do jornalista. Chegou para somar. Seja bem-vindo, Hurlan Jesus!

Mais informações sobre o projeto e posições do Governo e da Oposição leia aqui:

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