Mais de 69 mil eleitores não foram votar: PG registra maior abstenção em 20 anos


O segundo turno da eleição para a Prefeitura de Ponta Grossa, disputado neste domingo (27) entre Elizabeth Schmidt (União Brasil) e Mabel Canto (PSDB), registrou a maior abstenção dos últimos 20 anos.
Elizabeth venceu a eleição com votos 96.407 (53,72%) e Mabel conquistou votos 83.064 (46,28%). A diferença de votos entre as duas foi de 13.343.
De um eleitorado total de 259.463 pessoas, 69.241 eleitores não compareceram às urnas, representando uma abstenção de 26,69%. O número é superior ao do primeiro turno, realizado no dia 6 de outubro, quando 62.213 eleitores deixaram de votar, o que equivale a 23,97%.
O alto número de abstenção em Ponta Grossa acompanha uma tendência nacional: de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil registrou 29,26% de abstenção no segundo turno da eleição de 2024, índice só superado pelas eleições municipais de 2020, durante a pandemia de Covid-19, com 29,53%.
Em Ponta Grossa, a ausência de eleitores no domingo (26,69%) foi maior até do que na eleição marcada pelo isolamento social e por medidas restritivas, quando a abstenção no segundo turno foi de 24,90%.
A queda na participação do eleitorado é constante ao longo das últimas eleições. Confira a evolução do índice de abstenção desde 2004, quando Ponta Grossa atingiu 200 mil eleitores e passou a ter disputa de segundo turno:
Ano | Eleitorado | Abstenções (%) |
2024 | 259.463 | 69.241 (26,69%) |
2020 | 239.611 | 59.655 (24,90%) |
2016 | 222.716 | 27.010 (12,13%) |
2012 | 225.984 | 38.123 (16,87%) |
2008 | 210.535 | 33.126 (15,73%) |
2004 | 203.019 | 30.107 (14,82%) |
Votos brancos e nulos
Além da ausência de 69 mil eleitores, 10.751 pessoas optaram por votar branco ou nulo no segundo turno em Ponta Grossa. Com a soma, 79.992 eleitores se abstiveram de escolher a prefeita da cidade, já que branco e nulo não são considerados votos válidos, isto é, não interferem no resultado da eleição.
O segundo turno registrou uma queda de brancos e nulos em comparação com o primeiro turno, quando somaram 13.027 votos.
Apesar do aumento da abstenção, o número de votos brancos e nulos em segundo turno está em queda nas últimas eleições. Confira:
Ano | Total de votos brancos e nulos | Percentual |
2024 | 10.751 | 5,66% |
2020 | 12.095 | 6,72% |
2016 | 18.640 | 9,52% |
2012 | 12.321 | 6,56% |
2008 | 6.089 | 3,43% |
2004 | 4.025 | 2,33% |
Cenário em Curitiba e Londrina
Além de Ponta Grossa, outras duas cidades do Paraná também tiveram disputa de segundo turno neste domingo: Curitiba e Londrina, ambas com um percentual de abstenção superior à Ponta Grossa e à média nacional.
No pleito que elegeu Eduardo Pimentel (PSD) como prefeito, 991.314 eleitores foram às urnas. O número de abstenções foi de 432.408 (30,37%).? O total de votos em branco foi de 28.949 (2,92%) e os votos nulos somaram 41.082 (4,14%).
Em Londrina, na eleição que elegeu Tiago Amaral (PSD) como prefeito, 276.068 foram às urnas. O número de abstenções foi de 123.662 (30,94%). O total de votos em branco foi de 8.058 (2,92%) e os votos nulos somaram 12.801 (4,64%).
Esta matéria foi realizada com a colaboração do estagiário (estudante de jornalismo) João Vitor Pizani. A supervisão é da jornalista Mareli Martins (Registro Profissional: 9216/PR), conforme convênio de estágio firmado com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
DADOS DO PRIMEIRO TURNO
ABSTENÇÃO NO BRASIL
Mais de 9,9 milhões de eleitores não foram às urnas no 2º turno da eleição; abstenção foi de 29,2%
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou nesta segunda-feira (28) que 9.947.369 eleitores não compareceram às urnas no segundo turno das eleições municipais de 2024.
O número de ausentes corresponde a 29,26% do eleitorado que estava apto a votar neste domingo (27), que era de 33.996.477.
O segundo turno das eleições municipais ocorreu em 51 municípios brasileiros, sendo 15 capitais.
O índice de abstenção neste segundo turno foi maior do que, no primeiro, quando ficou em 21,7%. Mas teve pouca variação em relação a 2020, ano em que a eleição ocorreu em meio à pandemia da Covid-19.
ABSTENÇÃO NAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES
Abstenção no 2º turno
- 2024: 29,26%
- 2020: 29,53% (pandemia)
- 2016: 21,6 %
- 2012: 19,1%
- 2008: 18,1%
- 2004: 17,3%
- 2000: 16,2%
Abstenção no 1º turno
- 2024: 21,7%
- 2020: 23,2% (pandemia)
- 2016: 17,6%
- 2012: 16,4%
- 2008: 14,5%
- 2004: 14,2%
- 2000: 14,8%
TSE vai analisar motivos da abstenção alta
A Corte Eleitoral vai analisar de forma regionalizada o que pode ter provocado os altos índices de abstenção. A ideia é fazer uma pesquisa, em conjunto com os Tribunais Regionais Eleitorais, e elaborar ações para enfrentar a questão. Os dados devem ficar disponíveis antes da diplomação dos eleitos em dezembro.