Áudio sugere que diretor da Sanepar chantageou Ratinho Jr para ficar no cargo

O vazamento de mais um áudio envolvendo propina, chantagem e trambiques entre funcionários, comissionados, a alta cúpula da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e alguns integrantes do governo de Ratinho Jr (PSD) vai abalar novamente as estrutura do Palácio Iguaçu.
Dessa vez, o áudio trata de uma possível chantagem para manter um diretor da Sanepar no cargo.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (6) pelo Jornal Diário de Maringá. Veja a transcrição do áudio:
Bedeu, bom dia meu irmão, tudo bem? Hum, do Cláudio eu escuto bastante sabe, que está destruindo tudo e eu ouvi falar no gabinete que o Cláudio… foram reclamar do Claudio pro governador, que o governador ameaçou tirar o Claudio e que o Claudio chantageou o governador. Eu ouvi isso lá dentro tá, que o Claudio chantageou o governador pra continuar no cargo. Deve ser com a história dos dinheiros das empreiteiras né? Agora da Priscila cara, é… ninguém fala um a dela.”
O áudio (Reprodução/ Diário de Maringá)
Uma série de áudios descreve um suposto esquema de corrupção na Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), que teria sido utilizado para financiar a campanha eleitoral do governador Ratinho Jr. em 2022. Em nota, o Governo do Estado classificou o caso como uma denúncia antiga.
No entanto, diante do teor do material divulgado, o líder da Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), deputado Arilson Chiorato (PT), defende a necessidade de apuração judicial dos fatos.
Os pedidos de apuração junto à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) foram assinados pelos deputados Arilson, que preside o PT-PR, e Requião Filho (PDT). As representações solicitam a instauração de procedimentos para verificar possíveis crimes eleitorais e administrativos, além da adoção das medidas previstas em lei.
Questionado pelo Portal Mareli Martins sobre as denúncias envolvendo um suposto vazamento de áudios na Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), que teria sido utilizado para financiar a campanha eleitoral do governador Ratinho Jr. em 2022, o Governo de Ratinho Jr (PSD) afirmou que o PT “ressuscitou uma pauta velha”.
Além disso, segundo o governo, “o PT não trouxe nenhum fato novo” e apenas “tenta manchar a imagem do governador Ratinho Jr”.
“A denúncia ressuscitada pelo PT do Paraná é antiga e foi objeto de apuração tanto da Sanepar, que colaborou com os órgãos de fiscalização, como do próprio Ministério Público do Estado. Trata-se, portanto, de pauta velha, sem fato novo”, afirmou o Governo do Paraná.
Sanepar é alvo de operação do Gaeco que investiga fraudes em licitações (Relembre)
O núcleo de Ponta Grossa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, deflagrou a Operação Ductos, no dia 20 de julho de 2020, para o cumprimento de 16 mandados de prisão temporária e 50 mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais foram emitidas pela 1ª Vara Criminal de Ponta Grossa e incluem ainda o bloqueio de imóveis e veículos de 22 pessoas ou empresas.
Há indícios de que os empresários envolvidos criaram empresas apenas para viabilizar o pagamento das propinas.
Os crimes investigados são fraude a licitação, peculato, lavagem de dinheiro e corrupção por meio de organização ou associação criminosa, além de falsidade documental.
As prisões temporárias (por cinco dias) têm como alvo empresários e servidores da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). As buscas são cumpridas em 37 residências e 13 empresas, incluindo cinco estabelecimentos privados (em Ponta Grossa, Cornélio Procópio, Telêmaco Borba e Curitiba) e oito da Sanepar (três em Ponta Grossa, dois em Telêmaco Borba e um em Curitiba, Santo Antônio da Platina e Cornélio Procópio).
Segundo o Ministério Público, as investigações começaram em 2018 e apontam que houve benefício ilegal a empresas, mediante o pagamento de propina a servidores da Sanepar.
Uma das empresas investigadas é apontada pelo MP como a principal beneficiada pelo esquema. Segundo o Ministério Público, esta empresa organizava o pagamento de propinas aos servidores.
“Esses pagamentos aconteciam de várias formas. Havia o pagamento de festas a estes servidores, eles também recebiam uma espécie de vale de uma das empresas”, afirmou a promotora do MP-PR, Fernanda Basso Silvério.
As investigações apontam que servidores faziam medições falsas e não fiscalizavam o cumprimento de contratos de empresas contratadas pela companhia.
Os promotores suspeitam que empresas organizavam entre si o resultado de processos licitatórios, a partir do acesso a informações internas da Sanepar.
“As empresas combinavam o valor a ser oferecido e a empresa escolhida apresentava uma proposta com valor cerca de 2% mais baixo, para vencer a licitação”, afirmou a promotora do MP-PR, Fernanda Basso Silvério.
Também há indícios de que os empresários envolvidos criaram empresas apenas para viabilizar o pagamento das propinas.
As investigações apuram principalmente o pagamento indevido por serviços não prestados e fraudes em licitações, bem como benefício ilegal para empresas, mediante propinas a servidores da Sanepar. A principal empresa beneficiada seria também a organizadora do pagamento dos subornos. Há suspeitas de que as empresas organizavam entre si o resultado de processos licitatórios, a partir do acesso a informações internas da Sanepar.
Investiga-se, ainda, o faturamento por serviço não executado integralmente ou por serviço superfaturado, com o uso de medições falsas ou não fiscalizadas por servidores da Sanepar. Em contrapartida, funcionários da Sanepar receberiam propina. O grupo de empresários que liderava a organização das fraudes montou outras empresas para efetivar os pagamentos ilegais e ocultar sua verdadeira origem.
Sanepar
Em nota, a diretoria da Sanepar informou que está acompanhando, desde as primeiras horas desta segunda-feira, 20 de julho, o trabalho do GAECO na operação Ductos, que teve início há dois anos. A empresa informou ainda que “está disponibilizando todas as informações e franqueando o acesso a todas às suas unidades, bem como a documentos e equipamentos em todas as áreas.”
Ainda conforme a nota, a empresa afirmou que aguarda o resultado das investigações para proceder também as medidas administrativas cabíveis.
“A diretoria da empresa reafirma o compromisso com medidas de probidade e reitera apoio irrestrito a esta investigação e se coloca como parte interessada.
Todos os funcionários envolvidos na operação do GAECO estão sendo imediatamente afastados e, internamente, a Companhia também está tomando todas as providências para apurar os fatos e possíveis condutas de empregados e fornecedores”, diz a nota.
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