
O petista, Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, é o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Nesta quinta-feira, 26, em sessão tumultuada, a CPMI do INSS aprovou a quebra do sigilo bancário dele. O filho de Lula entrou na mira de parlamentares da oposição após a Polícia Federal apreender mensagens trocadas entre Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e a empresária Roberta Luchsinger, com possíveis menções a ele.
O filho do presidente não foi alvo de nenhuma fase da operação, mas teve o nome citado por uma testemunha, segundo a qual ele teria atuado junto com o “Careca do INSS” para destravar negócios no Ministério da Saúde. A defesa de Lulinha disse que ele não tem nenhuma relação com as “fraudes do INSS”, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa”. Formado em Biologia pela Universidade Paulista (UNIP), Lulinha iniciou a vida profissional trabalhando como monitor no Zoológico de São Paulo. Ele ingressou no ramo empresarial ao se tornar sócio da Gamecorp, posteriormente rebatizada como G4 Entretenimento.
Durante a Operação Lava Jato, Lulinha foi alvo de inquéritos que investigaram se repasses de grandes empresas às suas consultorias seriam pagamentos de propina disfarçados. Em 2022, as principais apurações foram anuladas ou arquivadas pela Justiça.
Segundo o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), a medida se faz necessária pela suspeita de que o filho do presidente tenha atuado como ‘sócio oculto’ de Antônio Camilo.
“A necessidade de investigar Fabio Luis decorre diretamente de mensagens interceptadas em que Antônio Camilo, ao ser questionado sobre o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil destinado à empresa de Roberta Luchsinger, responde explicitamente tratar-se de ‘o filho do rapaz’”, afirma.
A defesa de Lulinha protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso aos autos do inquérito que apura irregularidades em descontos do INSS.
O filho do presidente não foi alvo de nenhuma fase da operação Sem Desconto, mas teve o nome citado por uma testemunha, segundo a qual ele teria atuado junto com o “careca do INSS” para destravar negócios no Ministério da Saúde.
“Apesar de Fábio Luís não ter sido alvo da operação ‘Sem Desconto’, nem objeto de medidas ou restrições judiciais, entendemos ser necessário pedir ao STF acesso aos autos após a publicação de seguidas matérias de teor acusatório e difamante, contendo trechos isolados do inquérito sigiloso”, diz o texto da defesa.
A defesa do filho do presidente também disse que ele não tem nenhuma relação com as “fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa”.
O “Careca do INSS” e a empresária Roberta Luchsinger, segundo investigações, atuavam para amplificar a rede de negócios dele em Brasília. A dupla tentava fechar um contrato, sem licitação, no Ministério da Saúde para o fornecimento de medicamentos à base de cannabis para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Formado em Biologia pela Universidade Paulista (UNIP), Lulinha iniciou a vida profissional longe dos holofotes, trabalhando como monitor no Zoológico de São Paulo. A trajetória discreta, porém, mudou de escala quando ele ingressou no ramo empresarial e se tornou sócio da Gamecorp, posteriormente rebatizada como G4 Entretenimento.
A empresa passou a produzir conteúdo para TV por assinatura, telefonia e internet, abrindo portas em um mercado altamente regulado e estratégico.
O salto nos negócios da Gamecorp, com contratos e aportes milionários de grandes empresas de telecomunicações, especialmente a Telemar/Oi, colocou o filho do presidente no centro de uma disputa política e jurídica que se arrasta há anos.
Além disso, durante a Lava Jato, o nome de Lulinha apareceu em acusações de recebimento de dinheiro. Nada foi comprovado.
Nos últimos meses, o empresário voltou ao noticiário ao ser citado em mensagens e uma agenda apreendida em investigações da Polícia Federal e no contexto de uma CPMI que apura o esquema conhecido como “Farra do INSS”.
As menções reforçaram a pressão política em torno de seu nome, embora aliados sustentem que ele não figura como investigado formal em parte dessas frentes e que boa parte do que circula seriam apenas relatos indiretos e rumores.
Tentativa de convocação
Em dezembro, a CPMI mista do INSS rejeitou uma convocação de Lulinha. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), chegou a afirmar que o filho de Lula teria sido contratado para atuar como uma espécie de lobista em favor de Antunes.
À época, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) afirmou que os pedidos de convocação estavam baseados em narrativas políticas e que não havia “nenhuma prova documental” ou indícios que conectem “Lulinha” ao “Careca do INSS”.
Para ela, a medida seria uma tentativa de criar, erroneamente, uma conexão entre o presidente Lula e as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
“Não há nenhuma prova documental, nenhum elemento probatório que ligue ao filho do presidente Lula. Há uma tentativa clara de se ligar ao filho do presidente Lula porque, por tabela, ligaria ao presidente Lula. [Esse tipo de requerimento] não vai levar em nada ao objetivo da CPI”, disse a senadora.
Ex-ministro da Secretaria de Comunicação, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que o pedido de convocação estava “fora de propósito” e que não havia provas sobre a suposta ligação entre “Lulinha” e Antônio Carlos Camilo Antunes.
Sessão marcada por confusão
Após a votação, houve confusão e empurra-empurra na sessão. Governistas se aproximaram da mesa para protestar diante do resultado, quando começou o tumulto. Alguns socos foram desferidos, mas não acertaram ninguém.
Parlamentares que ameaçavam brigar, inclusive, tiveram de ser separados. Entre os envolvidos na confusão estão o deputado Rogério Correa (PT-MG), o relator Alfredo Gaspar (União-AL), os deputados Evair de Melo (PP-ES) e Luiz Lima (Novo-RJ).
Ao vivo: CPMI do INSS ouve ex-secretária do “Careca do INSS”
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