Sanepar lidera reclamações no setor público de Ponta Grossa, revela Procon
O Procon de Ponta Grossa divulgou o balanço de atendimentos realizados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025. O levantamento aponta que, no âmbito dos serviços públicos, a Sanepar é a recordista em queixas na cidade. Ao todo, a empresa registrou 145 atendimentos no período, figurando na 6ª posição do ranking geral de fornecedores mais reclamados no município.
Além do volume de queixas, a companhia também aparece em destaque negativo no índice de resolutividade: a Sanepar ocupa a 7ª colocação entre as empresas que menos atenderam às demandas dos consumidores em 2025, com 88 casos classificados como não atendidos.
Terceirização e falhas na leitura geram transtornos
Em entrevista ao Portal Mareli Martins, o coordenador do Procon municipal, Naim Nasihgil Filho, atribuiu o cenário a mudanças estruturais na concessionária. “Ela tem terceirizado muitos serviços. Em razão disso, ela tem encontrado bastantes problemas. Desde a ausência de leitura até leitura indevida, e isso causa transtorno para o consumidor”, explicou o coordenador.
Entre os problemas recorrentes citados por Naim estão a falta de entrega de faturas e a demora no atendimento. Contudo, as polêmicas mais graves envolvem a qualidade do produto entregue. O coordenador relembrou o episódio de mau cheiro e gosto forte na água, além do desabastecimento que aconteceu no ano passado, que resultou na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
Sobre a disparidade nos valores das contas — queixas frequentes de moradores —, o gerente Comercial da Sanepar na região Sudeste, Valdinei Chimborski Lopes, confirmou em sessão na Câmara Municipal que a empresa enfrentou problemas com um servidor terceirizado que prestou serviços irregulares, o que teria gerado as cobranças indevidas.
Investigação e o direito ao ressarcimento
Diante das reclamações sobre a potabilidade da água, o Procon acionou a Secretaria do Meio Ambiente e a Vigilância Sanitária para obter esclarecimentos técnicos. Uma investigação preliminar foi aberta pelo órgão de defesa do consumidor. “A Sanepar já apresentou a sua resposta, eu a transformei em processo por ato de ofício e eles estão na fase de apresentar a defesa”, detalhou Naim.
Questionado se o cidadão pode solicitar o ressarcimento do valor pago por um serviço precário, o coordenador foi direto: “O direito existe para todos. Se o consumidor se sentiu lesado, ele pode tentar buscar sim. Se ele vai obter ou não, aí é uma questão que o juiz vai decidir”.
Dica ao consumidor: olho no hidrômetro
Como medida de prevenção contra cobranças abusivas, Naim deixou uma orientação prática para a população. “É uma coisa que quase ninguém faz: acompanhar as medidas do seu hidrômetro. Quando vem a fatura, tem as medidas lidas; basta consultar seu hidrômetro e ver se bate o que está sendo apresentado pela Sanepar”, aconselhou.
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