Sem apoio da direita e de bolsonaristas, Ratinho Junior desiste da pré-candidatura à Presidência
Ratinho Junior (PSD) informou, através de nota divulgada à imprensa nesta segunda-feira (23), que irá concluir seu mandato como governador do Paraná até dezembro. Com a decisão, Ratinho deixa a disputa interna do PSD que escolherá um candidato para concorrer às eleições presidenciais de 2026.
Segundo o comunicado divulgado, a decisão teria sido tomada neste domingo (22), após “profunda reflexão com sua família”, e comunicada ao presidente nacional do Partido Social Democrático nesta segunda (23).
A nota ainda diz que o governador está “convicto de que deve manter o compromisso selado com os paranaenses nas eleições de 2018 e não pode interromper o projeto que tem garantido o ciclo de crescimento econômico do Paraná”.
É curioso que o governador tenha se lembrado deste compromisso após instigar, por diversas vezes, sua possível pré-candidatura. Além disso, aliados próximos, como Marcelo Rangel e Sandro Alex (ambos do PSD), reforçaram publicamente, em diversas ocasiões, que Ratinho Junior estaria se preparando para deixar o governo do estado para focar na campanha eleitoral.
Também vale apontar que o vice de Ratinho, Darci Piana (PSD), já vinha sendo tratado em eventos oficiais do governo como o futuro governador do Estado. Considerando esses fatos, fica a pergunta: será que foi o “compromisso” com os paranaenses que fez Ratinho Junior reconsiderar sua pré-candidatura à Presidência da República?
Terceira via
Ratinho Junior estava sendo pintado como a terceira via das eleições de 2026, mesmo tendo ele próprio negado o rótulo. “Não me apresento como terceira via. Vou me apresentar como o candidato da direita democrática, da direita cidadã, com um projeto político que busca tornar a máquina pública mais eficiente, sem deixar de cuidar dos mais humildes. Quando o PSD definir seu candidato, vamos trabalhar nessa direção”, disse o governador ao Poder 360.
Em entrevista ao programa Sala de Imprensa, do SBT, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse acreditar que uma terceira via não tem a menor chance de chegar ao segundo turno.
Valdemar também menciona Ratinho diretamente, dizendo que ele é um bom governador e que fez um excelente governo; porém, o comentário não parou nos elogios. “Todo cidadão que tem a cabeça no lugar e que entende um pouquinho de política sabe que quem vai estar no segundo turno é o Lula e o Flávio”, afirmou Neto.
Estratégia política
Especula-se que um dos motivos para a desistência de Ratinho de concorrer à Presidência seria evitar entregar o Paraná ao adversário Sergio Moro, que possui o apoio de Flávio Bolsonaro e vai oficializar sua filiação ao PL nesta terça-feira (24). Ratinho teria “repensado” a pré-candidatura ao perceber que estaria deixando a “casa vazia” para ser tomada por nomes fortes fora de seu grupo político, como, por exemplo, o próprio Moro ou Rafael Greca.
Leia a nota divulgada à imprensa na íntegra:
O governador Ratinho Junior decidiu concluir seu mandato no Paraná até dezembro deste ano. Portanto, ele deixa de participar da discussão interna do PSD (Partido Social Democrático), que escolherá um candidato disposto a concorrer às eleições presidenciais deste ano. A decisão foi tomada na noite deste domingo, 22, após profunda reflexão com sua família. O fato foi levado ao conhecimento do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, nesta segunda, 23.
Ratinho está convicto que deve manter o compromisso selado com os paranaenses nas eleições de 2018 e não pode interromper o projeto que tem garantido o ciclo de crescimento econômico do Paraná. Sob a gestão de Ratinho Junior, que alcançou 85% de aprovação, o Estado se consolidou como a melhor educação do Brasil, obteve os menores índices criminais dos últimos 20 anos, o maior investimento em infraestrutura da história, e conquistou, por quatro vezes consecutivas, a excelência em sustentabilidade no Brasil.
O governador do Paraná continuará à disposição do PSD para ajudar o Brasil virar a página do atraso, criar perspectivas mais otimistas para os jovens, ser destravado com menos burocracia, endurecimento de leis criminais e tenha o agronegócio brasileiro como trunfo na competição global entre nações.
Eleito com quase 70% dos votos válidos em 2022, Ratinho permanecerá pautando a sua vida para ajudar o Brasil a partir do Paraná, ao defender um estado menor e mais eficiente, que tem a educação como instrumento para melhorar a vida de jovens e apostando na pacificação e no diálogo como alicerces do Estado Democrático de Direito.
Carlos Massa Ratinho Júnior nasceu numa família humilde em Jandaia do Sul. Mudou para Curitiba ainda criança, onde o pai chegou desempregado na década de 80. A trajetória simples do governador permitiu que ele jamais fosse contaminado pelas benesses do Poder.
Ao encerrar em dezembro essa fase de sua vida, Ratinho Júnior pretende voltar ao setor privado e presidir o Grupo de Comunicação criado pelo pai, o apresentador Ratinho.
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