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“A tipificação do crime de feminicídio colaborou no combate à violência contra a mulher”, diz delegado Timossi da 13ª SDP

“A tipificação do crime de feminicídio colaborou no combate à violência contra a mulher”, diz delegado Timossi da 13ª SDP
  • Publishedoutubro 16, 2026
Foto: Lorena Santana

O reconhecimento do feminicídio como um crime específico foi um avanço no combate à violência contra a mulher. A classificação permite identificar os assassinatos motivados por razões da condição do sexo feminino, ampliar a produção de dados estatísticos e contribuir para a formulação de políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência de gênero. A avaliação é do delegado Luis Gustavo Timossi, da 13ª Subdivisão Policial (SDP) de Ponta Grossa.

Segundo o delegado, a tipificação penal também contribui para dar visibilidade a uma forma específica de violência, frequentemente associada à violência doméstica e familiar, ao menosprezo e à discriminação contra mulheres. Ciúmes e sentimento de posse podem estar presentes em casos dessa natureza, embora cada ocorrência precise ser investigada individualmente.

A legislação brasileira prevê pena de reclusão de 20 a 40 anos para o feminicídio, que passou a constituir um crime autônomo com a Lei nº 14.994/2024.

Feminicídio e a importância da investigação

Para Timossi, a classificação adequada dos crimes é fundamental para compreender as características da violência e produzir informações que orientem ações específicas de prevenção. A identificação dos casos de feminicídio permite diferenciar esses assassinatos de outros homicídios e acompanhar a dimensão da violência de gênero.

Além da tipificação, o enfrentamento desse tipo de crime depende da investigação policial, da responsabilização dos autores e de medidas que contribuam para prevenir novas ocorrências.

Homicídios caem aproximadamente 66% em Ponta Grossa

Além de abordar a violência contra a mulher, o delegado destacou a redução dos homicídios em Ponta Grossa entre 2024 e 2025. Enquanto 98 casos foram contabilizados em 2024, o município registrou 33 no ano seguinte, uma diminuição de 65 ocorrências, equivalente a aproximadamente 66,3%.

“Era como se a segurança estivesse na UTI e agora tivesse saído dos aparelhos”, afirmou Timossi ao comparar o cenário atual com a situação enfrentada pelo município nos últimos anos. Para ele, os resultados representam um avanço na área. “Estamos passando pelo melhor momento da segurança pública em Ponta Grossa.”

Segundo o delegado, os homicídios registrados em 2024 estavam relacionados principalmente à guerra entre facções criminosas e à disputa por territórios. Em 2025, as investigações passaram a identificar, com maior frequência, desentendimentos como possíveis motivações para os crimes.

De acordo com a autoridade policial, esses conflitos podem ou não estar relacionados a disputas entre facções. A motivação de cada ocorrência depende da apuração policial.

Elucidação dos homicídios chega a 103% em 2025

Outro dado destacado pela Polícia Civil foi o índice de elucidação dos homicídios. Em 2024, o percentual informado foi de 95%. Em 2025, o indicador chegou a 103%.

A elucidação ocorre quando a investigação consegue esclarecer as circunstâncias do crime e reunir elementos que permitam identificar sua possível autoria. O resultado, entretanto, não significa necessariamente que o suspeito tenha sido condenado pela Justiça.

O índice superior a 100% pode ocorrer quando a Polícia Civil esclarece casos registrados em anos anteriores, além dos crimes do período analisado. Para interpretar o indicador com precisão, é necessário considerar a metodologia utilizada pela corporação.

Timossi também comparou os resultados atuais com os de aproximadamente oito anos atrás. Segundo ele, naquele período Ponta Grossa enfrentava um cenário de sucateamento da segurança pública, com índice de elucidação de 12%. Atualmente, o percentual informado pela autoridade chega a 80%.

A comparação representa um avanço de 68 pontos percentuais em relação ao índice histórico mencionado pelo delegado. Os números, contudo, devem ser considerados conforme os critérios de cálculo e os períodos de referência.

Caso Odonto Excellence: inquérito conta com elementos sólidos 

O assassinato de José Claiton Leal Machado, conhecido como Claus, ocorrido em abril de 2022, em Ponta Grossa, também foi mencionado pelo delegado ao comentar o trabalho investigativo da Polícia Civil. A vítima era diretor de operações da rede Odonto Excellence e foi morta em uma emboscada em frente à própria residência.

Em maio de 2026, a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou o empresário Oséias Gomes de Moraes, fundador e CEO da rede, sob suspeita de ser o mandante e financiador do crime. Segundo a investigação, o homicídio teria sido motivado por conflitos empresariais. O empresário nega envolvimento, e sua defesa contestou a versão apresentada pela polícia.

De acordo com Timossi, a investigação foi longa e resultou em um inquérito com elementos considerados consistentes. A conclusão do inquérito e o indiciamento, porém, não equivalem a uma condenação. A responsabilização criminal depende da tramitação judicial e da análise das provas.

Delegado defende revisão da legislação penal

Ao comentar a legislação criminal brasileira, Luis Gustavo Timossi afirmou considerar necessária uma revisão das normas relacionadas à punição de crimes.

“Comparado aos demais países democráticos do mundo, o Brasil está atrás no quesito punição”, declarou.

A discussão sobre o endurecimento das penas envolve questões como proporcionalidade das punições, capacidade de investigação e efetividade da Justiça. Além das sanções previstas em lei, o combate à criminalidade depende da investigação dos delitos, da responsabilização dos autores e de medidas de prevenção.

Canais de denúncia em Ponta Grossa

A população pode contribuir com informações que auxiliem na investigação de crimes por meio dos canais oficiais:

  • 181 – Disque-Denúncia: recebimento de informações sobre crimes, com possibilidade de denúncia anônima.
  • 100 – Disque Direitos Humanos: canal para denúncias de violações de direitos humanos.
  • 190 – Polícia Militar: atendimento de emergências e situações que exigem resposta imediata.
  • 197 – Polícia Civil: canal para informações e denúncias relacionadas à investigação criminal.
  • Portal 181: também permite encaminhar informações pela internet, por meio do serviço on-line do Disque-Denúncia do Paraná.

Em situações de risco imediato, a orientação é acionar o 190. Informações sobre crimes e suspeitos podem ser encaminhadas pelos canais oficiais, contribuindo para o trabalho das autoridades.

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