“Defender a ditadura militar é um crime”, afirma o deputado Péricles

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Em entrevista à Rádio T nesta sexta-feira (13), o deputado Péricles de Mello disse que “não existe mais o tempo em que os ponta-grossenses tinham que baixar a cabeça para a elite patrimonialista”.

Em entrevista à Rádio T e ao Blog da Mareli Martins nesta sexta-feira (13), o deputado Péricles Holleben de Mello (PT) defendeu a democracia e disse que o presidente da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), Douglas Fanchin Taques Fonseca e todas os diretores que fazem parte das entidades que estão defendendo a volta do regime militar “estão cometendo um crime”.

Péricles criticou alguns setores da elite de Ponta Grossa, que tem como representante o empresário Douglas Fanchin Taques Fonseca. “Infelizmente ainda existe um ranço patrimonialista na cidade com alguns setores das elites ponta-grossenses que quando recebem críticas entendem como se fossem donos da cidade e acreditam que as pessoas tem que baixar a cabeça para o que eles pensam. Isso acabou. Ponta Grossa não é uma extensão de propriedade ou uma fazenda. Nossa cidade tem história, cultura, associações e merece respeito. Não existe mais essa coisa de que as entidades empresariais das elites são intocáveis”, afirmou o deputado Péricles de Mello.

O deputado Péricles disse que defender a Ditadura Militar é um crime previsto em lei. “Eu defendo a democracia. Mas é preciso dizer que a legislação brasileira estabelece que é crime defender ações ilegais contra o poder do estado. E quando a diretoria da Acipg vem a público pedir a intervenção militar está cometendo um crime. Além disso, a Acipg e as 27 instituições estão ameaçando o setor judiciário. A lei 7.170 de 1983 em seu artigo 22 coloca que é considerado crime fazer em publico propaganda de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política e social. E artigo 23 também diz que é crime incitar que se ataque os poderes constituídos”

O deputado afirmou que não acredita que todos os empresários de Ponta Grossa defendem a intervenção militar e que este pensamento é de diretores da Acipg e de outras entidades. “Eu não acredito sinceramente que a maioria dos empresários e do agronegócio defendem isso. Esse é o pensamento de uma parte da elite patrimonialista representada pelos diretores destas instituições. Eles deveriam pedir eleições gerais, pois quem tem o poder de mudar a sociedade é o povo e de forma democrática. Ou o Douglas acha que a corporação militar está acima do bem e do mal?”, questionou.

Péricles relembrou que a Acipg em 2014 elaborou uma proposta para que pessoas de baixa renda e que participam de programas sociais, como o Bolsa Família, não tivessem mais o direito ao voto.

“Nunca esqueço do dia 2 de setembro de 2014, no período eleitoral, estive na Acipg para me apresentar como candidato e eles (se referindo a diretoria da Acipg) tiveram a petulância, a loucura, a insanidade de exigir que pessoas que participam de programas sociais por questão de renda fossem impedidas de votar. A Acipg foi processada pelo Ministério Público e teve que voltar atrás por que foi infeliz”, declarou.

As polêmicas declarações de Douglas Taques Fonseca começaram no último fim de semana com a divulgação de um documento da Acipg chamado de “Carta pública de apoio da Acipg ao general Mourão”. Na carta, a instituição juntamente com outras 27 entidades defendem a intervenção militar no Brasil.

Veja na íntegra a carta pública de apoio da ACIPG ao general Mourão:

As entidades abaixo nominadas vêm a público declarar seu apoio ao General Antônio Hamilton Mourão, Secretário de Finanças das Forças Armadas, que declarou recentemente que uma intervenção militar pode ser adotada se o Judiciário não resolver o problema político referente à corrupção.

Concordamos com o oficial do Exército Brasileiro que a política nacional chego ao nível máximo de tolerância, e exigimos que o Poder Judiciário cumpra com sua função de afastar da vida pública essas pessoas que estão acabando com as riquezas do país. Não podemos mais aceitar que negociatas políticas permitam que as mesmas pessoas continuem a levar o Brasil à ruína.

Há conforto em saber que existem brasileiros como ele, que ainda se preocupam com a nação e se disponibilizam a lutar pelo futuro.

Assim, parabenizamos o General pelas suas palavras e reiteramos nosso apoio.

Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG); Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL); Conselho Empresarial da Mulher Executiva (CEME); Conselho Comunitário de Segurança de Ponta Grossa (CONSEG); Sociedade Rural dos Campos Gerais; Sindicato do Comércio Varejista de Ponta Grossa (SINDILOJAS); Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios de Ponta Grossa (SINDIREPA); Conselho do Jovem Empresário (CONJOVE); Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (SESCAP); Núcleo Sindical Rural dos Campos Gerais representando: Sindicato Rural de Arapoti; Sindicato Rural de Carambeí; Sindicato Rural de Castro; Sindicato Rural de Imbituva; Sindicato Rural de Ipiranga; Sindicato Rural de Ivaí; Sindicato Rural de Jaguariaíva; Sindicato Rural de Ortigueira; Sindicato Rural de Palmeira; Sindicato Rural de Piraí do Sul, Sindicato Rural de Ponta Grossa, Sindicato Rural de Porto Amazonas; Sindicato Rural de Reserva; Sindicato Rural de Sengés; Sindicato Rural de Teixeira Soares; Sindicato Rural de Telêmaco Borba; Sindicato Rural de Tibagi; Sindicato Rural de São João do Triunfo

 

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