Sérgio Souza rebate citação do seu nome na Operação Carne Fraca e diz que “jamais recebeu propina”

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Operação Carne Fraca: “Estou tranquilo e tenho como comprovar que os meus recursos são fruto do meu trabalho e nunca de propina”, declarou o deputado federal Sérgio Souza (PMDB-PR) (foto: divulgação)

Em entrevista à Rádio T e ao Blog da Mareli Martins neste sábado (9), o deputado federal Sérgio Souza (PMDB-PR), rebateu as declarações feitas pelo ex-gerente do frigorífico Seara (grupo JBS), Flávio Cassou, na Operação Carne Fraca. Ouça a entrevista completa ao final do texto).

O deputado colocou à disposição seu sigilo bancário e fiscal, declarou que “jamais recebeu qualquer tipo de propina”. E afirmou que o fato da bancada do PMDB do Paraná ter apadrinhado a nomeação de Daniel Gonçalves Filho como superintendente do Ministério da Agricultura do Paraná, está sendo o motivo para o que ele chama de “ilações” tanto de Flávio Cassou, como de Daniel Filho. Sérgio Souza destacou que o senador e presidente do PMDB no Paraná, Roberto Requião “abençoou a nomeação de Daniel Filho como superintendente”.

Em depoimento à Justiça Federal no dia 1º de dezembro, Flávio Cassou, disse que Sérgio Souza recebia uma mesada de aproximadamente R$ 20 mil no esquema de corrupção que envolve o Ministério da Agricultura do Paraná (Mapa) e políticos da bancada federal do PMDB do Paraná. Flávio afirmou que o dinheiro era repassado para o ex-superintendente do Mapa, Daniel Gonçalves Filho e que ele repassava o dinheiro a políticos como Sérgio Souza e outros do PMDB do Paraná. Além de Sérgio Souza, fazem parte da bancada de deputados federais do PMDB do Paraná, Osmar Serraglio (ex-ministro da Justiça do governo de Michel Temer), Hermes Parcianello ‘Frangão’ e João Arruda (sobrinho do senador Requião).

“Ele não falou que entregava pra mim, disse que entregava para o Daniel (ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná) e que ele direcionava um recurso mensal para parlamentares do PMDB do Paraná e citou meu nome. Mas eu nunca tratei com esse Flávio ou com o Daniel qualquer valor. Não preciso de parte destes 20 mil reais. Isso chega ao cúmulo do ridículo”, afirmou o deputado Sérgio Souza.

Souza disse que o fato da bancada federal do PMDB do Paraná ter indicado e nomeado Daniel Gonçalves Filho ao cargo de superintendente do Ministério da Agricultura pode estar sendo utilizado nas declarações feitas por Flávio e Daniel à Justiça.

“Nós nunca negamos que indicamos, talvez por isso que esse cidadão faça essas ilações. Foi a bancada federal do PMDB do Paraná que fez essa indicação. Inclusive o senador da República (se referindo a Roberto Requião) foi quem abençoou e que deu autorização para a nomeação desse cidadão como superintendente do Ministério da Agricultura”, destacou o deputado. Em relação ao ex-gerente da Seara, Flávio Cassou, Souza declarou que não o conhece há muito tempo, “que é algo mais recente”.

“Meus recursos são fruto do meu trabalho e nunca de propina”, diz Sérgio Souza

Questionado se tem algum tipo de preocupação em relação à Operação Carne Fraca, Sérgio Souza afirmou que está tranquilo e espera que tudo seja esclarecido rapidamente. “Estou tranquilo e tenho como comprovar que os meus recursos são fruto do meu trabalho e nunca de propina. E quero agilidade no processo, para que tudo seja esclarecido o mais rápido possível”, disse.

Souza declarou que pretende colaborar com as investigações. “Coloco à disposição meu sigilo bancário e fiscal para que tudo seja esclarecido. Nós estamos pensando em uma ação perante o judiciário, pra que eles provem onde ele pegou o dinheiro, onde sacou e como pegou e pra quem entregou. Não podemos ficar com essas especulações”.

Operação Carne Fraca

A Operação Carne Fraca apura o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. A investigação da PF indica que eram usados produtos químicos para maquiar carne vencida, e água era injetada nos produtos para aumentar o peso. As carnes irregulares eram vendidas no Brasil e no exterior. Há também casos de papelão em lotes de frango e carne de cabeça de porco em linguiças.

A Operação Carne Fraca está no fim da fase dos depoimentos de testemunhas. Até o dia 19 de dezembro todas devem ter sido ouvidas. Ao todo são 60 réus nas seis ações penais instauradas. Até agora, nas seis ações somadas foram indicadas 630 testemunhas, além dos 60 interrogatórios dos réus.

A partir do dia 19, o processo caminha para a reta final. Podem ser feitas diligências complementares se necessário, além das alegações finais, e, por fim, as sentenças do juiz Marcos Josegrei as Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba. Paralelamente, novas ações podem surgir no STF na medida em que o processo envolva políticos com mandato.

A Carne Fraca mantém atualmente oito presos preventivos desde o dia 17 de março. São fiscais, donos de frigoríficos, além de Flávio Cassou, que é veterinário e ex-gerente da JBS/Seara, na unidade da Lapa, na região metropolitana de Curitiba.

Ainda estão presos Daniel Gonçalves, ex-superintendente do Mapa; Maria do Rocio, ex-chefe do Serviço de Inspeção de Produtos Animais no Paraná; Juarez José Ide Santana, chefe do Mapa em Londrina; Idair Peccin, dono do frigorífico Peccin; Paulo Rogério Sposito, dono do frigorífico Larissa; e os fiscais Luiz Carlos Zanon Junior e Eraldo Cavalcanti Sobrinho.

Os frigoríficos Peccin e Larissa permanecem interditados. Após a operação, em março, uma fiscalização extraordinária do Mapa constatou a inobservância dos parâmetros necessários previstos em regulamentação.

Ouça a entrevista completa!

 

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