Ministério Público aponta que a corrupção nos pedágios do Paraná existe há 19 anos

MPF FOTO
Procuradores do Ministério Público Federal afirmaram nesta quarta-feira (27), que o esquema de corrupção nos pedágios causou o alto preço das tarifas  e o descaso com obras que não foram entregues pelas concessionárias.  (foto: divulgação)

O Ministério Público do Paraná (MPF-PR) destaca que o esquema de corrupção dos pedágios do Paraná existe desde o ano de 1999 até os últimos anos. A corrupção no pedágio passou pelos governos de Jaime Lerner, Roberto Requião (MDB) e Beto Richa (PSDB). Mas segundo os procurados até o momento “apenas Beto Richa foi citado como beneficiário no esquema”, conforme delação premiada do ex-diretor do Departamento de Estradas e Rodagens (DER), Nelson Leal Junior.

“O envolvimento ou não dos ex-governadores será investigado. O único já citado na delação de Nelson Leal, foi o último governador. Nelson disse que ele estava ciente do esquema e que teria se beneficiado”, afirmou o procurador do MPF-PR, Diogo Castor de Mattos.

A 55ª fase da Lava Jato cumpriu 73 mandados de busca e apreensão, 3 mandados de prisão preventiva e 16 mandados de prisão temporária na manhã desta quarta-feira (26).
O esquema teria movimentado R$ 35 milhões em propinas, entre os anos de 1999 e 2015, sem a atualização monetária.

Segundo Diogo Castor de Mattos durante todos estes anos de corrupção no pedágio, obras não foram entregues e a tarifa subiu muito.

“Elas tinham aditivos favoráveis, aditivos que suprimiam obras e que aumentavam tarifas sempre com a justificativa de suposto reequilíbrio financeiro”.
Os investigados são acusados dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, fraude a licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa, dentre outros.

Empresas investigadas no esquema:

Concessionárias que administram o Anel de Integração do Paraná: Econorte, Ecovia, Ecocataratas, Rodonorte, Viapar e Caminhos do Paraná.

Órgãos do Governo do Paraná: Departamento de Estradas e Rodagens (DER) e Agência Reguladora do Paraná (Agepar)

Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR)

Pessoas que tiveram mandado de prisão preventiva decretado:

José Richa Filho ‘Pepe Richa’, irmão de Beto Richa e ex-secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná

Luiz Abi Antoun, primo do ex-governador Beto Richa

Aldair Petry (Neco), que exerceu a função de diretor-geral da Secretaria de Infraestrutura e Logística;

Elias Abdo Filho, que estaria envolvido em suposto esquema de lavagem de dinheiro com Pepe Richa;

Ivano Abdo, intermediário de produção de dinheiro em espécie para as concessionárias;

Beatriz Luciana Assini, secretária de João Chiminazzo Neto na ABCR;

Evandro Couto Viana, diretor-superintendente da Ecovia e da Ecocataratas;

José Camilo Teixeira, diretor-presidente da Viapar;

José Alberto Moraes Rego de Souza Moita, presidente afastado da Rodonorte;

Cláudio José Machado Soares, diretor da Rodonorte;

José Julião Terbai Junio, diretor-presidente da Caminhos do Paraná;

Ruy Sergio Giublin, suposto articulador e negociador de propinas pagas pela Caminhos do Paraná;

Antônio Carlos Cabral de Queiroz, funcionário do DER e da Agepar;

Maurício Eduardo Sá de Ferrante, diretor jurídico da Agepar;

Luiz Claudio Luz, ex-chefe de gabinete de Pepe Richa;

Mario Cezar Xavier Silva, funcionário da Ecovia.

 

O que dizem os citados:

A defesa do ex-governador Beto Richa afirmou que ele nunca foi condescendente com desvios de qualquer natureza e é o maior interessado na investigação de quaisquer irregularidades.

O advogado que representa Pepe Richa, que foi secretário estadual de Infraestrutura e Logística na gestão de Beto Richa, informou que Pepe Richa não foi chamado pela Polícia Federal para esclarecer quaisquer fatos relacionados à investigação e que a defesa não teve acesso aos autos.

“O ex-secretário seguirá colaborando com a Justiça e confia que sua inocência restará provada na conclusão do processo”, afirma o advogado.

A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) informou que está contribuindo com as autoridades no fornecimento de informação e que não teve acesso aos autos do processo.

No mesmo sentido, O Grupo CCR informou que tem contribuído com as investigações. Em nota encaminhada à imprensa, o grupo afirmou que contituiu, em fevereiro deste anos, um comitê para investigar fatos relacionados à operação.

“Os trabalhos do Comitê Independente estão adiantados e, assim que concluídos, seus resultados serão reportados ao Conselho de Administração e autoridades”, diz trecho da nota.

A defesa de Roberto Requião afirmou que o senador “denuncia a corrupção no pedágio desde que ele foi criado e tomou todas as medidas que podia tomar”.

Ainda segundo a defesa, Requião “entrou com uma dezena de ações judiciais que nunca foram acolhidas pelo Judiciário, e nunca deu reajuste que eles pediram”. A defesa afirmou ainda que “infelizmente, os corruptos só foram presos quase 20 anos depois., mas antes tarde do que nunca”.

A defesa do ex-governador Jaime Lerner disse que os procuradores da Operação Lava Jato, quando se referem a Jaime Lerner, “não sabem o que estão falando, querem achar um bode expiatório”.

A concessionária Caminhos do Paraná afirmou que considera a prisão de profissionais ligados à empresa desnecessária. Segundo a concessionária, a empresa “tem prestado os esclarecimentos necessários e jamais negou colaboração”.

“A Caminhos do Paraná reforça seu compromisso com a transparência e a integridade e está colaborando com a Justiça, prestando todos os esclarecimentos solicitados e visando a completa elucidação dos fatos.”

A Ecovia e a Ecocataratas também afirmaram que estão colaborando com as autoridades e reafirmam o compromisso com a transparência e a ética em todas as relações profissionais.

Procurados pela reportagem, o DER-PR e a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (SEIL) afirmaram que está colaborando a 55ª fase da Operação Lava Jato.

“Desde abril de 2018, ambos os órgãos estão sob nova direção, que não toleram práticas de corrupção”, diz trecho da nota.

Por meio de nota oficial, a Agepar afirmou que as denúncias se referem a condutas individuais e “não podem ser consideradas como elemento que comprometa o trabalho da agência.”

A concessionária Viapar informou que “sempre cumpriu todas as regras legais e está comprometida em atender ao contrato de concessão, de forma ética e transparente”.

Ainda conforme a Viapar, a empresa sempre esteve à disposição das autoridades públicas para auxiliar nos esclarecimentos necessários para a elucidação dos fatos. “A concessionária vai se pronunciar prontamente junto às autoridades assim que se inteirar totalmente dos autos”.

A Triunfo Participações e Investimentos, concessionária Econorte, afirmou que “sempre contribuiu de forma transparente com as investigações ligadas à companhia e suas controladas. A Companhia disse que está à disposição para prestar os esclarecimentos necessários.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s