Feminicídio: “Em muitos casos são homens que tratam mulheres como propriedade e não como companheiras”, diz delegado

delegado alexandre
No último sábado (9), o delegado Alexandre Macorin conversou com a Rádio T e o Blog da Mareli Martins. O delegado destacou como ponto positivo o fato de que aumentou o número de mulheres que denunciam os agressores. (foto: Aen)

Na última sexta-feira (8) a Operação Respeito prendeu 301 homens por crimes de violência à mulher. De acordo com o balanço divulgado pelo delegado Alexandre Macorin, da Polícia Civil de Curitiba, dos 301 homens presos, 247 foram em flagrante e 54 mandados de prisão foram oriundos de mandados que haviam sido feitos pelo judiciário e que foram deferidos. A operação iniciou no dia 02 de março e encerrou no dia 08 do mesmo mês, data que marca o Dia Internacional da Mulher.

No último sábado (9), o delegado Alexandre Macorin conversou com a Rádio T e o Blog da Mareli Martins. Ele destacou como ponto positivo o fato de que aumentou o número de mulheres que denunciam os agressores. (Ouça a entrevista completa ao final do texto)

“As pessoas tem uma impressão de que houve um aumento na violência contra à mulher, mas o que ocorre é que hoje a mulher tem mais consciência dos seus direitos e procura de uma forma bem mais rápida o auxílio das delegacias especializadas. Eu entendo que melhorou a conscientização, mas ainda estamos longe do ideal. O ideal seria que não houvesse violência contra a mulher”, afirmou o delegado.

Número de casos de Feminicídio aumenta no Paraná

De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), divulgados na sexta-feira (8), houve aumento no número de feminicídio, que subiu de 41 para 61. Os dados fazem um comparativo dos anos de 2017 e 2018.

O levantamento considera os casos de homicídios dolosos cometidos contra mulheres e os feminicídios, quando o crime é motivado pelo fato de a vítima ser mulher.

No caso dos homicídios, o número diminuiu em 2018 em comparação ao ano anterior. Foram 162 mortes no ano passado, contra 182 registradas em 2017.

É possível prevenir o feminicídio?

Segundo o delegado Alexandre Macorin, nem sempre é possível identificar características no comportamento dos homens que cometem feminicídio, mas na maioria dos casos algumas atitudes comportamentais são peculiares.

Infelizmente nem sempre acontecem avisos, mas na maioria dos casos sim, inicia com uma ameaça velada, sem a violência física propriamente dita e depois parte pra violência física e isso vai se agravando”, disse.

Mas conforme o delegado, o sentimento de posse, de ver a mulher como uma propriedade, tem sido predominante na maioria dos casos. “Já foram identificados, nos interrogatórios, casos de homens que nunca cometeram crime contra a mulher e depois acabam cometendo crimes gravíssimos como feminicídio. E há uma característica comum nestes casos, estes homens tratam as mulheres como propriedade e não como companheira”, destacou.

De acordo com o delegado, muitos desses homens dizem, quando são interrogados, que davam um tratamento adequado à mulher. “Sempre que são interrogados, mesmo os que não cometeram violência antes, tem uma recorrente afirmação, eu tratava bem a minha mulher, dava tudo de bom, pagava academia, levava pra jantar fora. Ou seja, no íntimo, esses homens achavam que tratavam bem suas mulheres e tratavam a mulher como propriedade e não como companheira”.

Ouça a entrevista completa!

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