Ratinho Jr assina carta em que governadores contestam Bolsonaro: “repasses são obrigação constitucional”

Na carta, os governadores criticam a atitude do governo federal de usar dinheiro público “a fim de produzir informação distorcida, gerar interpretações equivocadas e atacar governos locais”.  (Foto: AEN)

Em uma carta aberta, 19 governadores citicaram o presidente Jair Bolsonaro sobre a falta de medidas adequadas para combater o coronavírus e em relação às declarações de Bolsonaro. O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), está entre os que assinaram carta. Esta é a primeira vez que Ratinho Jr se posiciona de forma contrária ao presidente Bolsonaro. (Veja no final do texto os nomes dos governadores que assinaram a carta)

Na carta, os governadores responderam a uma postagem do presidente Jair Bolsonaro sobre repasses do governo federal. Bolsonaro escreveu em suas redes sociais, no domingo (28), que “faz a sua parte no combate à pandemia de covid-19”. O presidente também divulgou valores que o Governo Federal teria aplicado durante a pandemia do coronavírus. Os valores foram contestados pelos governadores.

Por conta da situação grave da pandemia do coronavírus no Brasil, vários governadores decretaram medidas de intensificação do isolamento social, como o fechamento do comércio, medidas que desagradam o presidente. Bolsonaro também faz críticas ao uso da máscara como medida de controle da transmissão do coronavírus e aparece em público sem utilizar a máscara.

Na última sexta-feira (26), Bolsonaro disse que “os governadores que decretarem fechamento do comércio, terão que arcar com as consequências”.

Na carta, os governadores disseram que os repasses são uma “obrigação constitucional do governo federal” e que “a parcela efetivamente enviada para a área de saúde foi absolutamente minoritária”.

Para os governadores, Bolsonaro tratou os repasses como se fossem uma “concessão ou um favor aos governos estaduais”. Eles ressaltaram que, na verdade, se trata de “expresso mandamento constitucional”.

Eles afirmaram que entre os repasses estão os valores do auxílio emergencial, “iniciativa do Congresso Nacional, a qual foi indispensável para evitar a fome de milhões de pessoas”.

Governadores dizem que o governo parece “priorizar a criação de confrontos”. “Os Governadores dos Estados abaixo assinados manifestam preocupação em face da utilização, pelo Governo Federal, de instrumentos de comunicação oficial, custeados por dinheiro público, a fim de produzir informação distorcida, gerar interpretações equivocadas e atacar governos locais. Em meio a uma pandemia de proporção talvez inédita na história, agravada por uma contundente crise econômica e social, o Governo Federal parece priorizar a criação de confrontos, a construção de imagens maniqueístas e o enfraquecimento da cooperação federativa essencial aos interesses da população”, diz o texto.

Os 19 governadores que assinam a carta são:

  • Renan Filho (MDB), Alagoas
  • Waldez Góes (PDT), Amapá
  • Rui Costa (PT), Bahia
  • Camilo Santana (PT), Ceará
  • Renato Casagrande (PSB), Espírito Santo
  • Ronaldo Caiado (DEM), Goiás
  • Flávio Dino (PC do B), Maranhão
  • Helder Barbalho (MDB), Pará
  • João Azevedo (Cidadania), Paraíba
  • Ratinho Júnior (PSD), Paraná
  • Paulo Câmara (PSB), Pernambuco
  • Wellington Dias (PT), Piauí
  • Cláudio Castro (PSC), Rio de Janeiro
  • Fátima Bezerra (PT), Rio Grande do Norte
  • Eduardo Leite (PSDB), Rio Grande do Sul
  • João Doria (PSDB), São Paulo
  • Belivaldo Chagas (PSD), Sergipe

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