Covid-19: UPA de Ponta Grossa suspende atendimento para novos pacientes: médicos relatam colapso

Médicos da UPA Santa Paula, em Ponta Grossa, relatam colapso no atendimento. “Não tem condições de atendimento de pacientes graves de Covid-19”, dizem os médicos. (Foto: PMPG)

Novamente a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ponta Grossa, localizada no Núcleo Santa Paula, suspendeu o atendimento para novos pacientes. O local recebe pacientes de Covid-19 com quadros moderados e graves.

Segundo o Instituto de Saúde e Cidadania, responsável pela gestão da UPA, “não há condições de receber novos pacientes”, informou o Instituto nesta terça-feira (15).

No entanto, a Prefeitura de Ponta Grossa negou a informação sobre a suspensão dos atendimentos da UPA Santa Paula.

Na segunda-feira (14), o Corpo Clínico da UPA enviou uma carta sobre a situação de colapso da UPA.

Veja o que escreveram os médicos da UPA:

Carta do Corpo Clínico da Unidade de Pronto Atendimento – UPA Santa Paula – Ponta Grossa/PR

Em decorrência do aumento significativo das contaminações pelo novo coronavírus no Município de Ponta Grossa/PR e na região dos Campos Gerais, bem como o total esgotamento dos recursos em razão da ocupação de todos os leitos destinados ao atendimento de pacientes com COVID, a situação da UPA Santa Paula é extremamente crítica. Pacientes graves que demandam cuidados intensivos e que, idealmente, seriam transferidos em pouco tempo para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), permanecem durante dias em nossa unidade devido a falta de leitos. Em razão desta demanda, a UPA tem funcionado como UTI, apesar de não ser dotada dos equipamentos necessários para prestar o devido atendimento, como gasômetro, hemodiálise, tomografia, médicos especialistas e rotineiro, por exemplo.

Além disso, há meses nossa unidade vem apresentando problemas com a rede de oxigênio, sendo solicitado diversas vezes pelos médicos plantonistas que o problema seja sanado, porém, até o momento, não tivemos uma solução satisfatória. A UPA conta apenas com um compressor odontológico para manter a vida dos pacientes intubados e chega a atender simultaneamente até doze pacientes em ventilação mecânica cujas vidas dependem de um aparelho inadequado para este fim. Além disso, este compressor, que já vinha apresentando problemas há semanas, parou de funcionar há alguns dias, não sendo consertado de forma eficaz até então.

Nesse momento há na UPA diversos pacientes em condições clínicas graves e que necessitam de intubação, porém não há condições estruturais para que a manutenção desses pacientes em um respirador seja segura.

O sistema de saúde da cidade de Ponta Grossa encontra-se em situação crítica há meses, mas apresenta piora progressiva e entrou novamente em completo colapso. O Corpo Clínico da UPA Santa Paula já expôs a gravidade da situação diversas vezes às autoridades, não sendo conivente com o descaso à saúde da população. Nós, como médicos da única Unidade de Pronto Atendimento com portas abertas para o atendimento de queixas respiratórias na cidade de Ponta Grossa, consideramos que a Secretaria Municipal de Saúde não está garantindo as condições mínimas necessárias para o atendimento da população, além de parecer omissa às diversas notificações realizadas pelo corpo clínico ao longo dos últimos meses, não apresentando soluções eficazes para a problemática exposta.

Informamos então que, nesse momento, a Unidade não tem condições de manter o suporte aos pacientes graves, bem como de receber novos pacientes, até que a estrutura necessária para atender a demanda seja restabelecida. Estamos empreendendo todos os nossos esforços para atender a população da melhor forma possível, cumprindo com nosso juramento e tomando todas as providências possíveis para que cada paciente seja devidamente atendido, dentro das nossas possibilidades.

Ponta Grossa/PR, 14 de junho de 2021

Corpo Clínico da Unidade de Pronto Atendimento de Ponta Grossa (Unidade Santa Paula)

“UPA Santa Paula aluga usina para produção própria de oxigênio”, segundo a Prefeitura de Ponta Grossa

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Santa Paula alugou uma usina elétrica de oxigênio para iniciar a própria produção do insumo. A instalação da nova estrutura começou nesta segunda-feira (14), com previsão de começo do funcionamento integral até o fim desta semana.

O contrato de aluguel da usina é de seis meses, com custo mensal de manutenção de R$ 65 mil. Segundo a prefeitura, o valor representa uma de 67,17% ao mês com gastos nas compras de cilindros.

Conforme balanço disponibilizado pela Fundação Municipal de Saúde, o consumo de oxigênio da UPA Santa Paula chegou a cerca de R$ 190 mil no mês durante a pandemia. A unidade atende exclusivamente casos graves e moderados da Covid-19.

Para a montagem da usina, a UPA passou por mudanças, entre elas o reforço na rede elétrica da unidade.

O secretário de saúde do município, Rodrigo Manjabosco, “o objetivo da prefeitura é ter uma usina própria para funcionar, também, na distribuição de oxigênio para as demais estruturas de saúde municipais”.

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