Secretário de Saúde de PG diz que lotação nas UPAs ocorre por falta de leitos em hospitais do Estado

O secretário de Saúde de Ponta Grossa, Rodrigo Manjabosco, discordou de algumas falhas apontadas na auditoria do Estado, mas reconheceu problemas estruturais no Pronto Socorro e na UPA Santana. (Foto: PMPG)

Em entrevista à Rádio Clube e ao Blog da Mareli Martins, nesta segunda-feira (29), o secretário de Saúde de Ponta Grossa, Rodrigo Manjabosco, falou sobre a auditoria da Secretaria de Saúde de Estado (Sesa), que apontou irregularidades no atendimento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santana e no Hospital Amadeu Puppi (Pronto Socorro).

O secretário também falou sobre a superlotação da UPA Santana e da UPA Santa Paula, que atende adultos e crianças e a respeito das 3 mil doses de vacinas contra a Covid-19 que venceram e não foram aplicadas.

Sobre a superlotação na UPA Santana, conforme o secretário de Saúde de Ponta Grossa, Rodrigo Manjabosco, a UPA Santana atende 240 pacientes por dia, em média. E nos dias de pico são aproximadamente 300 pacientes.

Mas segundo o secretário, a superlotação é pela demora na liberação de leitos em hospitais, que é feita pela Central de Regulação de Leitos do Estado.

“A lotação é porque faltam vagas para a transferência para os hospitais, por meio da Central de Regulação que é feita pelo governo do estado. Muitas vezes nós não temos leitos em Ponta Grossa e os pacientes são transferidos para Curitiba ou Campo largo. Está muito difícil conseguir esses leitos e a UPA é um serviço de meio, mas faltam leitos em hospitais”, esclareceu.

De acordo com secretário, o tempo de espera por leitos ainda é longo, mas já foi pior. “Já esteve pior, quando pessoas aguardavam sete dias por um leito em hospital no estado. Hoje esse tempo está reduzindo gradativamente de três a dois dias, em média”.

Secretário discorda de algumas falhas apontadas na auditoria

O secretário disse que não concorda com todas as falhas apontadas pelo Estado, mas disse que os erros serão corrigidos.

“Nós não concordamos com alguns pontos, como por exemplo, sobre a existência de profissionais trabalhando sem o registro do CRM (Conselho Regional de Medicina. Isso não é verdade e nós com documentos, o profissional nem trabalha no estado do Paraná”, disse o secretário.

O secretário reconheceu que é preciso reformas estruturais nos prédios da UPA Santana e no Pronto Socorro. “Existem problemas estruturais, situações que precisam de reforma, mas para isso dependemos de orçamento”, afirmou.

Manjabosco também reconheceu que os problemas estruturais do Pronto Socorro são antigos e destacou que o município busca soluções junto ao Governo do Estado.

“Não se tratam de apenas goteiras, será necessário um reforma completa no Pronto Socorro. Nós dependemos de recursos orçamentários para que isso aconteça. Estamos em conversa com o Estado na busca de soluções e também precisamos saber para onde irão os serviços enquanto ocorre a reforma”.

Por falta de licença sanitária, UTI do Pronto Socorro não está credenciada no Estado

Questionado sobre a falta de credenciamento da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pronto Socorro, o secretário confirmou a informação e disse somente depois da reforma, com a licença sanitária em dia, o credenciamento será possível

Quando não tem licença sanitária, o hospital perde o credenciamento sem contrato com o Estado, o município tem que bancar os serviços sem contratos com Estado. A licença sanitária somente será possível depois da reforma completa do local”, disse.

O secretário destacou que o atendimento da UTI do Pronto Socorro não vai parar porque a prefeitura está mantendo os serviços com recursos próprios.

Falta de credenciamento da UPA Santana

Por ainda não estar credenciada junto ao Ministério da Saúde, a UPA Santana não recebe recursos do Governo Federal. O secretário explicou o processo para o credenciamento da UPA. “Temos que credenciar a UPA no Ministério da Saúde, dentro de alguns critérios, um deles é pelo volume de produção. Por isso, estamos fazendo o levantamento do histórico de atendimento e mandamos mensalmente para o Ministério da Saúde. Dessa forma, assim que abrir o novo credenciamento, vamos solicitar o credenciamento e esperamos que  nossa UPA seja contemplada”.

Funcionamento do Pronto Atendimento Infantil na UPA Santa Paula

O secretário explicou que as mudanças começaram durante o pico da pandemia, quando havia a necessidade da liberação de leitos no Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais, dessa forma, a maternidade foi transferida do Regional para o Hospital da Criança

“O Hospital da Criança foi doado para a UEPG (Estado) num contexto em que o Hospital Regional precisava da liberação de leitos para o atendimento de pacientes da Covid-19. Com a transferência da maternidade para o Hospital da Criança foi possível aumentar o número de leitos para pacientes com Covid, Com isso, o Hospital da Criança se transformou em Hospital Materno Infantil e nós acreditamos que isso vai melhorar os serviços de alta complexidade. Antes muitas crianças eram transferidas para outros hospitais do Estado e hoje estão sendo atendidas neste hospital”, destacou o secretário.

Sobre a sobrecarga na UPA Santa Paula, que hoje atende adultos e criança no pronto atendimento, Manjabosco disse que a prefeitura busca melhorar a resolutividade das Unidades Básicas de Saúde para diminuir a demanda da UPA.

“Não houve fechamento do PAI no Hospital da Criança, pois este atendimento sempre funcionou na UPA Santa Paula. Para resolver o problema da demanda, estamos buscando ampliar o horário de atendimento de algumas unidades básicas de saúde”, disse.

O secretário destacou que a questão de colocar o Pronto Atendimento Infantil (PAI) no Hospital da Criança é uma discussão que precisa ocorrer com o Governo do Estado.

Vacinas contra a Covid-19 vencidas e não aplicadas

Sobre as 3 mil doses de vacinas vencidas contra a Covid-19 em Ponta Grossa, Manjabosco disse que o número está dentro das perdas previstas no Plano Nacional de Imunização do Ministério da Saúde.

“Essas doses estavam com prazo de validade vencida e o município não aplica doses vencidas e dentro de uma reserva técnica, estas doses estão dentro do plano de imunização. Das 570 mil doses que Ponta Grossa recebeu, essa doses vencidas representa 0,6% e estão previstas dentro do plano de imunização, como doses perdidas, por perda técnica, por vencimento, por quebra de frasco ou diluição incorreta. E isso não afetou a imunização em Ponta Grossa”.

O secretário não soube responder quanto foi a perda em recursos financeiros pelas 3 mil doses vencidas, mas disse que o procedimento administrativo que está sendo feito pela prefeitura deve trazer estas informações: “não recordo de cabeça quanto custa cada unidade dessa vacina, mas isso também será apurado no processo administrativo”.

O secretário de Saúde disse que informou a 3ª Regional de Saúde sobre o problema com o prazo de vencimento das vacinas, mas destacou que não houve autorização da Regional e da Secretaria de Saúde do Estado para o remanejamento dessas doses para os grupos da vacinação.

“Nós avisamos a Regional de Saúde sobre essa situação, inclusive essas vacinas eram para segunda dose, mas não tivemos a autorização do Estado para o remanejamento de grupos. Depois fizemos reunião e a regional constatou inclusive que em alguns municípios foram aplicadas dose vencidas. Na sequencia o Estado autorizou o remanejamento de doses para outros grupos para evitar a perda de outras doses das vacinas.”

CLIQUE NO LINK PARA OUVIR A ENTREVISTA COM O SECRETÁRIO DE SAÚDE – RODRIGO MANJABOSCO

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