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Em fiscalização no litoral, Requião Filho mostra falhas em obra milionária em Matinhos

Em fiscalização no litoral, Requião Filho mostra falhas em obra milionária em Matinhos
  • Publishedjaneiro 27, 2026
A fiscalização de Requião Filho aconteceu em meio a debates sobre impactos ambientais na região, já que sacos brancos utilizados para evitar novas erosões foram arrastados pelo mar.(Fotos: Aline Davila/Assessoria)

O deputado estadual e pré-candidato ao  Governo do Paraná, deputado Requião Filho (PDT), esteve em Matinhos, no litoral paranaense, para fiscalizar a engorda da praia após o surgimento de novas erosões ao lado do palco que recebe os shows do “Verão Maior Paraná”. A intervenção, que custou R$ 513 milhões e foi concluída em 2022, segue apresentando problemas estruturais, como a formação de paredões de areia com mais de dois metros de altura.

Durante a fiscalização, o parlamentar destacou que não se opõe a investimentos no litoral, nem a iniciativas voltadas ao turismo e à promoção de eventos nas praias paranaenses. No entanto, reforçou que obras públicas precisam gerar benefícios reais e duradouros para a população. Segundo ele, o problema central está no uso sem critério de recursos públicos, aliado à decisão do governo do Paraná de ignorar alertas de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) sobre riscos técnicos do projeto.

“Sou a favor de shows, de obras e de investimentos no nosso litoral. Mas sou a favor de investimentos de verdade, que mudem a vida das pessoas. Dinheiro público é dinheiro sagrado. E quando a gente diz que uma obra pública precisa ter começo, meio e fim, é disso aqui que a gente está falando”, declarou Requião Filho em publicação nas redes sociais.

A fiscalização também aconteceu em meio a debates sobre impactos ambientais na região, já que sacos brancos utilizados para evitar novas erosões foram arrastados pelo mar. Os materiais plásticos foram vistos pela população em outras cidades do litoral, gerando questionamentos sobre a poluição gerada pela medida do governo.

Gastos x Investimentos – O deputado também chamou atenção para a diferença entre gastos com obras sem planejamento e políticas públicas estruturantes para quem vive no litoral durante todo o ano. Ele defendeu que ações voltadas ao verão e à atração de turistas são importantes, mas não podem substituir investimentos permanentes em áreas essenciais.

“Quando a gente fala de obra no litoral, a gente está falando de saneamento básico, de hospital regional funcionando, investimentos nas escolas, na segurança e na saúde de quem mora aqui. Fizeram com pressa e malfeito. Aqui, o seu dinheiro foi jogado no mar, literalmente”, afirmou.

Ao final da visita, Requião Filho reforçou que o desenvolvimento do litoral precisa ser pensado de forma responsável, técnica e voltada às necessidades da população local, garantindo que obras públicas cumpram seu papel social e não se transformem em desperdício de recursos.

 

Sacos parecidos com os usados para evitar paredão de areia em Matinhos são encontrados a 25 km de distância, em Pontal do Paraná

Surfista retirando saco de dentro do mar, em Matinhos — Foto: André Neto

Diversos sacos parecidos com os que foram usados para evitar a formação de um paredão de areia na praia de Matinhos foram encontrados no mar em Pontal do Paraná, nesta quarta-feira (21). Alguns cerca de 25 quilômetros de distância entre um ponto e outro.

O paredão surgiu após uma ressaca – quando ventos fortes e marés mais altas provocam a erosão da orla – e se formou próximo à estrutura dos shows do Verão Maior, promovido pelo Governo do Estado.

A primeira ocorrência do fenômeno foi registrada em 4 de janeiro. Na ocasião, equipes do governo estadual fizeram uma contenção emergencial no local. No dia seguinte, a areia começou a ser recolocada na tentativa de nivelar a orla da praia. Foram usados 1.900 sacos como estes para recompor a orla.

A ressaca formou um novo degrau e derrubou banheiros químicos na areia. Com isso, alguns dos sacos utilizados começaram a aparecer: alguns já vazios, outros se desmanchando. Uma manta usada para conter os bolsões também não está mais inteira. O fato ocorreu no meio do mês de janeiro.

O fotógrafo André Neto registrou o surfista Edson Luiz Vasques retirando um saco grande da água no Pico de Matinhos.

“Estava indo dar minha aula ali para o meu aluno. Vi aquele saco boiando e a primeira atitude que eu tive foi tirá-lo dali para poder manter o local limpo. O mar para mim é sagrado, é de onde eu tiro o meu sustento e pratico esse esporte maravilhoso que é o surf”, afirmou Vasques.

Pesquisadores do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR) também encontraram e recolheram embalagens parecidas nos balneários de Shangri-lá e Pontal do Sul.

“É problemático para a biodiversidade marinha, tanto quando ele tem essa forma maior, quanto quando ele é degradado. O plástico vai ficar centenas de anos no ecossistema e todo o processo de degradação do plástico, ao longo das suas etapas, vai causar diferentes tipos de problema à biodiversidade, e a todo o ecossistema marinho”, afirmou Camila Domit, coordenadora do programa.

O presidente do Instituto Água e Terra (IAT), Everton Luiz da Costa Souza, informou que os sacos são feitos de ráfia e que não são biodegradáveis. Ele, porém, garantiu que seriam recolhidos.

“Todos aqueles sacos que estão aparecendo ali [no paredão] estão sendo recolhidos e serão destinados, ou mesmo reaproveitados, porque a ideia ali foi fazer uma barreira semi rígida para poder absorver os efeitos das forças da maré”, afirmou Souza.

O Ministério Público Federal (MPF) informou que solicitou diligências ao Ibama e que, caso a colocação de sacos plásticos na orla se confirme, isso pode caracterizar poluição e acarretar responsabilidades cíveis e também criminais.

Em nota, o IAT afirmou que, para resolver o processo erosivo, segue trabalhando na manutenção da contenção que havia sido realizada há algumas semanas. Conforme o instituto, os trabalhos de manutenção são realizados com areia retirada de regiões onde houve acréscimo nos últimos anos.

“Os sacos de areia que foram esvaziados e ainda têm condição de uso estão sendo preenchidos novamente. Em caso de danos, eles estão sendo substituídos. A especificação do material corresponde às necessidades de capacidade, volume e resistência. Esse material possui as especificações para o uso em contenções”, diz a nota do IAT.

O Ministério Público Federal (MPF) informou que solicitou diligências ao Ibama e que, caso a colocação de sacos plásticos na orla se confirme, isso pode caracterizar poluição e acarretar responsabilidades cíveis e também criminais.

Em nota, o IAT afirmou que, para resolver o processo erosivo, segue trabalhando na manutenção da contenção que havia sido realizada há algumas semanas. Conforme o instituto, os trabalhos de manutenção são realizados com areia retirada de regiões onde houve acréscimo nos últimos anos.

“Os sacos de areia que foram esvaziados e ainda têm condição de uso estão sendo preenchidos novamente. Em caso de danos, eles estão sendo substituídos. A especificação do material corresponde às necessidades de capacidade, volume e resistência. Esse material possui as especificações para o uso em contenções”, diz a nota do IAT.

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