Custo de vida caro no Paraná: ‘Decisões políticas encarecem a vida da população,’ diz Requião Filho

O Paraná tem o segundo maior custo de vida do Brasil, atrás apenas do Distrito Federal. É o que revelou um levantamento do Serasa, indicando um custo médio mensal do paranaense de R$ 4.300, enquanto a média nacional é de R$ 3.520. A diferença de R$ 780 representa um custo 22,1% superior ao registrado no país como um todo, com um impacto financeiro de R$ 9.300 por ano.
Os dados reforçam a percepção da população ao sentir que paga mais caro por itens essenciais, como alimentação, moradia, contas básicas e transporte. A pesquisa ouviu 6.063 pessoas e considerou despesas como compra no supermercado, aluguel ou financiamento, energia elétrica, água, internet e outros serviços.
Para o deputado estadual Requião Filho (PDT), crítico do aumento de impostos no Paraná, o cenário evidencia um problema estrutural e não individual. “Quando o custo médio de vida no Paraná é quase 23% maior do que a média brasileira, não estamos falando de falta de planejamento das famílias. Estamos falando de decisões políticas que encarecem a vida da população”, afirma.
Segundo o parlamentar, a política tributária estadual é um dos fatores que pressionam os preços, especialmente em itens essenciais. O ICMS incide sobre a circulação de mercadorias e serviços, compondo o preço final de alimentos, combustíveis, material escolar e outros produtos básicos. O aumento no preço dos combustíveis, por exemplo, tem impacto no valor do frete e encarece alimentos e mercadorias em geral.
Outro ponto criticado por Requião Filho é a privatização da Copel. Para ele, a lógica de mercado adotada após a venda da empresa influencia a política tarifária. “A conta de luz pesa cada vez mais no orçamento das famílias. Quando o preço da energia elétrica sobe, puxa junto o valor de produção de alimentos, produtos diversos, além de dificultar o acesso a cuidados com saúde, por exemplo. São prejudicadas as pessoas que vivem tanto no campo quanto na cidade”, diz.
O parlamentar também questiona o contraste entre o protagonismo econômico e produtivo do estado e o custo de vida da população. “O Paraná é chamado de ‘Supermercado do Mundo’, é um dos maiores produtores de alimentos do país, mas o paranaense paga mais caro para viver aqui do que a média dos brasileiros. Esse é o paradoxo que precisa ser enfrentado.”
Para Requião Filho, o debate sobre o encarecimento da vida no Paraná precisa ir além de orientações sobre economia doméstica. Ele defende que a população não pode ser responsabilizada por decisões administrativas que elevam o custo de vida da população, sendo necessária uma revisão da política tributária sobre itens essenciais e uma discussão mais ampla sobre o papel do Estado na proteção do poder de compra da população.
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