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Relatório da FENAJ revela cenário crítico de violência e ataques contra jornalistas no Brasil

Relatório da FENAJ revela cenário crítico de violência e ataques contra jornalistas no Brasil
  • Publishedabril 8, 2026
Relatório da FENAJ revela cenário crítico de violência e ataques contra jornalistas no Brasil. (Imagem: (Abraji)

Por Lorena Santana, Maithê Galdino e Natalia Almeida

No dia 7 de abril é comemorado o Dia do Jornalista no Brasil em homenagem ao médico e jornalista Giovanni Battista Líbero Badaró, assassinado nesta data em 1830 por inimigos políticos. A data foi criada como uma forma de legitimar a atuação e assegurar os direitos dos e das jornalistas. Porém, ainda nos dias atuais, o cenário de ataques contra a categoria se mostra latente 

Em 2024, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) registrou 144 casos de violência contra jornalistas e liberdade de imprensa no Brasil, sendo este, o menor número registrado nos últimos seis anos. A redução nos registros não significa uma diminuição na gravidade da situação, como aponta o relatório. (veja o relatório completo no final da matéria)

A região Sul é a segunda região com o maior crescimento no número de casos, com 31, contra 30 no relatório anterior, ficando atrás apenas da região Norte. E o Paraná, voltou a ser o estado da região Sul com o maior número de notificações, 15, quatro a mais do que em 2023.

Cerca de 16% dos casos são de assédio judicial, quando o agressor utiliza o sistema de justiça para intimidar e/ou censurar a vítima. Os principais autores das agressões são políticos, empresários e líderes religiosos. Entre esses agentes, a maioria se configura no campo ideológico da direita e extrema direita, respondendo por mais de 40% dos casos registrados neste Relatório.

 

TIPOS DE AGRESSÃO

Mesmo com redução nos números, relatório da Federação Nacional dos Jornalistas revela cenário ainda crítico, com aumento de casos no Paraná e relatos de violência física, verbal e institucional. (Fonte: Relatório de 2024, FENAJ)

Jornalista Mareli Martins já sofreu ataques e tentativas de intimidações

Mareli Martins é jornalista independente em Ponta Grossa, com atuação no Paraná.

A jornalista independente Mareli Martins, que atua em Ponta Grossa, conta que antes de migrar para a área política, ela sofreu diversos ataques misóginos na área esportiva. Por se tratar de uma figura feminina, era bastante descredibilizada por parte da comissão técnica, jogadores e torcedores. “Muitas vezes, por ser mulher, acabava escutando um palavrão ou frases desrespeitosas. Insinuavam que eu não entendia sobre aquele esporte, principalmente o futebol”.

A região Sul apresentou a menor diferença percentual entre agressões a homens e mulheres, com 16 casos contra homens (50%) e 13 contra mulheres (40,63%). Santa Catarina e Paraná foram os únicos estados onde as vítimas femininas superaram os homens. Em Santa Catarina, foram cinco mulheres em oito casos, e no Paraná, sete mulheres e seis homens.

Mareli relata casos de violência de quando começou a trabalhar com a política. Um deles foi com o ex-governador Beta Richa na inauguração de uma fábrica em Castro. “Quando eu cheguei para fazer a entrevista e estiquei o braço para virar o microfone, um dos seguranças vem e me dá uma cotovelada. O microfone caiu e mesmo assim eu fiz uma pergunta pra ele [Beto Richa] e ele respondeu, eu não vou falar com você”.

Em 2015, a jornalista foi agredida verbalmente pelo ex-vereador Alysson Zampieri, do PPS, atual Cidadania, de Ponta Grossa. Ela o questionou sobre o não comparecimento na Câmara Municipal no horário das sessões legislativas que consta no regimento da casa. O vereador não respondeu à pergunta e declarou: “Não dou entrevista para jornalista que nos ataca.” Ele também assediou moralmente a jornalista, dizendo que daria entrevista apenas ao dono da rádio e a um dos comentaristas da emissora.

O ataque mais recente relatado pela jornalista foi  do ex-Deputado Federal Sandro Alex durante as últimas eleições municipais de Ponta Grossa, referente à campanha de seu irmão, Marcelo Rangel. Mareli cobriu o lançamento de pré-campanha de Rangel e ela registrou que o candidato fugiu de entrevistas e de manifestantes. A matéria causou indignação em Sandro Alex que começou um ataque virtual contra a jornalista em aplicativos de conversa.

 

Medidas de acolhimento 

Aline Rios do Sindijor. (Foto: Camila Souza/Elos/UEPG)

A representante sindical, Aline Rios, explica que em 2017, o Paraná criou um Protocolo próprio para o acolhimento e atendimento a jornalistas vítimas de violência, devido ao exercício da profissão. No ano seguinte, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) avançou no sentido de ter um Protocolo Nacional.

O primeiro passo do protocolo seguido pelo sindicato consiste no acolhimento da vítima para o entendimento do caso e identificação do encaminhamento necessário. O Paraná conta com assessoria jurídica trabalhista e previdenciária, porém não possui assessoria jurídica criminal.

Em seguida, o caso é oficializado com a intenção de registrar a situação a fim de mobilizar políticas públicas e órgãos competentes.

Além disso, é feita uma denúncia pública para que a situação seja exposta com o intuito de sensibilizar a população.

Por fim, o sindicato busca acompanhar os encaminhamentos para se certificar de que o agressor será responsabilizado.

Aline ressalta a importância do fortalecimento dessas iniciativas e da atuação conjunta de diferentes instâncias para a proteção da categoria. “É essencial a atividade de atores institucionais como garantidores da nossa atividade e do direito da sociedade de ser informada”.

 

Linha histórica de ataques contra jornalistas e organizações jornalísticas nos últimos nove anos. Dados da FENAJ

2024 144 casos
2023 181 casos
2022 376 casos
2021 430 casos
2020 428 casos
2019 208 casos
2018 135 casos
2017 99 casos
2016 161 casos

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