Mais de 30 milhões de votos não válidos e alianças estaduais movimentam segundo turno presidencial

Governadores dividem-se entre apoio a Lula, Flávio Bolsonaro e neutralidade; seis estados e o Distrito Federal também terão segundo turno para governador.
Com a definição do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), a atenção se volta para os eleitores que votaram nos candidatos que não avançaram na disputa. Os apoios anunciados por essas candidaturas e por lideranças políticas podem influenciar o debate nesta nova etapa, enquanto os votos brancos, nulos e as abstenções representam uma parcela expressiva do eleitorado.
Além da disputa presidencial, sete unidades da Federação terão segundo turno para governador: Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantinsseis disputas estaduais, além da distrital. Os resultados do primeiro turno e os posicionamentos das lideranças regionais acrescentam novos elementos ao cenário eleitoral.
Apoio a Flávio Bolsonaro
Entre os candidatos que declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante) aparece com 3.448.569 votos, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 2.605.148. Também estão nesse grupo Romeu Zema (Novo), que recebeu 326.488 votos, e Clariana Baião (DC), com 40.043.
Somados, os candidatos desse grupo receberam 6.420.248 votos. O número dimensiona o eleitorado que votou nessas candidaturas no primeiro turno, mas não significa que todos esses eleitores necessariamente acompanharão os apoios anunciados.
Entre as lideranças estaduais relacionadas ao campo de apoio a Flávio estão Daniel Vilela (MDB), de Goiás; Otaviano Pivetta (Republicanos), de Mato Grosso; Eduardo Riedel (PP), de Mato Grosso do Sul; Cleitinho Azevedo (Republicanos), de Minas Gerais; Sergio Moro (PL), do Paraná; Dr. Daniel (Podemos), do Pará; Zucco (PL), do Rio Grande do Sul; Douglas Ruas (PL), do Rio de Janeiro; Marcos Rogério (PL), de Rondônia; Arthur Henrique (PL), de Roraima; Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina; e Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo.
Esses apoios ampliam a participação de lideranças regionais na campanha presidencial. A atuação de governadores e de outras figuras políticas pode contribuir para a mobilização partidária, embora não determine automaticamente o voto dos eleitores de seus estados.
Apoio a Lula
Do outro lado, os candidatos que declararam apoio a Lula (PT) são Samara Martins (UP), com 122.911 votos; Hertz Dias (PSTU), com 43.103; e Edmilson Costa (PCB), com 22.693. Juntos, eles receberam 188.707 votos no primeiro turno.
Entre os governadores e líderes estaduais que, conforme o levantamento apresentado, apoiam Lula estão Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia; Elmano de Freitas (PT), do Ceará; Lucas Ribeiro (PP), da Paraíba; Rafael Fonteles (PT), do Piauí; e Fábio Mitidieri (PSD), de Sergipe.
A presença de políticos de diferentes partidos nesse grupo demonstra que os apoios presidenciais não se limitam às legendas dos candidatos. As alianças também envolvem relações políticas regionais e articulações entre partidos.
A transferência desses votos, entretanto, não é automática. Cada eleitor pode seguir a orientação do candidato em quem votou, manter sua preferência anterior ou optar por outra alternativa.
Lideranças que não declararam apoio
Outro grupo reúne lideranças que, segundo as informações levantadas, não declararam apoio a nenhum dos dois candidatos presidenciais. Entre elas estão João Henrique Holanda Caldas, conhecido como JHC (PSDB), de Alagoas; Dr. Furlan (PSD), do Amapá; Eduardo Braide (PSD), do Maranhão; e Raquel Lyra (PSD), de Pernambuco.
A neutralidade dessas lideranças mantém em aberto sua participação na disputa presidencial. Mesmo sem uma declaração de apoio, suas posições podem ser acompanhadas pelas campanhas, especialmente em estados onde a mobilização política regional tem relevância.
A ausência de posicionamento público, porém, não deve ser interpretada como sinal de preferência eleitoral dos cidadãos desses estados.
Segundo turno para governador: veja os candidatos e os votos do primeiro turno
Além da disputa presidencial, seis estados e o Distrito Federal terão segundo turno para o governo. Os números abaixo são os informados no levantamento apresentado para a matéria.
Acre
- Mailza Assis (PP): 218.760 votos.
- Alan Rick (Republicanos): 141.859 votos.
Mailza Assis e Alan Rick disputam o governo acreano após terminarem o primeiro turno entre os candidatos mais votados.
Amazonas
- Omar Aziz (PSD): 841.846 votos.
- Professora Maria do Carmo (PL): 507.335 votos.
A disputa amazonense será entre Omar Aziz, do PSD, e Professora Maria do Carmo, do PL, que buscam ampliar suas bases eleitorais na etapa final.
Distrito Federal
- Celina Leão (PP): 825.530 votos.
- Leandro Grass (PT): 569.930 votos.
No Distrito Federal, Celina Leão e Leandro Grass avançam para o segundo turno em uma disputa que também poderá envolver alianças partidárias e apoio de lideranças nacionais.
Espírito Santo
- Lorenzo Pazolini (Republicanos): 1.048.633 votos.
- Ricardo Ferraço (MDB): 719.397 votos.
Lorenzo Pazolini e Ricardo Ferraço disputarão o governo capixaba. Os apoios políticos e a capacidade de mobilização dos dois grupos estarão entre os elementos da campanha até a votação.
Rio Grande do Norte
- Allyson (União Brasil): 733.809 votos.
- Cadu de Lula: 718.300 votos.
A disputa potiguar reúne Allyson, do União Brasil, e Cadu de Lula. A diferença entre os números apresentados é de 15.509 votos, o que coloca a transferência de apoios e a mobilização dos eleitores no centro da campanha estadual.
Tocantins
- Professora Dorinha (União Brasil): 386.260 votos.
- Vicentinho Júnior (PSDB): 372.848 votos.
No Tocantins, Professora Dorinha e Vicentinho Júnior chegam ao segundo turno com uma diferença de 13.412 votos nos números informados.
As disputas estaduais têm dinâmicas próprias e não devem ser interpretadas exclusivamente como reflexos da eleição presidencial. As alianças locais, as propostas dos candidatos e a avaliação das administrações estaduais também podem influenciar a decisão dos eleitores.
Brancos, nulos e abstenções somam mais de 39 milhões
Além dos votos destinados aos candidatos derrotados, os números de votos brancos, nulos e abstenções chamam a atenção.
Foram registrados 3.674.249 votos nulos e 2.300.798 votos em branco. Juntos, esses dois grupos representam 5.975.047 votos que não foram destinados a uma candidatura válida.
A abstenção chegou a 33.469.244 eleitores que não compareceram às urnas. Somados os três números, são 39.444.291 registros de votos brancos, nulos e de abstenção.
É importante distinguir essas categorias: votos brancos e nulos são registrados entre os eleitores que comparecem à votação, enquanto a abstenção corresponde a quem não comparece. Por isso, não se deve tratar os três grupos como se fossem uma única categoria eleitoral.
Também não é possível presumir que eleitores que votaram em branco ou anularam o voto no primeiro turno repetirão a escolha no segundo. Da mesma forma, os números de abstenção não revelam, por si só, a preferência política de quem deixou de votar.
Disputa entra em nova fase
O cenário eleitoral reúne diferentes frentes: os apoios anunciados por candidatos derrotados, as articulações de governadores e lideranças regionais, as disputas estaduais e a participação dos eleitores.
Os números do primeiro turno ajudam a dimensionar os eleitorados de cada candidatura, mas não permitem prever quantos votos serão transferidos para Flávio Bolsonaro ou Lula. Da mesma forma, os apoios de lideranças políticas não representam, necessariamente, uma adesão integral de seus eleitores.
Com milhões de votos distribuídos entre candidaturas derrotadas, votos brancos, nulos e abstenções, o segundo turno será marcado pela busca por alianças e pela mobilização do eleitorado. A decisão final, tanto na disputa presidencial quanto nas eleições estaduais, caberá aos eleitores nas urnas.




