Ministra reclama do salário de R$ 33,7 mil e diz que isso “se assemelha ao trabalho escravo”

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“Eu tenho uma representatividade. Não de luxo, mas de pelo menos me apresentar trajada dignamente. É cabelo, é maquiagem, é perfume, é roupa, é sapato, é alimentação”, disse a ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, ao defender o salário de R$ 61 mil. (foto: Givaldo Barbosa / Agência O Globo )

No mesmo momento em que o presidente Michel Temer (PMDB) decide se o salário mínimo dos brasileiros passará dos atuais R$ 937,00 para R$ 969,00 ou 979,00 a ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, causou polêmica ao reclamar do salário de R$ 33,7 mil e chegou a comparar o salário que recebe à atividade escrava.

O salário da ministra é de R$ 30.900 e sua aposentadoria como desembargadora é de R$ 30.400. Caso o pedido fosse aceito pelo governo, ela receberia mais de R$ 61 mil por mês. Por conta repercussão do caso, Luislinda Valois teve que desistir do pedido.

Pra começar é impossível viver com o salário mínimo no Brasil. E o pior é ouvir uma ministra que deveria ser de fato dos “direitos humanos” reclamar por receber R$ 33,7 mil, valor que está muito longe da realidade dos trabalhadores brasileiros. Mas infelizmente os salários muito altos são comuns para “certos cargos em comissão”. Na Assembleia legislativa do Paraná, por exemplo, tem assessor de deputado ponta-grossense recebendo R$ 24 mil por mês. Valor que não condiz com o serviço prestado! Aliás, qual é o serviço?

Voltando ao caso da ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, que já foi juíza da comarca de Itapetinga nos anos 80, entrou com um pedido junto ao Governo Federal, segundo o Jornal Estadão, para acumular o seu atual salário com o de desembargadora aposentada, o que daria um vencimento de R$ 61,4 mil.

O salário da ministra é de R$ 30.900 e sua aposentadoria como desembargadora é de R$ 30.400. Caso o pedido fosse aceito pelo governo, ela receberia mais de R$ 61 mil por mês.
O caso foi revelado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. Em entrevista à rádio CBN de São Paulo, Luislinda confirmou o pedido e disse que, como ministra tem “representatividade” e precisa se apresentar “trajada dignamente”.

“Eu, como desembargadora aposentada, posso botar um chinelinho simples e ir a qualquer lugar. Mas como ministra de Estado, não posso fazer isso. Eu tenho uma representatividade. Não de luxo, mas de pelo menos me apresentar trajada dignamente. É cabelo, é maquiagem, é perfume, é roupa, é sapato, é alimentação. Porque, se eu não me alimentar, eu vou adoecer e, aí, vou dar trabalho para o Estado. É tudo isso que tem que ter. Então, eu pedi, formulei o pedido, como qualquer pessoa que se achar no direito pode requerer. Estou com um salário aqui, neste mês, de R$ 2.700. Para uma responsabilidade que se tem”, disse Luislinda Valois.

No pedido, Luislinda justifica que por causa da regra do teto constitucional seu salário de ministra cai para R$ 3.292 brutos. O de desembargadora, de R$ 30.471,10, é preservado (o somatório dos dois, o que ela recebe, equivale justamente ao teto). Como ministra, ela tem direito a carro com motorista, jatinho da FAB, cartão corporativo e imóvel funcional. A ministra diz que não pode ficar sem receber pelo trabalho no governo, caso contrário, seria trabalho escravo.

(Com informações dos Jornais O Globo e Estadão e da Rádio CBN de São Paulo)

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