“Corrupção nos pedágios deixou um rastro de sangue e morte nas rodovias ”, afirma procurador Dallagnol

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Se tivéssemos todas as rodovias federais duplicadas no Paraná, poderíamos vidas teriam sido salvas”,  disse o procurador da República, Deltan Dallagnol. (foto:divulgação- MPF)

Em entrevista coletiva na segunda-feira (29), em Curitiba, procurador da República, Deltan Dallagnol, disse que os prejuízos causados pela máfia dos pedágios no Paraná vão além dos valores bilionários. (Ouça a reportagem completa da Rádio T ao final do texto)

Segundo Deltan, muitas mortes que ocorreram nas rodovias, teriam sido evitadas, caso as concessionárias tivessem feito as obras previstas em contrato, como de duplicação, por exemplo.

“A corrupção no pedágio deixou um rastro de sangue e morte nas rodovias do Paraná. “Há uma drástica redução no número de colisões frontais quando uma estrada é duplicada. Se tivéssemos todas as rodovias federais duplicadas no Paraná, poderíamos ter salvo trezentas e sessenta vidas nos últimos cinco anos, assumindo uma razoável redução de noventa por cento no no número das colisões frontais no caso da duplicação”.

Segundo o MPF, o esquema desviou R$ 8,4 bilhões por meio do aumento de tarifas de pedágio do Anel de Integração, e de obras rodoviárias não executadas. A propina paga em troca dos benefícios, conforme os procuradores, foi estimada em pelo menos R$ 35 milhões. Estes valores podem ser ainda maiores, com o decorrer das investigações.

As empresas que fazem parte do esquema, segundo o Ministério Público, são a CCR Rodonorte, Econorte, Viapar, Caminhos do Paraná, além das que integram o grupo CR Almeida, Ecovia e Ecocataratas.

Os crimes são relacionados à operação Integração, pela qual Richa foi preso na última sexta-feira, acusado de tentativa de obstrução das investigações. De acordo com os procuradores, ao longo de quase duas décadas houve pagamento de propina pelas concessionárias, em troca de aditivos contratuais que cancelavam obras e aumentavam as tarifas.

Lava Jato denuncia Beto Richa, irmão e mais 32 por esquema de corrupção no pedágio
A força-tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR) denunciou nesta segunda-feira (28), o ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB) e o seu irmão José Richa Filho (ex-secretário de Infraestrutura e Logística) pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva e participação em com a máfia das concessionárias de pedágio do Paraná.

Segundo o MPF, o esquema desviou R$ 8,4 bilhões por meio do aumento de tarifas de pedágio do Anel de Integração, e de obras rodoviárias não executadas. A propina paga em troca dos benefícios, conforme os procuradores, foi estimada em pelo menos R$ 35 milhões.

Irregularidades passaram por todos os governos desde 1997

Segundo o MPF, a prática acontece há 20 anos no estado. O esquema no governo de Jaime Lerner, depois passou pelo governo de Roberto Requião e Beto Richa. Conforme o procurador do Ministério Público Diogo Castor de Mattos, os crimes prescreveram para gestores públicos anteriores a Richa. “Do ponto de vista criminal, nós temos prescrição. O prazo é curto e se a pessoa tem mais de 70 anos, o período já conta pela metade”, afirmou.

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