“A defesa da democracia é algo inegociável”, diz deputado Aliel Machado: veja a entrevista

O deputado Aliel Machado (PV) participou nesta quinta-feira (8) do programa semanal de entrevistas do Portal Mareli Martins. O deputado abordou temas sobre a questão dos EUA e a Venezuela, o veto do presidente Lula (PT) ao PL da Dosimetria (que diminuiria penas de condenados, como os de 8 de janeiro), a questão da saúde do ex-presidente Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe e que segue preso. (Veja a entrevista completa no final da matéria)
E ainda em relação temas locais e regionais, a boa relação com o governo da prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt (União Brasil), a possibilidade de ser candidato a prefeito em 2028. As eleições no Paraná em 2026, as brigas com o deputado estadual Marcelo Rangel (PSD).
Aliel Machado destacou como grande avanço para Ponta Grossa e a região dos Campos Gerais a construção do Ambulatório do Câncer e a construção de bunker para abrigar um equipamento radioativo usado no tratamento de câncer. O modelo adquirido para o local é inédito na América do Sul.
Intervenção dos EUA na Venezuela
Aliel criticou o presidente Nicolás Maduro, disse que ele destruiu a Venezuela e também condenou o regime da ditatura imposto por Maduro. No entanto, o deputado ressaltou que Donald Trump não invadiu a Venezuela por esse motivo e sim por uma política imperialista de dominação americana.
“Maduro não é exemplo pra ninguém, ele é um ditador, comandou um regime que deteriorou a Venezuela, coagindo instituições, jornalistas, mas não é esse o debate. Os EUA tirou pontualmente o Maduro, só que fez acordo com o mesmo regime que implementou a ditadura na Venezuela. Trump fez acordo político com o governo atual da Venezuela por meio da vice-presidente. Diversas atitudes do Trump mostram que suas ações não são pra combater a ditadura e sim de impor o regime do antigo imperialismo, ou seja, de querer dominar e ser dono do outro país e isso é perigoso e abre precedentes”, disse.
Sobre a proximidade de Lula com Maduro, Aliel disse que Lula não reconheceu as eleições na Venezuela: “o Brasil não reconheceu a eleição do Maduro na Venezuela e isso ficou claro”.
Questionado se o fato de Lula ter recebido Maduro no Brasil pode prejudicar a imagem do presidente, Aliel voltou a dizer que o Brasil não reconheceu a suposta vitória de Maduro na Venezuela e afirmou que é natural que Lula se relacione com presidentes de outros países.
“Como presidente ele fala com presidentes de outros países, é preciso entender isso. O fato concreto é que o Brasil não reconheceu a eleição na Venezuela porque não teve instrumento legal que comprovasse que a eleição foi correta e o resto é narrativa”, apontou.
Para o deputado, brasileiros que se orgulham de mostrar a bandeira dos EUA não são patriotas. “Fico abismado de ver gente e lideranças políticas com bandeiras dos EUA, pois isso pode ser tudo menos patriotismo, isso é lesa pátria”.
“A defesa da democracia é algo inegociável”, diz Aliel Machado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integramente, nesta quinta-feira (8), o Projeto de Lei nº 2.162 de 2023, conhecido como PL da Dosimetria, aprovado em dezembro pelo Congresso Nacional. O texto prevê a redução de penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado.
Para Aliel, os atos de 8 de janeiro foram o estopim de algo que foi construído ao longo dos anos, com mentiras e tentativas de ataques às instituições.
“Pra tudo tem um limite e defender a democracia tem que ser inegociável, não se trata de questão ideológica, se trata de liberdade. Essa situação aconteceu ao longo dos anos pra enfraquecer as instituições com mentiras sobre as vacinas, sobre os SUS, sobre as eleições e isso não pode acontecer. Tem que punir pessoas, partidos, líderes, mas nunca atacar as instituições. E o estopim de tudo isso foi tentar forçar que o resultado da eleição não fosse respeitado. Mas com tudo que vinha acontecendo, com ocupação de quartel, mentiras que iriam fechar igrejas e outras mentiras, tudo culminou no que aconteceu no dia oito de janeiro. Nós temos obrigação de defender a democracia”, destacou.
O PL da Dosimetria determina que os crimes de tentativa de acabar com o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão no uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as penas.
O foco do projeto é uma mudança no cálculo das penas, “calibrando a pena mínima e a pena máxima de cada tipo penal, bem como a forma geral de cálculo das penas”. O texto reduz também o tempo para progressão do regime de prisão de fechado para semiaberto ou aberto.
Tais mudanças poderiam beneficiar condenados pelo 8 de janeiro, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, além dos militares Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil; e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
O projeto de lei também reduziria o tempo de progressão de pena para alguns criminosos comuns.
Situação de Bolsonaro
A família de Bolsonaro tem forçado a narrativa de que ele está muito doente e não pode ficar preso na sala especial onde está (na sala da sede da Polícia Federal) e precisaria de prisão domiciliar.
A opinião de Aliel é que dentro do direito o ex-presidente tem o direito de pedir esse benefício, mas isso tem que ser avaliado por médicos.
“O Bolsonaro está numa sala separada, com ar condicionado, com banheiro privativo, é diferente de um presidio, não é insalubre e acho que tem que ser assim, não acho que tem ser diferente. Agora ele tem uma idade avançada e passou por várias cirurgias. Acho que não deve ter nem privilégios e nem ataques, o juiz da execução é o Alexandre de Moraes, o direito dá esse direito a ele e os médicos tem conhecimento pra tomar essa decisão”, declarou.
Críticas ao governo de Ratinho Jr
Aliel Machado não acredita que a candidatura de Ratinho Jr à presidência da República vai se consolidar. O deputado disse que o governador tem acertos, mas tem um governo com muitos problemas.
“Pra ele ser candidato teria que furar a bolha, que hoje gira em torno da família Bolsonaro e o Bolsonaro tem um grupo forte, não pode ser candidato, mas vai lançar o nome e acho que o Ratinho não consegue furar essa bolha. O Ratinho Jr tem acertos, grandes obras, mas tem muitos problemas e muito bem maquiados pelo seu governo, tem problemas graves na educação, nas estatais e isso tem um custo muito alto”.
Federação onde está o PV vai de Requião Filho (PDT) para o governo do Paraná?
“Defendemos a construção de um projeto político, mas é preciso dizer que o deputado Requião Filho é um nome positivo, aparece bem no cenário, é preparado, o pai foi governador três vezes, não tem macula no nome e isso é importante. Mas o que quero dizer é que dessa vez, depois de muito tempo podemos ter eleições no Paraná, pois as últimas foram decididas nos bastidores, com candidatos fazendo acordos, desistindo do pleito aos quarenta nove minutos do segundo tempo ou sendo ceifados da disputa. Tivemos o Osmar Dias deixando a disputa perto da eleição e na última eleição candidatos sendo tirados pelo governo”.
Vai ser o candidato à Prefeitura de PG em 2028, pelo grupo da prefeita Elizabeth?

Pela proximidade com a prefeita Elizabeth, nos bastidores Aliel é apontado com um dos nomes que pode concorrer ao cargo de prefeito pelo grupo de Elizabeth, em 2028. Mas o deputado disse que não houve nenhuma conversa sobre isso.
“Diziam que eu era aliado da prefeita antes da eleição, mas eu sou aliado da prefeita e estou aliado porque sou deputado e pela cidade. E eu não consegui fazer isso quando o Marcelo foi prefeito. Ela me chamou par conversar, disse que prefeitura está de portas abertas e começamos a trabalhar juntos. Veja que ela vai apoiar o Moro e eu não vou, mas são diferenças pontuais que não atrapalham o trabalho. Quem ganha é a cidade, Ponta Grossa não é mais o patinho feio”.
Antes, Rangel e Sandro não queriam que Elizabeth aceitasse ajuda de Aliel
Aliel Machado afirmou que a população deixou de receber investimentos no primeiro mandato de Elizabeth, quando ela ainda era do grupo de Sandro Alex (PSD) e Marcelo Rangel (PSD), porque eles não queriam que a prefeita se aproximasse de Aliel por questões políticas.
“Um dia eu tentei trazer investimentos para saúde e a prefeita me contou que foi questionada por um dos irmãos por ter estar tratando comigo. Eles não queriam que ela falasse comigo porque achavam que era aliança eleitoral e não era, eu não mentiroso como eles”, disse.
“Rangel é chamado de mentiroso pela cidade, não fui eu que apelidei”

Aliel Machado contou que teve que processar novamente o deputado Marcelo Rangel depois que ele mentiu na sua rádio que “Aliel é filiado ao PT” e também disse que o “Aliel tentou fechar a sua rádio”.
“Marcelo é um mentiroso contumaz e não sou eu que digo isso, foi a cidade que apelidou ele disso e faz muito tempo. (Se referindo ao apelido de Rangel, que é chamado de Pinóquio). Eles usam a rádio pra reproduzir mentira. Mentiu que nós queríamos fechar a rádio, mentiu que sou filiado a um partido que eu não sou. O nosso processo vai exigir o direito de resposta, como já ganhei outras vezes e ele vai ter que desmentir a própria mentira”.
Ponta Grossa vai receber equipamento de radioterapia inédito na América do Sul

O hospital Santa Casa de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, está construindo um bunker para abrigar um equipamento radioativo usado no tratamento de câncer. Segundo a instituição, o modelo adquirido para o local é inédito na América do Sul.
O acelerador linear tem inteligência artificial (IA) embarcada e fornece doses de radiação diretamente no tumor, preservando tecidos saudáveis ao redor. Para conter a radiação emitida pelo equipamento, as paredes do bunker possuem até 2,20 metros de espessura.
O bunker faz parte de uma obra que está transformando a estrutura do antigo Hospital Evangélico de Ponta Grossa, fechado desde 2016, em um centro de referência em oncologia.
O bunker faz parte de uma obra que está transformando a estrutura do antigo Hospital Evangélico de Ponta Grossa, fechado desde 2016, em um centro de referência em oncologia.
“Muitos prometeram e não fizeram. Hoje o aparelho é do Santa Casa é 1996, está desatualizado e causa efeito colateral. Somente esse novo aparelho custa R$ 12 milhões, além da estrutura de R$ 8 milhões, pois precisa de uma estrutura de energia nuclear embaixo da terra que inibe a passagem dos raios que podem dar efeitos colaterais da radioterapia. E nós conseguimos com a Itaipu. Com isso, será possível triplicar o número de cirurgias”, comemorou.
Com a nova estrutura, a capacidade de atendimento oncológico em Ponta Grossa deve dobrar. De acordo com a equipe da Santa Casa, a nova unidade terá capacidade para mais de sete mil consultas e mais de dois mil procedimentos por mês em pacientes de 28 cidades da região.
Sobre a estrutura do Ambulatório do Câncer, Aliel Machado destacou o trabalho dos ex- deputados Marcio Pauliki, Plauto Miró Guimarães Filho e do secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto.
“O Pauliki foi atrás quando era deputado estadual e foi muito importante, depois o plauto viabilizou um recurso, a obra seria no Jardim Carvalho, depois acabou sendo aqui onde era o Hospital Evangélico. Mas o Pauliki e o Plauto são importantes nessa conquista. Já outros são mentirosos”.
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