Clinicão cometeu ‘abandono, negligência, cirurgia inadequada e maus-tratos aos cães’, aponta Conselho de Defesa dos Animais

O Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais de Ponta Grossa apontou que houve crimes de maus-tratos aos animais praticados pela Clínica Clinicão, contratada pela Prefeitura. Diante dos fatos, o conselho encaminhou relatório para o Ministério Público, além da Polícia Civil do Paraná, Instituto Água e Terra do Paraná (IAT), Tribunal de Contas do Paraná , Conselho Municipal de Saúde, Prefeitura de Ponta Grossa, Controladoria Geral do Município.
O Conselho avaliou os casos dos dois cães abandonados pela Clinicão na última semana, em Ponta Grossa. A Clinicão venceu a licitação na cidade por R$ 22 milhões para “prestação de
serviços contínuos, técnicos e integrados voltados ao funcionamento e operacionalização do Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR)”, conforme Contrato nº 115/2025.
Com acompanhamento do conselho, veterinários avaliaram os dois cães. Em resumo, foi concluído que os animais receberam atendimento inadequado por parte da Clinicão, foram abandonados em local diferente de onde vieram e em local sem condições de sobrevivência, sem água e comida. Os dois cães foram abandonados pela Clinicão com problemas de saúde, o que mostra a negligência.
As duas cirurgias de castração apresentaram falhas, como possível anestesia inadequada, lesão pós-operatória, mostrando que o processo após a cirurgia não seguiu os procedimentos corretos. A cachorra idosa apresentou situação ainda mais grave, com sérios problemas de saúde, correndo risco ainda maior.
A Clinicão abandonou uma cachorra idosa, de aproximadamente 10 anos, em região de diferente do local de origem. Menina, como é chamada a cachorra, foi abandonada pela Clinicão na Vila Santa Lucia, em área de matagal e perto da linha do trem. Mas o conselho confirmou que o animal era da região de Oficinas e recebia cuidados de moradores.
Além disso, o animal foi avaliado em clínica veterinária e apresenta problemas de saúde, o que mostra negligência por parte da Clinicão.
“A Menina é dócil, cão comunitário e possui laços de afeto e dependência com moradores e trabalhadores de locais próximos ao estacionamento da VCG, recebendo cuidados coletivos de alimentação, água e abrigo no local”, diz o Conselho.
A cachorra foi encontrada por uma protetora de animais no dia 6 de março de 2026, no período da noite, sendo encaminhado à ONG Grupo Fauna de Proteção aos Animais e no dia seguinte foi encaminhado para a Clínica Anjos, tendo sido enviada à Clínica Vida24h para exame e análise dermatológica, retornando para a Clínica Anjos onde permanece sob os cuidados do Grupo Fauna, aguardando a adotante.
No relatório das duas clínicas responsáveis pelo atendimento de Menina, foram apontados problemas de saúde que comprovam a negligência da Clinicão.
“A médica veterinária Bárbara, integrante da COMFAP e responsável pela Clínica Anjos avaliou clinicamente a fêmea, indicando que durante a inspeção verificou-se tratar de cão adulta, idosa, dentro do peso, com inúmeras áreas alopécicas, eritematosas , pruriginosas, escuras e edemaciadas pelo corpo, um desconforto grande nas orelhas, as quais chacoalhava e coçava o tempo todo a ponto de machucar como consequência de automutilação e fazer sangrar devido a uma otite bilateral severa com uma grande quantidade de secreção purulenta após a limpeza, apresentava uma lesão em região de abdômen com 2 pontos abertos e drenantes, com presença de material compatível com fio de sututa (nylon), áreas de calos em região de cotovelos e secreção ocular purulenta”, apontou a Clínica Anjos.
Outras questões de saúde foram comprovadas em exame feito pela veterinária Camila, do Centro Veterinário Vida 24h. A clínica constatou que houve falha no pós-operatório da cachorra.
“Identificou parâmetros fisiológicos estáveis e alterações dermatológicas graves que indicam profundo sofrimento crônico devido à falta de tratamento adequado. Durante a inspeção física, a profissional constatou: Alopecia (perda de pelos) extensa espalhada por diversas regiões corporais; Liquenificação da pele (espessamento), eritema difuso e hiperpigmentação, indicando um processo inflamatório crônico; Sinais evidentes de prurido (coceira) intenso; Desgaste dentário significativo, associado ao comportamento repetitivo de mordedura e autotraumatismo na tentativa de aliviar a coceira extrema; Otite eczematosa bilateral; Uma ferida em região de sítio cirúrgico compatível com castração (ovariossalpingo-histerectomia), onde havia a presença de fio de nylon; Reação inflamatória neste local cirúrgico devido ao material de sutura, o que sugere falha na condução do pós-operatório ou reação tecidual adversa e Anemia”.
As veterinárias afirmaram que houve negligência da Clinicão em relação ao estado de saúde de Menina.
“A médica veterinária Camila também relata que as lesões graves e não tratadas, a reação inflamatória no sítio cirúrgico e os sinais de automutilação por coceira intensa configuram uma forte suspeita de maus-tratos por negligência, enquadrando-se nas diretrizes da Resolução CFMV nº 1.236/2018”.
O outro animal também apresentou problemas de saúde e situação de maus-tratos.
“O animal foi encontrado pelo médico veterinário, Vinícius de Paula Maia, no dia 6 de março de 2026, imediatamente após passou por consulta clínica com participação do médico veterinário, Rodrigo Tozetto . O cão foi encontrado na região do Mezzomo, próximo do local de soltura, com lesão recente, de aproximadamente cinco dias, sem água e sem alimentação no local e moradores da região afirmam nunca terem visto o animal anteriormente. O veterinário detalhou que a lesão é causada por procedimento cirúrgico de orquiectomia (castração) recente, onde estava aparente a não utilização de colar elizabetano e o desrespeito ao tempo de pós-cirurgia. O cão é um filhote, idade aproximada de 6 a 8 meses, levemente abaixo do peso, sem presença de tricotomia em nenhuma parte do corpo, sinalizando não ter sido canulado para procedimento anestésico, indicativo de ter sido submetido a procedimento inadequado de anestesia e cirurgia”.
Portal Mareli Martins questiona Prefeitura de Ponta Grossa
Entramos em contato com a Prefeitura de Ponta Grossa e fizemos questionamentos.
Diante dos crimes de maus-tratos, abandono, procedimento inadequado de cirurgia e negligência da Clinicão, quais procedimentos a Prefeitura vai tomar?
A Prefeitura ainda não respondeu.
Diante das irregularidades, foram feitos os seguintes encaminhamentos

Veja a avaliação completa do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais de Ponta Grossa
2.6.1_Encaminhamentos_e_compilado_relatorios_5_e_6_COMFAP_assinado
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