Close
Destaque Eleiçoes 2026 POLÍTICA Ponta Grossa

Geraldo Stocco denuncia ao Ministério Público e ao Gaeco as irregularidades da merenda escolar de Ponta Grossa

Geraldo Stocco denuncia ao Ministério Público e ao Gaeco as irregularidades da merenda escolar de Ponta Grossa
  • Publishedabril 4, 2026
Vereador Geraldo Stocco (PV) detalhou irregularidades na merenda escolar e no atendimento de animais de rua pela Clinicão. (Foto: Ester Roloff)

O vereador Geraldo Stocco (PV) participou nesta quinta-feira (2) do programa semanal de entrevistas do Portal Mareli Martins. O vereador abordou temas locais como a CPI que tentou abrir para investigar a empresa privada responsável pela merenda escolar na cidade e a acusação de maus-tratos aos animais pela clínica Clinicão, que foi contratada pela Prefeitura de Ponta Grossa por R$ 22 milhões.

Além disso, outros assuntos foram debatidos como o aumento da tarifa do transporte público, o empréstimo de R$ 85 milhões feito pela prefeitura junto à Agência de Fomento do Paraná S.A. e a possível candidatura do vereador à deputado estadual nas próximas eleições. (Veja a entrevista completa no final da matéria).

 

Irregularidades na terceirização da merenda escolar

 

 

No final de 2025 a empresa Ômega Alimentação e Serviços Especializados S/A assumiu a terceirização da merenda escolar em Ponta Grossa, após ganhar licitação por mais de R$79 milhões. A empresa sozinha substituiu o contrato com 39 fornecedores, centralizando a logística de alimentos e preparo. Contudo, desde que foi implementada, novas denúncias quanto a qualidade do serviço prestado não param de surgir.

“Fui em mais de 20 escolas em vários bairros da cidade e vi diversas irregularidades: criança não podendo repetir a carne, mensagem da nutricionista da empresa solicitando que a merendeira de bolacha com sagu para as crianças, vi faltar alimentos como feijão, bolacha, açúcar e café, diretora comprar comida com dinheiro próprio porque a empresa não enviou, ou não enviou na quantidade adequada”, cita.

O vereador faz uma comparação entre os números de reclamações feitas sobre a merenda escolar antes e depois da terceirização. Entre 2017 e 2025, antes da empresa Ômega assumir, foram feitas 6 denúncias formais, e desde fevereiro de 2026, em um período de dois meses, já foram feitas 26 denúncias.

“A última denúncia que recebi, a empresa tinha mandado 10 kg de peixe congelado para a escola, quando o alimento descongelou virou 5,5kg e quando prepararam e grelharam virou 2,7kg, que tiveram que dividir para 130 crianças”, conta.

Stocco afirma não ser um caso isolado e relata que na a primeira visita que fez ao barracão da empresa presenciou que os alimentos eram guardados junto aos produtos de limpeza. Após esta visita inicial a empresa impediu o vereador de acessar o barracão, então ele não pode afirmar se a situação permanece a mesma ou se mudou.

As merendeiras também estão sendo afetadas com a situação. Geraldo conversou com algumas profissionais que alegam estar sofrendo pressão dos funcionários da Ômega e que por conta disso não estão conseguindo exercer o trabalho. Algumas perderam o lugar na cozinha e passaram a assumir outros espaços nas escolas.

O vereador ressalta que o contrato com a empresa privada deve ser quebrado para que a merenda volte a ter qualidade.

CPI para investigação da empresa Ômega arquivada

O requerimento protocolado pelo vereador Geraldo Stocco solicitando a investigação da empresa Ômega foi arquivado por não por não alcançar o número mínimo de assinaturas dos vereadores da Câmara Municipal de Ponta Grossa (CMPG). O pedido recebeu inicialmente 9 votos, mas na última seção de segunda os vereadores Fábio Silva (Republicanos), Dr. Erick (PV) e Jairton da Farmácia (PDT) retiraram seus votos, o necessário para a aprovação da CPI eram no mínimo 7 votos.

“Fiquei muito chateado, mas pouco importa, tem coisas que se sobrepõem à política. Ainda não sei o porque da retirada dos votos, Fábio Silva até ligou para mim e comemorou que assinou a CPI, mas no final ele recuou e me acusou de estar promovendo a reeleição em cima deste assunto”. O vereador diz que a prefeita Elizabeth Schmidt(União Brasil) também afirma que ele está se promovendo em cima do assunto, mas Geraldo garante que o problema é real.

“Com certeza houve irregularidade desde o início, a Ômega já é denunciada em outras cidades e o primeiro ato licitatório da merenda escolar foi copiado de outra cidade, na minha visão se fizeram com pressa, era coisa errada”. Geraldo afirma ter provas de que a prefeita e o poder executivo fizeram pressão nos vereadores ao ligar para eles e falar para não assinarem a CPI.

“Vou continuar investigando, fico aberto à comunidade, vou manter o sigilo de quem denunciar para que não sofram retaliações e vou continuar indo para as escolas. Vamos acionar a justiça.” O vereador denunciou o caso ao Ministério Público e ao Gaeco.

Maus-tratos aos animais pela clínica Clinicão

A Prefeitura terceirizou o gerenciamento do Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR) de Ponta Grossa, com a contratação da clínica Clinicão pelo valor de R$22 milhões de reais, mas a empresa é alvo de denúncias de maus tratos.

Em março deste ano, um vídeo mostra funcionários da Clinicão abandonando dois animais, uma cachorro idosa chamada Menina e um cachorro recém castrado de nome Primor, próximos de uma linha de trem.

A clínica afirma estar cumprindo a Lei do Cão Comunitário, na qual os animais voltam para as comunidades em que vivem após receberem o tratamento. A cachorra Menina era de fato um cão comunitário, mas da região de Oficinas, o que desmascarou a mentira da Clinicão.

O caso já tem um inquérito aberto e o delegado Erick está acompanhando o caso. O Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (CMPDA), que tem como presidente Anael Ruccieri, conseguiu levantar toda uma documentação que comprovou que houve sim maus tratos contra os animais abandonados.

“O inquérito foi aberto, porém neste caso precisamos tomar uma atitude drástica, precisamos quebrar o contrato com a Clinicão. Não esperávamos ver em PG, o problema é na origem da licitação da Clinicão. A empresa não tinha condição de abrir uma clínica de PG, então eles compraram a estrutura da Ideal Vet, mas não adaptaram o local para a demanda da licitação milionária que assumiram”, sustenta o vereador.

O vereador relembra que até ano passado a cidade tinha convênio com muitas clínicas veterinárias e mais castrações só não aconteciam porque a Prefeitura não disponibilizava dinheiro.

Ele afirma que a prefeita está agindo como advogada da empresa e que a clínica deveria ser punida pelo que fez. “Porque a prefeitura protege essa clínica? Por que alguém ganha dinheiro em cima disso! Temos que acabar esse contrato e fechar essa clínica, mandei para o delegado todas as fotos que tinha dos animais na chuva e em condições não ideais que tirei ao visitar a Clinicão”.

 

Possível envolvimento do deputado Matheus Laiola e apoio de Teka dos animais, ambos do União Brasil

Matheus Laiola e Teka dos Animais foram eleitos pela causa animal, no entanto, são apoiadores da Clinicaão. Laiola segue em silêncio sobre o caso. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O Portal Mareli Martins questionou o que o vereador achava sobre a atuação do deputado Matheus Laiola (União Brasil), que sempre está atuando em prol e se elegeu usando a causa animal no Paraná, desta vez não se posicionou quanto ao caso da Clinicão. O silêncio diz muitas coisas.

“Nos bastidores existem rumores sobre o envolvimento dele com a clínica. Não temos documentos, mas muitas fotos de gerentes da Clinicão, grandes nomes da empresa muito próximos a ele. Estamos investigando a situação.”

Já em relação a Teka dos animais (União Brasil), que ajudou a Clinicão a vir para Ponta Grossa, Stocco diz respeitá-la pelo trabalho que realiza como protetora a mais de 20 anos. “Acredito que ela tenha confiado na Clinicão, seguindo a linha da prefeita, mas consigo ver que está extremamente mais agressiva na fiscalização, então enxergo o trabalho dela como bom sim”.

 

Prefeita veta lei sobre anestesia geral na castração de animais

(Foto: PMPG)

O projeto de lei para o uso de anestesia geral na castração de animais em Ponta Grossa foi aprovado ano passado com a unanimidade dos votos a favor dos vereadores, mas foi vetado pela prefeita Elizabeth, que alegou que a lei invade a competência privativa da chefe do Poder Executivo e aumentaria as despesas públicas.

“Acredito ser infundado esse veto, se o município é o dono do contrato basta sancionar a lei e acredito que vão derrubar o veto, porque foi unânime os votos a favor dos vereadores”, alega Geraldo.

O vereador relatou que, atualmente, as castrações de animais são feitas utilizando a contenção química, na qual o animal fica imóvel, mas acordado e sentindo tudo. “É um absurdo, termos que criar uma lei para isso”.

 

Aumento da tarifa do transporte público

A partir de 13 de abril a tarifa do transporte público na cidade aumentará para R$6,00. Mesmo com subsídio de quase R$95 milhões de reais nos últimos três anos para a Viação Campos Gerais (VCG) (cálculo feito pelo Portal Mareli Martins a partir de dados disponibilizados pelo Portal da Transparência da Prefeitura) o valor da tarifa vai subir pela segundo vez nos últimos oito meses.

O vereador Geraldo Stocco votou a favor da prorrogação do contrato com a VCG na cidade em 2023, ele justifica este voto. “A Prefeitura teve a oportunidade de abrir nova licitação, mas não se preparou para isso. A alternativa seria a municipalização do transporte público, mas é algo muito difícil”.

Stocco denúncia que a prefeitura ‘passa pano’ para a VCG, não realizando as fiscalizações da maneira correta, não exigindo a transparência dos dados e deixando o valor das passagens aumentarem. Concordo com a tarifa zero, que é uma tendência mundial, mas para isso é preciso ser fiscalizado o serviço, o que a prefeitura atualmente não faz.”

 

Câmara aprova R$ 85 milhões de empréstimo sem destinação garantida do dinheiro

A Câmara aprovou em março de 2026 um projeto de lei que autoriza a Prefeitura a contratar um empréstimo de até R$85 milhões junto à Agência de Fomento do Paraná S.A. Parte do dinheiro será destinado para a construção da UPA de Uvaranas, mas o restante ainda não tem destinação definida.

O Portal Mareli Martins questionou o vereador, que votou a favor do projeto de lei, em como a Câmara pode aprovar um empréstimo tão grande, sem ter todas as condições de gasto do dinheiro definido previamente. “Eu concordo com você, mas não podíamos perder a construção da UPA de Uvaranas, então já fiz o requerimento para saber onde o dinheiro será investido”.

 

 

 

Marcelo Rangel ou Mabel, qual tem a pior atuação política?

Mabel Canto (PP) e Marcelo Rangel (PSD). (Fotos: Alep e Redes Sociais)

O vereador fugiu da questão, respondendo apenas que ambas as atuações profissionais não o agradam. “Nenhum dos dois bateu de frente com a Sanepar, ninguém fez nada em relação às contas de água altíssimas, ninguém fez nada. Eles não fiscalizam”, ressalta.

 

 

Vai concorrer ao cargo de deputado federal?

Geraldo Stocco pretende concorrer ao cargo de deputado estadual em 2026.

Stocco falou que precisa definir algumas coisas antes de saber se irá concorrer a deputado estadual nas próximas eleições. “Preciso conversar com minha família, com o grupo político e contar com o apoio do Aliel Machado (PV)”.

Nas eleições de 2022, o vereador conseguiu 15.025 votos. “Quero aumentar e replicar o trabalho que faço em Ponta Grossa para todo o estado”.

 

Com a colaboração de Ester Roloff, estagiária de Jornalismo, conforme convênio de estágio firmado entre o Portal Mareli Martins e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Assista a entrevista completa pelo Facebook ou Youtube ou pelo Portal Mareli Martins

https://www.facebook.com/share/v/1B3Vv2GMHk/

https://www.facebook.com/share/v/1B3Vv2GMHk/

 

Deixe uma resposta