Close
Destaque Eleiçoes 2026 POLÍTICA Ponta Grossa

Zampieri ridiculariza estudantes da UEPG: “gente esquisita” e alunos criticam deputado eleito

Zampieri ridiculariza estudantes da UEPG: “gente esquisita” e alunos criticam deputado eleito
  • Publishedoutubro 23, 2026
Em respeito aos estudantes e professores, o Portal Mareli Martins não mostrará os rostos. A foto é do Instagram do vereador e deputado eleito Ricaro Zampieri.

O vereador e deputado eleito, Ricardo Zampieri (PL), agiu de forma preconceituosa ao publicar um vídeo em que ironiza a aparência de estudantes e professores da Universidade estadual de Ponta Grossa (UEPG), que participavam de uma mobilização política ligada ao PT. 

No vídeo publicado em suas redes sociais, o parlamentar  tenta ridicularizar alunos e docentes da UEPG, fazendo comentários preconceituosos sobre suas aparências: “quanta gente esquisita, quanta gente ‘normal’, o PT vive numa bolha”, debochou o vereador. 

Ricardo Zampieri continuou o deboche: “Imagina você de manhã, na tua casa, e de repente, (aponta para a foto) essa gente aqui. Olha quanta gente esquisita, meu querido”, afirmou Zampieri no vídeo. Em seguida, ele questionou se a abordagem seria capaz de convencer eleitores e disse que o PT “vive numa bolha mesmo, fora da realidade”.

As declarações motivaram uma resposta em vídeo de alunos que participaram da mobilização. Na manifestação, os envolvidos criticaram o foco do vereador na aparência dos participantes, em vez da discussão de propostas e posicionamentos políticos.

 

Resposta aponta ataques à fisionomia

Na resposta, os participantes afirmam que a mobilização reuniu homens, mulheres, professores e estudantes, que têm o direito de manifestar suas posições políticas de forma pacífica e democrática.

“Um deputado que deveria estar preocupado com as necessidades da população e decidiu atacar a aparência de pessoas que estavam manifestando seu posicionamento político pacificamente e democraticamente”, afirmou a estudante de Serviço Social, Izzy Vieira.

O estudante de História, Raí Jensen, questionou a postura do vereador diante de pessoas com opiniões políticas diferentes e argumentou que ataques pessoais contribuem para a humilhação e a intimidação de participantes na vida pública. 

“Ao invés de debater ideias, propostas e reivindicações civilizadamente, o que vemos? Ataques à aparência”.

 

Relato de agressão e crítica à violência política

No mesmo vídeo, um dos participantes relatou ter sido agredido por três pessoas que identificou como bolsonaristas. Segundo o relato, a agressão teria ocorrido por ele estar usando um adesivo de apoio à Lula na camiseta.

“Fui covardemente agredido por três bolsonaristas por eu estar usando um adesivo do Lula na minha camiseta”, afirmou.

Ao final, os participantes defenderam a liberdade de expressão e a convivência democrática, diferenciando críticas a posicionamentos políticos de ataques direcionados às características pessoais de quem pensa diferente.

“Criticar uma opinião política diferente, isso é democracia. Humilhar pessoas por quem elas são, isso não é debate político. Isso é tentar intimidar e afastar essas pessoas da vida pública”. 

 

Ofender alguém por sua aparência é um crime previsto no Código Penal Brasileiro

Conforme o Código Penal Brasil, em seu artigo 140, configura crime de injúria e discriminação, ofender algúem seja por sua condição física, por sua condição social ou classe social. No caso em questão, o vereador criticou e debochou da aparência dos alunos, considerada por ele como “esquisita”.

No Dicionário Aurélio,  a palavra esquisisita significa “algo ou alguém incomum, estranho, excêntrico, raro ou de aparência desagradável, feia, alguém que foge de hábitos normais, fora do comum, estranho e que causa estranheza”.

O vereador disse: “quanta gente esquisita” e “fora do normal”

O Artigo 140 do Código Penal Brasileiro trata do crime de injúria, que consiste em ofender a dignidade ou o decoro de alguém.

Na Discriminação pela aparência, caso em questão, a conduta de discriminar é um crime com pena de reclusão de 1 a 3 anos (art. 88 da Lei Brasileira de Inclusão).
E como os políticos do Pl, como Zampieri dizem, “ninguém está acima da lei”.
Crime eleitoral
O caso de Zampieri poderá ter outro agravante, um possível crime eleitoral, que se trata de constrager pessoas somente porque elas tem preferência por outro partido e por outro candidato, diferente do dele. Isso é na verdade um tipo de injúria eleitoral.  Conforme as leis eleitorais, injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, somente por sua preferência por partido ou candidato, configura crime de injúria eleitoral.
Na foto que foi escancarada por Zampieri em suas redes sociais (sem esconder o rosto de ninguém) existem mulheres, o que pode piorar a situação do vereador. Há a possibilidade de crime político contra mulheres e, nesse caso, crime de gênero.
Estudantes e professores não vão deixar quieto
Estudantes e professores tomaram medidas cabíveis e vão buscar punição do vereador na Justiça. Os alunos informaram ao Portal Mareli Martins que este caso “não ficará impune, principalmente por se tratar de um vereador, que deveria dar exemplo e não contrário”.
Como proceder em casos de discriminação

  • Reúnaprovas: Guarde prints de mensagens, áudios, vídeos, ou anote o nome e contato de testemunhas que viram ou ouviram a ofensa.

  • Ir uma delegacia: Procure uma Delegacia de Polícia Civil mais próxima para registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.)

 

Com a colaboração de Lorena Santana, conforme convênio de estágio firmado entre o Portal Mareli Martins e o curso de Jornalismo da UEPG.

Deixe uma resposta