Zampieri ridiculariza estudantes da UEPG: “gente esquisita” e alunos criticam deputado eleito

O vereador e deputado eleito, Ricardo Zampieri (PL), agiu de forma preconceituosa ao publicar um vídeo em que ironiza a aparência de estudantes e professores da Universidade estadual de Ponta Grossa (UEPG), que participavam de uma mobilização política ligada ao PT.
No vídeo publicado em suas redes sociais, o parlamentar tenta ridicularizar alunos e docentes da UEPG, fazendo comentários preconceituosos sobre suas aparências: “quanta gente esquisita, quanta gente ‘normal’, o PT vive numa bolha”, debochou o vereador.
Ricardo Zampieri continuou o deboche: “Imagina você de manhã, na tua casa, e de repente, (aponta para a foto) essa gente aqui. Olha quanta gente esquisita, meu querido”, afirmou Zampieri no vídeo. Em seguida, ele questionou se a abordagem seria capaz de convencer eleitores e disse que o PT “vive numa bolha mesmo, fora da realidade”.
As declarações motivaram uma resposta em vídeo de alunos que participaram da mobilização. Na manifestação, os envolvidos criticaram o foco do vereador na aparência dos participantes, em vez da discussão de propostas e posicionamentos políticos.
Resposta aponta ataques à fisionomia
Na resposta, os participantes afirmam que a mobilização reuniu homens, mulheres, professores e estudantes, que têm o direito de manifestar suas posições políticas de forma pacífica e democrática.
“Um deputado que deveria estar preocupado com as necessidades da população e decidiu atacar a aparência de pessoas que estavam manifestando seu posicionamento político pacificamente e democraticamente”, afirmou a estudante de Serviço Social, Izzy Vieira.
O estudante de História, Raí Jensen, questionou a postura do vereador diante de pessoas com opiniões políticas diferentes e argumentou que ataques pessoais contribuem para a humilhação e a intimidação de participantes na vida pública.
“Ao invés de debater ideias, propostas e reivindicações civilizadamente, o que vemos? Ataques à aparência”.
Relato de agressão e crítica à violência política
No mesmo vídeo, um dos participantes relatou ter sido agredido por três pessoas que identificou como bolsonaristas. Segundo o relato, a agressão teria ocorrido por ele estar usando um adesivo de apoio à Lula na camiseta.
“Fui covardemente agredido por três bolsonaristas por eu estar usando um adesivo do Lula na minha camiseta”, afirmou.
Ao final, os participantes defenderam a liberdade de expressão e a convivência democrática, diferenciando críticas a posicionamentos políticos de ataques direcionados às características pessoais de quem pensa diferente.
“Criticar uma opinião política diferente, isso é democracia. Humilhar pessoas por quem elas são, isso não é debate político. Isso é tentar intimidar e afastar essas pessoas da vida pública”.
Ofender alguém por sua aparência é um crime previsto no Código Penal Brasileiro
Conforme o Código Penal Brasil, em seu artigo 140, configura crime de injúria e discriminação, ofender algúem seja por sua condição física, por sua condição social ou classe social. No caso em questão, o vereador criticou e debochou da aparência dos alunos, considerada por ele como “esquisita”.
No Dicionário Aurélio, a palavra esquisisita significa “algo ou alguém incomum, estranho, excêntrico, raro ou de aparência desagradável, feia, alguém que foge de hábitos normais, fora do comum, estranho e que causa estranheza”.
O vereador disse: “quanta gente esquisita” e “fora do normal”
O Artigo 140 do Código Penal Brasileiro trata do crime de injúria, que consiste em ofender a dignidade ou o decoro de alguém.
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Com a colaboração de Lorena Santana, conforme convênio de estágio firmado entre o Portal Mareli Martins e o curso de Jornalismo da UEPG.




