Derrotado, Flávio Bolsonaro ficará sem cargo e sem foro privilegiado: investigações do Master e das rachadinhas podem avançar

Depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) ficará sem um cargo público e sem foro privilegiado a partir de 2027. Será a primeira vez em 24 anos, desde 2002, que o político bolsonarista não terá um cargo público.
Atualmente, Flávio é senador pelo Rio de Janeiro. Seu mandato termina em fevereiro de 2027, quando os novos eleitos tomam posse no Senado.
Perda do foro privilegiado
Como senador da República, Flávio terá foro privilegiado até fevereiro de 2027. Depois disso, o político volta a poder ser investigado e processado pela primeira instância, ou seja, a justiça comum.
No entanto, as investigações nas quais Flávio já é investigado formalmente devem permanecer no Supremo Tribunal Federal.
Isso porque, em 2025, o Supremo definiu que crimes praticados no cargo e em razão das funções continuam sendo julgados pelos tribunais superiores, mesmo depois de o político deixar o cargo
Às 21h08, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 97% das urnas já tinham sido apuradas, confirmou a vitória de Lula. Ao fim, com 100% das urnas apuradas, Flávio conseguiu 59,8 milhões de votos (48,21% do total), enquanto Lula teve 64,3 milhões de votos (51,79%).
Flávio Bolsonaro é formalmente investigado em dois casos que correm no Supremo Tribunal Federal. O primeiro deles é sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Menos de seis meses depois de anunciar sua pré-candidatura, o portal The Intercept revelou áudios e mensagens mostrando que Flávio negociou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o pagamento de R$ 130 milhões como investimento no filme “Dark Horse”, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Ele recebeu do banqueiro cerca de R$ 64 milhões.
“Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. […] Eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá?”, disse Flávio em uma das conversas.
Já a segunda investigação tem ligação com o advogado Willer Tomaz. Flávio foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária do advogado, que é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. A informação está em troca de e-mails localizada pela Polícia Federal (PF).
Para a PF, o cadastro dava a Flávio “acesso operacional relevante” à conta bancária e “sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa”.
Flávio e Willer Tomaz são amigos, mas negam ter negócios juntos.
Flávio também é acusado de cometer rachadinhas desde 2019, quando Jair Bolsonaro era presidente e Sergio Moro era o ministro da Justiça. Após ser demitido por Bolsonaro do cargo, Moro disse que “o presidente interferiu na PF para proteger Flávio e impediu a investigação sobre as rachadinhas”.
Vale destacar, que como ministro da Justiça, Moro poderia ter dado andamento à investigação contra Flávio, mas não fez. Depois de todas as acusações, os dois se abraçaram novamente na eleição de 2026. Moro foi eleito governador do Paraná e Flávio perdeu para Lula na disputa pela Presidência.
O senador entrou para a vida pública em 2003, após disputar e ser eleito deputado estadual no Rio de Janeiro, aos 21 anos. Sua carreira política inclui as seguintes vitórias:
- 2002: eleito deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PPB;
- 2006: eleito deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PP;
- 2010: eleito deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PP;
- 2014: eleito deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PP; e
- 2018: eleito senador federal pelo PSL.
Flávio também tentou ser prefeito do Rio de Janeiro em 2016, mas foi derrotado. Dez anos depois, o herdeiro de Jair Bolsonaro sofre uma nova derrota.
Atual senador, Flávio ainda terá cerca de três meses no Congresso Nacional
Metade do mandato de oito anos de Flávio Bolsonaro no Senado foi cumprida durante a presidência de seu pai. Nesse período, ele foi presidente da Comissão de Segurança Pública, tema que sempre colocou como sua bandeira.
No entanto, sua atuação foi tímida como senador. Teve somente dois projetos transformados em lei – nenhum sobre segurança pública.
Nesse período, o patrimônio do candidato aumentou de R$ 1,7 milhão para R$ 8,1 milhões.
Neste domingo (25), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), cumprimentou Flávio pela disputa à Presidência.
“O Senado viu um de seus membros disputar a eleição num país dividido. Um colega senador disputou e teve 60 milhões de votos, e isso não é pouca coisa. Nosso reconhecimento incondicional à vontade do povo nas urnas”, disse Alcolumbre.
O presidente do Senado também parabenizou Lula pela vitória. Ambos se reaproximaram nos últimos meses e Alcolumbre entregou a Lula uma das maiores vitórias políticas do atual mandato do petista: o fim da escala 6×1.




