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Secretaria de educação, nomeada por Moro, tem carreira marcada por polêmicas em gestão anterior

Secretaria de educação, nomeada por Moro, tem carreira marcada por polêmicas em gestão anterior
  • Publishedoutubro 27, 2026
Fátima Gavioli chega ao governo Moro com histórico polêmico. Foto: Divulgação.

A professora Aparecida de Fátima Gavioli, natural de Goioerê, no Noroeste do Paraná, foi anunciada pelo governador eleito Sergio Moro como futura secretária de Estado da Educação. Ela assumirá o cargo em janeiro de 2027.

Gavioli tem experiência na gestão pública educacional. Foi secretária de Estado da Educação de Rondônia entre 2014 e 2016 e comandou a mesma área em Goiás de janeiro de 2019 a março de 2026.

Formada em Letras, Direito e Pedagogia, é mestre em Educação, pós-graduada em Gestão Pública pelo Centro de Liderança Pública de São Paulo (CLP-SP) e doutora em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

 

Repercussão polêmica

Durante sua passagem pela Secretaria de Educação de Goiás, Fátima Gavioli acumulou polêmicas envolvendo declarações direcionadas a professores, mudanças no plano de carreira e cobranças por resultados educacionais.

Uma das principais controvérsias ocorreu em outubro de 2024, durante uma transmissão ao vivo.

Na ocasião, um profissional comentou que a situação financeira fazia professores “passarem fome”. Gavioli respondeu: “Está passando fome? Tem que achar um trabalho que ganha mais, porque na educação você já entrou sabendo quanto seria seu salário.”

Na mesma live, a professora de Geografia Roberta da Silva Batista, contratada da rede estadual de ensino de Goiás, questionou por que profissionais temporários não têm falta abonada para acompanhar filhos ao médico. Fátima Gavioli reagiu de forma exaltada, afirmando que a docente “não era obrigada a trabalhar” e deveria pedir exoneração caso quisesse outro regime de trabalho.

Quatro dias depois, a docente que havia feito a pergunta sobre o acompanhamento médico dos filhos, foi demitida. O episódio levou os sindicatos a denunciarem possível perseguição e retaliação. A Secretaria de Educação negou irregularidades e justificou o desligamento pelo encerramento do contrato temporário.

As mudanças no plano de carreira também provocaram críticas do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego). A entidade questionou o achatamento salarial e a redução das diferenças de remuneração entre professores em início de carreira e profissionais com mais tempo de serviço e titulação. Outro ponto de contestação envolveu possíveis perdas de gratificações vinculadas à regência e à dedicação integral em determinadas situações de afastamento médico. 

 

IDEB alto a que custo?

A gestão de Gavioli também foi marcada pela ampliação do uso de plataformas digitais, avaliações padronizadas e mecanismos de aprovação forçada. Enquanto o governo estadual de Goiás destacava os resultados positivos nos Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), representantes dos professores criticavam a pressão pelo cumprimento de metas e questionavam se o modelo comprometia a autonomia pedagógica dos profissionais. O modelo de plataformização é o mesmo adotado pelo governo de Ratinho Jr. (PSD) no Paraná, que já foi alvo das mesmas críticas em relação à pressão e falta de autonomia, pelos professores paranaenses. 

 

A resposta (não) veio nas urnas 

Gavioli concorreu ao cargo de deputada federal nas eleições de 2026. A campanha da candidata foi apoiada por Caiado, ex-governador de Goiás que renunciou para concorrer à presidência e por Daniel Vilela, que assumiu o governo com a saída de Caiado e que é atual governador eleito de Goiás. Mesmo com o apoio influente da região, a secretaria atingiu apenas 1,52% dos votos e não conseguiu ser eleita.  

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