Quadro Negro: Fanini afirma que Richa utilizou dinheiro das escolas para “comprar deputados”

deputados
Segundo Maurício Fanini, Richa confessou que repassou dinheiro para a campanha de Ricardo Barros (PP), Fernando Francischini (PSL) e Alex Canziani (PTB)

O ex-diretor da Secretaria de Educação do Paraná, Maurício Fanini, afirmou em delação à Quadro Negro, que o ex-governador do Paraná e pré -candidato ao Senado, Beto Richa (PSDB), repassou cerca de R$ 4,3 milhões para três deputados federais por meio de caixa dois.

Segundo Fanini, receberam recursos os deputados Fernando Francischini (PSL), na época dos fatos era do Solidariedade, Alex Canziani (PTB), que é pré-candidato ao Senado. E também para o ex-ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP). Barros é marido da governadora e pré-candidata à reeleição Cida Borghetti (PP).O delator Fanini está preso desde setembro do ano.

O depoimento

Segundo Fanini, tempos depois, em uma reunião de trabalho na casa do então governador, Richa reiterou a carta branca: “Pode fazer o que tiver que fazer. Faça pra arrecadar”, teria afirmado o tucano. Na ocasião, Richa teria justificado a necessidade, alegando ter assumido “compromissos enormes” e apresentado uma lista de pagamentos. De acordo com o depoimento, o ex-governador detalhou, então, o repasse a três deputados federais.

“Ele me mostra assim, indignado: ‘Veja aqui o papel, ó. R$ 800 mil tive que arrumar aqui pro Francischini, pro Solidariedade. R$ 2 milhões aqui pro Ricardo Barros’. Ele me mostra assim… os nomes que eu lembro na época. Era R$ 1,5 milhão pro Canziani, pra ter o PTB. E ele falou assim: ‘Então, veja como é isso aqui, entenda como que é a política. Política a gente faz assim ó. Tem que arrumar dinheiro e tudo dinheiro vivo’”, narrou Fanini.

Citados negam versão de Fanini

Nota de Beto Richa: 

“Mantenho integralmente as afirmações que fiz no último dia 5 de junho, por ocasião do vazamento criminoso da proposta de delação, que não foi aceita tanto pelo Supremo Tribunal Federal quanto pela Procuradoria Geral da Republica, do sr. Maurício Fanini.
Não faço parte desta cena deplorável, onde criminosos confessos buscam envolver pessoas inocentes em crimes que somente eles praticaram.
O que esse criminoso pretende? Ora, a resposta é muito simples! Pretende conseguir a redução da pena a que certamente será condenado pelos crimes cometidos e já confessados à Justiça.
Portanto, está mais do que explicado porque Fanini tenta delatar tudo e todos, sem, no entanto, apresentar quaisquer indícios de provas.
São acusações criminosas, com o objetivo de envolver terceiros, retirando o foco das fraudes por ele cometidas.
E para isso, mente descaradamente. Jamais pedi ou solicitei a ele qualquer favor ou atendimento a quem quer que seja.
Repito: é uma declaração criminosa, sem provas, que busca apenas confundir as pessoas. Espero que a Justiça apure e esclareça rapidamente essa questão, para que os culpados sejam punidos de forma exemplar”.

Nota de Ricardo Barros:
“A assessoria de imprensa do deputado Ricardo Barros (PP) rechaça a acusação baseada em ‘ouvi dizer que’ e afirma que não houve nenhuma negociação financeira envolvendo o apoio às campanhas eleitorais do ex-governador Beto Richa.
As negociações de apoio sempre ocorreram no âmbito político. Nesta eleição citada (2014) o grupo político buscava o espaço de vice-governador na chapa, o que de fato ocorreu.”

Nota de Alex Canziani:

”Sobre a questão abordada, informo que não houve nada, não pedi nada e não foi dado nada no que diz respeito ao que está sendo falado!
O depoente não apresenta provas. Ele tem que simplesmente falar a verdade, e não montar depoimentos “mudando versão” ou “mudando estratégia”, como ele menciona!
Neste último depoimento, ele também muda o que tinha dito antes falando algo novo que não estava nem na proposta de delação. Por que ele não constou isso no acordo de delação?
Muito estranho este depoimento, porque eram 16 ou 17 partidos que estavam apoiando e ele vem falar exatamente do marido da governadora e de dois pré-candidatos ao Senado. Qual o interesse que está por trás?”

Nota de Francischini:
“Mais uma vez, às vésperas da eleição, tentam colocar meu nome em um escândalo fabricado, típico ‘Fake News’. Todos sabem quem são os criminosos envolvidos na Quadro Negro.
Os Bandidos de colarinho branco já tentaram fazer o mesmo em outra delação para me constranger. E logo a verdade veio a tona! Sou Delegado da Polícia Federal, estou do outro lado da algema.
Já entrei com uma ação criminal contra o suposto delator e interpelei todos os citados nesta montagem. Todos negaram os fatos narrados.
É preciso deixar bem claro que meu nome não foi citado na proposta de delação. E agora estranhamente o delator começa o depoimento dizendo que ia trocar de estratégia de defesa porque havia trocado de advogado. Vou continuar denunciando estes Bandidos, não vão me fazer parar!”.

(Com informações da Revista Veja)

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