Operação Quadro Negro: delatores afirmam que entregaram propina aos deputados Plauto e Traiano


A prisão do ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), nesta semana, na Operação Quadro Negro, mostra novamente um esquema de corrupção que não envolve apenas o ex-governador, mas também deputados que sempre foram aliados de Richa e empresários.
A Quadro Negro apura o desvio de mais de R$ 20 milhões de recursos de obras de escolas do Paraná. Reformas e construções que não saíram do papel, pois o dinheiro foi desviado para campanhas eleitorais.
Entre os deputados que são investigados na Quadro Negro está o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano (PSDB) e o deputado de Ponta Grossa, Plauto Miró Guimarães Filho (DEM). Plauto é o vice-presidente da Alep e nos em que a investigação começou ele era o primeiro-secretário da Alep.
Em delação premiada o ex-diretor da Secretaria de Educação, Maurício Fanini, disse que foram repassados valores para Traiano e Plauto. “O Eduardo (proprietário da empresa Valor), disse que entregou dinheiro para os deputados Traiano e Plauto”, afirmou Fanini.
Segundo Eduardo Lopes de Souza foram repassados “R$ 400 mil para Traiano e R$ 600 mil para Plauto”
O ex-diretor da Secretaria de Educação, Maurício Fanini, afirmou todas as tratativas dos oito aditivos das obras foram feitos com o deputado Plauto Miró. As obras nunca saíram e papel e ainda ficaram mais caras.
“Tratei direto com o Plauto. Ele me chamou pra fazer perguntas se o Eduardo era uma pessoa de confiança, por que o Plauto já tinha tratado com o Eduardo, mas estava confuso que não fosse receber a parte dele”, declarou Fanini.
Quando questionado pelo Ministério Público se Beto Richa sabia de tudo que estava acontecendo, Maurício Fanini afirmou que o ex-governador estava “ciente de tudo”.
“Sim. Ele estava ciente de tudo, pois o Beto tinha que assinar os aditivos, sem isso, nada acontecia. Falei com ele e fomos buscar o dinheiro na Alep”, disse Fanini.
Palavra dos investigados:
Beto Richa
A defesa de Richa contesta as alegações, dizendo que não são verdadeiras e que isso será provado na Justiça.
Secretaria de Educação
A Secretaria de Educação afirma que foi a primeira a abrir investigação sobre as irregularidades, incluindo um sindicância.
Ademar Traiano (PSDB)
“Estou com a consciência tranquila e quem fala sobre isso é o meu advogado. Já chegou o momento de checar essas informações, pois já se condenou muita gente de forma injusta. Essa é minha opinião”. (declaração feita à RPC TV nesta quarta-feira (20).
Plauto Miró (DEM)
“Não tenho nada a comentar. Não faço parte desse elo de irregularidades que aconteceram nessa área de construção de escolas. Quero dizer que estou me defendendo na Justiça e o tempo vai mostra que estou falando a verdade”. (declaração feita à RPC TV nesta quarta-feira (20).
Em entrevista à Rádio T, no inicio das investigações, Plauto negou envolvimento:
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