Deputado Rangel ataca presidente da Fiep: Edson Vasconcelos é cotado como vice de Moro

O deputado Marcelo Rangel (PSD) decidiu atacar repetidamente o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos, depois que ele foi cotado para vice na chapa do senador Sergio Moro (União Brasil), na disputa ao Governo do Paraná.
Rangel disse que recebeu uma “denúncia” sobre “supostas irregularidades” em relação aos valores gastos pela Fiep em contratos para serviços de jardinagem. A “denúncia” seria feita pelo deputado Denian Couto (PL), mas foi repassada para Rangel.
Vale destacar que Rangel não tem postura fiscalizadora. O deputado nunca fiscalizou ou cobrou, por exemplo, irregularidades envolvendo o Governo do Paraná, como os contratos de pedágio, as privatizações da Copel, a tentativa de fiscalização da Celepar, terceirização das escolas (foi a favor).
A cidade de Rangel, Ponta Grossa, enfrenta sérios problemas com a Sanepar e ele nunca cobrou a Sanepar e o Governo do Estado.
A saúde tem uma fila enorme de pessoas que aguardam por cirurgias, exames e médicos especialistas e isso é responsabilidade do Estado, mas Rangel nunca cobrou essa situação.
Reeleito em 2022, Rangel não assumiu o cargo e virou secretário da Secretaria da “Imaginação”, digo da Inovação. Mas em 2024, depois de brigar com a ex-companheira em Ponta Grossa (Elizabeth Schmidt), Rangel decidiu concorrer à Prefeitura e, dessa forma, assumiu o cargo de deputado por questão eleitoral. Na eleição, Rangel perdeu para Elizabeth e Mabel e não foi ao segundo turno (e por pouco não perdeu para Aliel Machado).
Diante do fiasco na eleição, Marcelo Rangel voltou ao cargo de deputado estadual, mas com a mesma postura de bajulador de Ratinho Jr e nunca de deputado atuante ou fiscalizador.
Mas em ano eleitoral os interesses políticos e pessoais tomam conta do cenário.
Rangel é um dos deputados do PSD que assinou acordo Acordo de Não Persecução Civil com o Ministério Público do Paraná (MPPR) em um processo que envolve o desvio de função de assessores parlamentares, que poderia resultar em improbidade administrativa e culminar na inelegibilidade de Rangel, em caso de condenação.
O Portal Mareli Martins teve acesso ao acordo firmado pelo MP e também ao processo do MP, que foi investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Consta no processo que os assessores investigados pelo Gaeco são Marcelo Franco, que também atua na rádio de Rangel e Marcus Fabrizio Buzato, o Xixo.
Como Rangel assinou o acordo com o Ministério Público, ficará livre de condenação, de risco de cassação ou de perda de direitos políticos e o processo será arquivado.
Durante entrevista coletiva na Alep, Rangel foi questionado pela reportagem do Portal Nosso Dia se estaria fazendo críticas ao presidente a Fiep pelo fato de que ele é cotado para ser vice de Moro. Rangel negou que teria essa motivação: “não recebi esse comunicado sobre candidatura”.
A reportagem também cobrou por qual motivo o deputado Denian desistiu de fazer a “denúncia” e como a suposta denúncia chegou ao gabinete de Rangel. O deputado disse que recebeu “a denúncia no dia em que fez o discurso na Alep e que verificou as informações”.
A suposta irregularidade que Rangel repercutiu aponta que “a Fiep fez um contrato de jardinagem por R$ 53 milhões em 2025, por um valor maior de 287% do que era contratado até 2024, que era de 13,7 milhões para a Federação, para o IEL (Instituto Euvaldo Lodi), para o Sesi (Serviço Social da Indústria) e Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial)”.
O que disse a Fiep
A Fiep afirmou que os números divulgados decorrem de uma inconsistência no Portal da Transparência. Segundo a entidade, parte dos serviços classificados como jardinagem corresponde, na realidade, a contratos mais amplos de facilities, que incluem diferentes tipos de manutenção e suporte operacional. A Fiep disse que os números mencionados por Rangel “não são reais”.
Confira a nota
O Sistema Fiep identificou recentemente uma inconsistência de natureza exclusivamente classicatória no Portal da Transparência, na qual parte dos serviços de facilities foi registrada sob a rubrica de jardinagem.
Os serviços de facilities compreendem um conjunto mais amplo de atividades de apoio à operação das mais de 50 unidades, incluindo limpeza e conservação, apoio operacional, serviços em áreas externas e outras rotinas de infraestrutura necessárias ao funcionamento das instalações.
A inconsistência refere-se apenas à forma de classificação no portal,sem qualquer alteração de valores, contratos ou escopo dos serviços prestados. A equipe técnica já iniciou o processo de atualização e reclassificação das informações para refetir de forma precisa a natureza dos serviços, além da revisão em todo o portal.
Ressalta-se que os contratos seguem os parâmetros administrativos e históricos da instituição, não havendo qualquer irregularidade na execução ou nos valores praticados.
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