Close
Destaque POLÍTICA Ponta Grossa

Oitiva de representantes da Clinicão termina em confusão na Câmara de Vereadores de PG: vereadora Teka é acusada de cometer irregularidades

Oitiva de representantes da Clinicão termina em confusão na Câmara de Vereadores de PG: vereadora Teka é acusada de cometer irregularidades
  • Publishedjulho 1, 2026
Vereadora Teka e representante da Clinicão discutem, ele fez acusações contra a vereadora. (Foto: CMPG)

Na última terça-feira (30), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Clinicão, da Câmara Municipal de Ponta Grossa, ouviu o médico veterinário Vitor Hugo Colino, responsável técnico pelo Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR) da cidade.

O objetivo é apurar informações relacionadas ao processo de contratação da empresa responsável pela prestação de serviços veterinários no CRAR e esclarecer alguns casos envolvendo os animais atendidos.

A comissão é formada por cinco membros, com Teka dos Animais (União)  como presidente e a vereadores Joce Canto (PP) como relatora, além dos vereadores Guilherme Mazer (PT), Geraldo Stocco (PV) e Léo Farmacêutico (União), o qual foi o único que não participou.

Também foram ouvidos o diretor de Vigilância em Saúde, Cleiber Márcio Flores, e a secretária municipal de Administração, Isabele da Veiga Moro, sobre os processos licitatórios da contratação da clínica terceirizada. A funcionária da Clinicão, Jaqueline Cristina Elizário Cavalaro, que havia sido intimada não compareceu, visto que não foi reconhecida pela empresa Clinicão no quadro de funcionários.

A vereadora Joce Canto trouxe um relatório de dados ao início da sessão: o valor do contrato é de R$22.880.699, tendo apontadas 164 irregularidades desde o início de atuação da clínica, com 7 vítimas fatais, 11 notificações não resolvidas e nenhum real de multas aplicadas.

Ao fim da sessão, acusações sérias foram feitas contra a vereadora Teka e o envolvimento que ela teve com a Clinicão logo no início do contrato. Veja mais abaixo. 

Processo licitatório

Isabele Moro e Cleiber Flores foram ouvidos juntos sobre o processo de licitação que levou à prestação de serviços da Clinicão. Eles foram questionados em relação ao mapa de preços e pesquisas prévias de mercado, visto que em depoimentos posteriores à CPI eles apresentaram pontos de divergência.

Cleiber havia colocado os critérios e quem fez a coleta de preços foi a Isabel. Já a Isabel disse que foi o Departamento de Vigilância e Saúde. Esta é a divergência.

Este levantamento gerou dúvidas, mas eles esclareceram que foi apenas uma diferença de interpretação sobre a pergunta que havia sido feita. A secretária de administração participou, mas não conduziu o processo, o qual foi feito pela Diretoria de Vigilância e Saúde. 

De repente, Cleiber lembrou que foi o setor o qual é o responsável quem realizou a pesquisa, confirmando a história de Isabel. Muito conveniente.

 

Estrutura inadequada

Em relação à estrutura do CRAR, o veterinário Vitor Hugo Colino, responsável técnico do local, afirmou que ela não era a ideal quando a Clinicão iniciou o serviço, mas que a prefeitura já tinha conhecimento disso.

Em relação ao uso de baias de plástico para conter os animais pós-cirurgia, os vereadores ressaltam que denúncias foram feitas que a Clinicão deixa os animais em espaços muito apertados em que não conseguiam deitar e precisavam ficar em cima dos próprios dejetos.

Victor afirma que o material da baía ser de plástico não interfere em nada e que atualmente a clínica tem 40 baias de alvenaria maiores, contudo ainda mantém as antigas.

“O CRAR foi esquecido por várias gestões, tanto vereadores, quanto prefeitos. Então, ele nunca teve a estrutura para abrigar um contrato desse tamanho. E a empresa precisou procurar um meio para poder suprir o contrato”, diz Victor.

As medidas de melhoria previstas foram cumpridas, de acordo com o veterinário, e que todas as demandas estruturais estão regularizadas como está posto no contrato. Ainda fala que a clínica nunca deixou de realizar procedimentos por falta de materiais e medicamentos.

 

Discussão entre vereador Mazer e advogado

Em determinado momento, entre as perguntas sobre a infraestrutura do CRAR, Victor fala que a Clinicão é responsável pelas melhorias do lugar que não estava em condições de atendimento, como está previsto no contrato. Contudo, fala que a prefeitura deveria ter feito uma reforma no local antes da terceirização.

O vereador Mazer questiona se essa reforma da prefeitura estava no contrato, o qual o veterinário responde que não. “Então não tinha que ter feito nada. O contrato é o que está escrito. E o contrato é muito ruim, inclusive”, exclama o vereador.

Mazer continua, falando que o contrato está sendo investigado justamente pela suspeita de que o contrato com a empresa ganhadora tenha sido encomendado. Neste momento o advogado de Victor tenta intervir na fala do vereador e ambos acabam discutindo,

“Você como advogado está podendo orientar ele [Victor], você se apresentou como foi solicitado, mas o senhor não orienta a minha atividade parlamentar. O senhor não vai me orientar aqui na minha atividade parlamentar.”

 

Condições de funcionários

Victor é responsável pela fiscalização do local e, junto de outro veterinário, realiza a fiscalização do serviço médico oferecido no CRAR. Ele conta que já fez quatro notificações à empresa em relação à estrutura do local, as quais já foram atendidas.

Atualmente a Clínica conta com sete veterinários clínicos gerais, uma delas sendo anestesista e dois com residência de abrigo.

O vereador Guilherme Stocco ressalta que considera o número de funcionários insuficiente mediante a quantidade de atendimentos que deixam de ser realizados por falta de veterinários e funcionários disponíveis. Já Victor discorda, ele diz que contrataram mais profissionais com o passar do tempo e que desde abril a demanda por pessoal foi suprida.

O veterinário revela que existem dificuldades financeiras, visto que o repasse de dezembro da prefeitura chegou apenas em março para a clínica. Além de eles realizarem funções a mais do que está previsto no contrato, como o auxílio veterinário aos ouriços que são muito comuns nas redondezas da cidade.

 

Problemas nos prontuários 

Em relação às discrepâncias presentes nos prontuários dos animais, o veterinário esclarece que eles são feitos simultaneamente ao atendimento, quando postergados são feitos em no máximo  uma hora. Ele afirma que tudo é documento, se não está escrito é porque não foi realizado.

Quando questionado sobre a transparência com o município sobre casos de agravamento clínico, óbito, necessidade de nova cirurgia e outros, Victor expõe que nem todos os casos são informados. Porém logo ressalta que esta questão envolve a autonomia veterinária, presente no código de ética da profissão.

E em relação a demora em entregar os prontuários e em prestar contas, o veterinário revela uma dificuldade técnica: diversas vezes precisaram refazer os protocolos, pois exigiam formas diferentes. Ele lembra que foram preciso seis meses de atuação da clínica para que este assunto fosse resolvido.

 

Utilização de anestesia

Em virtude de denúncias contra a Clinicão, foi aprovada este ano a Lei Ordinária nº 15.817/2026, que prevê a obrigatoriedade do uso de anestesia geral completa e analgesia adequada em castrações e outros procedimentos cirúrgicos em cães e gatos que sejam custeados ou apoiados pelo Poder Executivo Municipal.

Victor desconsidera esta lei, visto que, de acordo com ele, já seguiam estes procedimentos antes do decreto. Ao ressaltar que possuem uma médica veterinária especializada em anestesia, ele nega as acusações de que a Clinicão não utilizava anestesia adequada nos procedimentos cirúrgicos.

 

Envolvimento com a Ideal Vet

Ao entrar no caso do cão Vanderlei, que deixou de ser atendido dentro do prazo legal estabelecido e apresentou diversos problemas pós- cirúrgicos, o veterinário se defende afirmando que o caso do animal não era de risco e que ele deixou a clínica saudável.

Ele ressalta que foi culpa da tutora não ter notificado sobre a infecção do animal, logo eles não podem se responsabilizar pelo que acontece com o animal quando volta para casa após a alta.

Ao serem informados que o médico veterinário que realizou a cirurgia no animal era especialista em ortopedia, os vereadores acharam estranho e questionaram se ele fazia parte dos funcionários da Clínica. Ao que foi respondido que não.

Ele faz parte da Ideal Vet, uma clínica particular, mas faz trabalhos de freelancer para a Clinicão. Quando questionado mais a fundo sobre esta questão, Victor disse que não cabia a ele responder sobre o assunto.

 

Caso da égua Carol

O próximo caso abordado foi sobre a égua Carol e seu potro que não tiveram a microchipagem realizada de maneira adequada, como prevê o contrato.

Victor alega que os animais foram roubados das estruturas do CRAR durante a noite, antes que pudessem ser microchipados, e que isto é um problema antigo que ocorre desde a gestão da prefeitura no lugar.

As medidas que a clínica tomou diante do acontecimento é a de microchipar os animais o mais rápido possível e de retirar os equinos do CRAR.

Para isso um local foi contratado a parte para abrigar e cuidar dos cavalos, o qual os vereadores questionaram a localização, mas Victor não sabia informar. Ele ressalta que estes animais de grande porte ficam pouco tempo com eles, mas mesmo sendo em um local diferente os equinos recebem o mesmo atendimento, inclusive a microchipagem.

Inicialmente Victor disse que qualquer pessoa, contanto que saiba realizar o procedimento, poderia microchipar os cavalos, contudo ele corrigiu esta afirmação e disse que todos os procedimentos são feitos com acompanhamento de pelo menos um médico veterinário.

O veterinário conta sobre o sistema feito pela Clinicão, o PG Pet Meu Compromisso, que permite verificar os animais microchipados pela clínica, sendo livre para visualização. O Portal Mareli Martins pesquisou no PlayStore e no Instagram da Clinicão, contudo não conseguiu localizar o aplicativo.

 

Perguntas não respondidas

O veterinário optou por não responder perguntas que envolvessem as terceirizações de serviços que a Clinicão realiza para atender a demanda do município, sobre a falta de resposta jurídica da empresa após receberem ofício da Câmara Municipal e se a clínica tinha condições de assumir a função logo do início do contrato sem subcontratar outras empresas e clínicas.

 

Discussão após o fim da sessão

O proprietário da empresa, Ordy Barbosa de Oliveira, que foi convocado para depor, não participou da CPI. A empresa informou oficialmente à Câmara que quem compareceria seria o gestor do contrato e procurador da Clinicão, Matheus Fraitag, afirmando que ele teria condições de responder às perguntas administrativas da comissão. Contudo, até o presente momento, a comissão afirma não ter recebido formalmente uma justificativa para a ausência de Oliveira. 

Logo quando tentou participar da CPI, a presidente da comissão Teka interrompeu e afirmou que não tinham interesse em conversar com Freitag. Ele insistiu em falar, o que levou a vereadora mandar diversas vezes para que o microfone dele fosse cortado. Tudo isso após o fim da transmissão ao vivo da sessão.

Matheus disse que a empresa teria realizado atendimentos solicitados pela vereadora antes mesmo de assumir oficialmente o contrato do CRAR e ainda afirmou que a Clinicão teria pago clínicas particulares para realizar esses atendimentos e que esse seria o motivo pelo qual, segundo ele, a presidente não queria que ele fosse ouvido.

A confusão foi registrada pelo jornalista Eduardo Vaz, do Blog do Dudu.

(imagens cedidas pelo jornalista Eduardo Vaz ao Portal Mareli Martins)

Deixe uma resposta