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Projeto sobre tombamento de igrejas gera polêmica na Câmara de Ponta Grossa

Projeto sobre tombamento de igrejas gera polêmica na Câmara de Ponta Grossa
  • Publishedjulho 13, 2026
Igreja Sagrado Coração de Jesus, conhecida como ‘Igreja dos Polacos’, localizada Praça Barão de Guaraúna (Praça dos Polacos), está na lista de tombamento. (Foto: PMPG)

O tombamento de igrejas e templos religiosos entrou em discussão na Câmara dos Vereadores de Ponta Grossa. Qualquer tipo de tombamento de imóvel segue a regras da Legislação Federal, sendo uma competência do Poder Público, conforme a Constituição Federal.

No entanto, o vereador e pastor, Ezequiel Bueno (Podemos), protocolou o Projeto de Lei 232/2026, que propõe que “garantia da autonomia das instituições religiosas em processos de tombamento”. Ou seja, o vereador pretende que as igrejas possam decidir se o imóvel (igreja/templo) deve ou não ser tombamento.

O que é tombamento

O tombamento é um instrumento jurídico de proteção do patrimônio cultural que consiste no reconhecimento, pelo poder público, do valor histórico, artístico, arquitetônico, paisagístico ou arqueológico de um bem, submetendo-o a um regime especial de tutela e conservação.

O projeto do pastor Ezequiel foi protocolado após a publicação de um documento da Secretaria Municipal de Cultura em Diário Oficial, com a relação de igrejas que serão tombadas.

As igrejas que aparecem na relação de tombamento preliminar são as seguintes:

– Igreja Senhor Bom Jesus, localizada na Fazenda Santa Cruz

– Catedral Sant’Ana, localizada na Praça Marechal Floriano Peixoto, s/nº.

– Igreja São Sebastião, localizada na Rua Coronel Generoso Martins de Araújo, nº 1.750.

– Igreja Nossa Senhora do Rosário, localizada na Rua do Rosário, s/nº.

– Igreja Sagrado Coração de Jesus, localizada na Praça Barão de Guaraúna, s/nº.

– Igreja São José, localizada na Rua Princesa Isabel, nº 179.

– Igreja Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo, localizada na Av. Dom Pedro II, nº 109.

– Paróquia São Jorge Protetor, localizada na Rua Rodrigo Octavio, nº 1.248.

 

Veja o documento da Secretaria de Cultura sobre as igrejas que poderão ser tombadas

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Secretário de Cultura de Ponta Grossa defende o tombamento das igrejas

O presidente da Secretaria Municipal de Cultura e do Conselho Municipal do Patrimônio Cultura, Alberto Schramm Portugal, defendeu o tombamento das igrejas mencionadas. Foto: CMPG/Reprodução/Redes Sociais

“Nos termos da Lei Municipal nº 8.431/05, foram impostas, pelo referido Conselho, restrições aos imóveis mencionados, em razão de sua importância histórica e/ou arquitetônica para o conjunto urbano e identidade da cidade. Dessa forma, deverão ser mantidas as características particulares de sua concepção. Intervenções que visem a restauração e a conservação do bem são permitidas, desde que sejam compatíveis com o caráter do edifício e previamente aprovadas pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural”, diz o documento da Secretaria de Cultura.

O presidente da Secretaria Municipal de Cultura e do Conselho Municipal do Patrimônio Cultura, Alberto Schramm Portugal, defendeu o tombamento das igrejas mencionadas.

“Temos uma cidade prestes a completar duzentos e três anos e com inúmeros prédios históricos que construíram a cidade. Temos parecer técnico que passou por especialistas, com o Conselho Municipal de Patrimônio Cultura, além de outros conselhos. Nós temos também inúmeras pesquisas que apontam a preocupação da população histórica com seu patrimônio histórico. O que não pode acontecer é a descaracterização do imóvel. Mas o tombamento não proíbe o uso do imóvel e nem sua manutenção. O tombamento é um instrumento constitucional e que garante a conservação desse espaço. Mas é um tombamento preliminar ainda, não foram tombadas, haverá o espaço para que os representantes das igrejas se manifestes”, explicou.

 

Bispo da Diocese de Ponta Grossa é contra tombamento

“Deixa que nós cuidamos das igrejas e não o poder público”, diz bispo da Diocese de Ponta Grossa, Dom Bruno Elizeu Versari. Foto: CMPG/Reprodução/Redes Sociais

O bispo da Diocese de Ponta Grossa, Dom Bruno Elizeu Versari, se manifestou contrário ao tombamento das igrejas e a favor do projeto do vereador Ezequiel que diz “que um imóvel só pode ser tombado com autorização as igrejas”, ou seja, dá autonomia para as igrejas.

“Se não vai agregar e permanecer como está, como disse o Beto, então deixa como está, com a igreja cuidando. Patrimônio tombado é patrimônio abandonado, veja como exemplo Paranaguá, lá foi tombado e ficou abandonado. E o que esse tombamento vai agregar para a igreja? Nada. Então deixa como está, pois são espaços que a igreja tem que cuidar”, declarou o bispo.

O que diz o autor do projeto que dá autonomia para as igrejas

Vereador e pastor, Ezequiel Bueno (Podemos), elabora projeto que defende autonomia das igrejas.(Foto: CMPG)

“Como pastor, como líder religioso, trago meu posicionamento, nós construímos a igreja com o dinheiro do povo, da sociedade, a igreja não é uma empresa. O poder público querer colocar o dedo lá onde não fez nada, mas onde está o respeito que precisa ter conosco, com pastores e padres? A igreja é um espaço de acolhimento das pessoas. Não queremos prejudicar nossa cidade, mas acho que é preciso diálogo com as igrejas”, disse o vereador Ezequiel Bueno.

O PL 232/2026

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“A igreja que foi fundada por Jesus Cristo está sendo perseguida pela Prefeitura de Ponta Grossa”, diz Joce Canto

“Está ocorrendo uma perseguição da Prefeitura de Ponta Grossa em cima das igrejas”, disse Joce Canto (PP). Foto: CMPG/Reprodução/Redes Sociais

 

A vereador Joce Canto (PP) criticou a prefeitura de Ponta Grossa por não comunicar as igrejas sobre o tombamento. “Imagine você abrir o Diário Oficial e ver o nome das igrejas, sem ao menos conversarem com as igrejas. Eu defendo o projeto do pastor Ezequiel e já pedi o regime de urgência. Inclusive, eu vejo hoje que a igreja que foi fundada por Jesus Cristo está sendo perseguida pela Prefeitura de Ponta Grossa”.

 

Vereador Erick Camargo (PV) defendeu o tombamento das igrejas por conta da valorização cultural

Vereador Erick Camargo (PV). Foto: CMPG/Reprodução/Redes Sociais

“Muitos prédios históricos foram perdidos porque não foram tombados e poderíamos ter muitos prédios históricos, mas não tem como voltar atrás. Eu respeito a Secretaria de Cultura e o Conselho de Patrimônio Cultural. Eu apoio todo o processo de preservação da nossa cultura”, afirmou o vereador Erick Camargo.

 

Vereador Guilherme Mazer (PT) diz que o projeto de Ezequiel é inconstitucional

Vereador Guilherme Mazer (PT) é contra projeto de Ezequiel. Foto: CMPG/Reprodução/Redes Sociais

“O projeto padece de inconstitucionalidade, visto que o tombamento é regulamentado pela legislação federal, de acordo com a Constituição. Trata-se de um dever do poder público para proteção do patrimônio brasileiro e de um bem que prevalece sobre o interesse particular. Ou seja, o projeto do vereador desvirtua principalmente isso, quando passa para um interesse particular algo que é do interesse público, como o patrimônio cultural”, afirmou.

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